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Por que é que as mulheres são infiéis?
As infiéis queixam-se de terem maridos egoístas na cama ou de eles terem desistido delas do ponto de vista erótico

Por que é que as mulheres são infiéis?

As infiéis queixam-se de terem maridos egoístas na cama ou de eles terem desistido delas do ponto de vista erótico Shutterstock Catarina Correia Rocha 09/09/2015 16:05

A culpa é, obviamente, dos homens. Pelo menos, essa é a conclusão do primeiro inquérito do género feito a mulheres inscritas no Secondlove, um portal para quem procura relações extraconjugais.

“Flertar não é só para solteiros.” Se o slogan do Secondlove deixasse margem para dúvidas, o número de inscritos na plataforma de encontros amorosos para pessoas que estão numa relação estável dissipavam-nas: há mais de 160 mil pessoas casadas à procura de uma aventura extraconjugal em Portugal. As mulheres representam 25% destes utilizadores e situam--se numa média de idades entre os 35 e os 55 anos. Mas como se comportam as mulheres perante a infidelidade?

O primeiro inquérito nacional a mulheres inscritas no portal revelou que uma das maiores “queixas” se prende com o facto de os maridos terem desistido delas de um ponto de vista erótico. A mulher procura o Secondlove para se sentir mais bonita: “Inscrevem-se porque os maridos não lhes dão atenção. Esquecem-se de lhes dizer que são bonitas e as mulheres deixam de se sentir mulheres. E com isso quebra-se o elo da sedução e o encanto”, explica ao i Anabela Santos, gestora da plataforma em Portugal. Deste modo, explica, a mulher inscreve-se no site para encontrar quem lhe diga um bom dia com alegria. “Alguém que lhe levante a auto-estima e a moral.”

Segundo os resultados do estudo, mais de metade das inquiridas consideram que o actual companheiro ou marido não estimula a sua sexualidade. Além disso, quase 80% pensam que o homem é egoísta na cama. Mas, para a sexóloga Vânia Beliz, esta ideia de que o sexo masculino só pensa na sua satisfação é uma concepção atribuída, na maioria dos casos, às mulheres mais velhas: “Tenho cada vez mais a ideia de que os homens tentam perceber o sexo feminino e estão mais curiosos em saber o que lhe dá prazer e satisfação”, confidencia. 

A procura feminina por portais como o Secondlove justifica-se, de acordo com a sexóloga, pela insatisfação com a relação, mas também “pela rotina e pela monotonia”. A ausência de comunicação no casal pode também ser uma das “culpadas”: “As mulheres são ávidas de criar fantasmas. Muitas das vezes não discutimos as coisas, ou elas são de uma forma e nós idealizamos que são de outra.” 

Para Anabela Santos, os resultados deste estudo mostram que os homens se “esquecem frequentemente de estimular as mulheres e, para elas, é preciso haver sedução antes de se passar à parte sexual”. A responsável pelo Secondlove em Portugal afirma ainda que este inquérito deve também servir para os homens portugueses se reposicionarem em relação ao amor: “As mulheres gostam de se sentir desejadas, de ir jantar, beber um copo de vinho e falar sobre como correu o dia. O sexo masculino não faz isso.”

Mais passivas Mais de 70% dos inscritos no site Secondlove são do sexo masculino. A pequena percentagem de mulheres explica-se, na opinião de Anabela Santos, pelo “preconceito que existe e com a educação que recebem”. A taxa de mulheres, que varia consoante o país, sobe quase 20% na Argentina: “Isto está muito relacionado com a educação. Ainda há tabus para as mulheres portuguesas: elas têm um bocado de receio e de vergonha, e são também moldadas pela maneira de pensar da sociedade.” Vânia Beliz acrescenta que muitas mulheres, em vez de procurarem um parceiro para depois terem um compromisso, “podem ter mais facilidade em procurar satisfação através destes sites porque pressupõem que as pessoas que o frequentam estão na mesma onda.” 

E os homens estão claramente mais à vontade para abordar estas questões: “Eles assumem e fazem. Elas pensam muito mais antes de se inscreverem no site”, conta Anabela Santos, acrescentando que “em Portugal, as mulheres são muito menos activas e não se expõem no chat. Esperam que seja o homem a mandar uma mensagem.” A verdade é que as mulheres se envolvem mais facilmente e, ao contrário do sexo oposto, procuram mais do que sexo e prazer: “Querem atenção, valorização, melhorar a auto-estima e até sentirem-se vivas. As mulheres que têm relações já há muito tempo, às vezes, nem sequer chegam a concretizar, mas gostam da sensação de saber que há alguém que as acha interessantes”, explica Vânia Beliz. 

Além destes indicadores, o sexo feminino parece saber melhor o que procura quando se inscreve no site: “Quando alguém faz um registo, pedimos para escrever uma descrição. As mulheres fazem-no exemplarmente bem: dizem o que querem e do que gostam. Nos homens, já não é tanto assim.” 

Para elas, encontrar um amante online é uma actividade “pontual”, uma vez que “procuram um homem para se sentirem desejadas”, mas também porque, mais uma vez, sentem o peso do preconceito. A sexóloga Vânia Beliz refere que uma mulher que tem uma relação extraconjugal raramente partilha esse facto com alguém porque “existe mais preconceito para a mulher ter outros parceiros do que para o homem”. Em relação à infidelidade, também a associamos mais ao sexo masculino, “apesar de alguns estudos até referirem que as mulheres são tão infiéis quanto os homens”, remata.

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