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Graça Canto Moniz 08/09/2015
Graça Canto Moniz

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Um bloco em branco

A única coisa que separava os dois camaradas era uma mesa, nada mais.

© Jose Sena Goulao/Lusa

A semana passada fomos brindados com o primeiro dos debates relativos às próximas legislativas. Fiquei desiludida por não ter assistido a um debate propriamente dito, mas a uma entrevista a dois líderes de dois partidos de esquerda, profundamente apaixonados.

Apenas interrompidos de vez em quando pelo moderador, os dois foram tagarelando de forma tão ininterrupta que uma pessoa deixava, mais ou menos involuntariamente, de os ouvir passado um bocadinho, um pouco como acontece com uma criança de seis anos.

Como li algures, a única coisa que separava os dois camaradas era uma mesa, nada mais. Camaradas, a canhota já teve melhor oferta, confessem lá! Longe vão os tempos do ódio figadal ao partido da fidalguia gauche. Quando o PCP pensava ter a sua existência ameaçada com o crescimento do Bloco que, no fundo, evoluiu para uma posição mimética do PCP e, por consequência, para um lugar de irrelevância política. Hoje, o inimigo é comum: o PS. 

E o único critério de distinção entre os dois, que de resto se mantém, é etário: intelectuais com menos de 65 anos de idade continuam a ser coutada do Bloco.

O Bloco, sobretudo, falha duplamente: por não ter conseguido permanecer fiel à sua natureza de agrupamento de partidos cata--vento e por ter sido incapaz de disfarçar a ausência de qualquer definição ideológica, sobretudo por não ter provado uma existência além do moralismo demagógico de Francisco Louçã.

O único problema – esse sim, verdadeiramente preocupante para a causa esquerdista – é: finado o BE, quem se ocupará de temas tão importantes como a criminalização do piropo? O Agir?

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