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“Ninguém faz confusão”, acredita António Costa
Costa soube da notícia sobre caso Sócrates numa acção de campanha em Braga

“Ninguém faz confusão”, acredita António Costa

Costa soube da notícia sobre caso Sócrates numa acção de campanha em Braga PEDRO NUNES/LUSA Rita Tavares e Ricardo Rego 05/09/2015 10:00

Líder socialista mantém reserva em comentar caso e diz que campanha doPS não sairá afectada.

A notícia rebentou já António Costa tinha deixado o “comboio da confiança”, uma iniciativa de campanha que acabou liquidada pela revelação de final de dia que apanhou a caravana socialista de surpresa. Ainda que a prisão de José Sócrates se tenha deslocado do Estabelecimento Prisional de Évora para uma casa no centro de Lisboa, nem por isso a posição de António Costa se moveu um milímetro. Não comenta casos de justiça e diz-se convicto de que “ninguém faz confusão entre uma matéria e outra”, referindo-se ao eventual contágio das eleições. 

A partir de Braga, António Costa falou para as televisões de propósito para reagir ao caso, dizendo que “é necessário que os cidadãos saibam que não é por fulano ser presidente da câmara ou primeiro-ministro que está acima da lei”. Palavras ditas em directo à RTP Informação, onde Costa acrescentou ter o “dever de confiar no funcionamento das instituições”, dizendo também que se deve respeitar outro“princípio” que é o da presunção da inocência”. 
Momentos antes, nas respostas à SIC-Notícias, o líder socialista já tinha dito que tem “mantido uma regra fundamental que é não comentar decisões judiciais. Não vou abrir nenhuma excepção em relação ao momento que estamos a viver”.     
Quanto a eventuais contágios eleitorais que este desenvolvimento da Operação Marquês possa acarretar, Costa acredita que “são dois processos que correrão em paralelo. As pessoas determinarão o seu sentido de voto, assim como a justiça determinará a sua função e o engenheiro José Sócrates determinará a sua defesa”.

Alta sensibilidade do PS Um cuidado de análise que mostra a sensibilidade do tema, que alguns socialistas acreditam que possa vir a ter um impacto significativo na campanha eleitoral. Assim que a decisão foi conhecida, Costa não conseguiu deixar de ver circular comentários mais inflamados dos socialistas ligados a José Sócrates – caso de José Lello que, na sua página no Facebook, escreveu: “Acabou-se o sacrifício do nosso José Sócrates. Agora, a fase seguinte, a inocência!” Um comentário apoiado por Fernando Serrasqueiro, ex-secretário de Estado dos governos de Sócrates. E as duas últimas cartas escritas por Sócrates a partir de Évora foram claras ao dizer que o “processo tem contornos políticos” e visa prejudicar o PS eleitoralmente. 

“Do ponto de vista pessoal tem importância, é sempre melhor estar em casa do que preso numa cadeia, mas do ponto de vista político não é relevante”, comentou ao i o socialista AugustoSantos Silva, confrontado com o impacto eleitoral do caso. O ex-ministro de Sócrates acredita que um “facto relevante” seria a “produção de uma acusação, por exemplo”. 
Ainda esta semana, o social-democrata Paulo Rangel disse, a propósito da prisão de Sócrates, que “o ar democrático em Portugal hoje é mais respirável”, comparando a investigação criminal nos tempos dos governos PS  com os do actual.

Santos Silva diz que o aproveitamento da coligação não surtirá efeitos favoráveis para a direita:“Tem-se mostrado que sempre que um dirigente do PSD fala do assunto produz um efeito bumerangue”. Mas no lado do PS, a situação deve, no entender do socialista, ser gerida com contenção. A revisão da medida de coacção deve ser aproveitada pelo partido? “Para todos os efeitos há uma pessoas que está sob suspeita mas que ainda não foi acusado”, diz Santos Silva. 

Entre socialistas, a decisão não era esperada para esta sexta-feira, apesar da expectativa de que pudesse acontecer por estes dias, já que o prazo para a revisão da medida de coacção terminava a 9 de Setembro, dia do frente-a-frente entre Passos Coelho e AntónioCosta. Um socialista diz ao i que o facto de se conhecer a alteração da medida já, acabou por retirar pressão sobre um dos principais momentos desta campanha.

Passos Coelho recusou fazer qualquer comentário à questão. Jerónimo de Sousa manteve a posição de sempre e garantiu:“Tudo faremos para que as coisas [eleições e processo] não se misturem”. 

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