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Queda de popularidade de Tsipras alimenta eleições de total incerteza
Uma sondagem publicada no fim-de-semana evidenciou que a popularidade de Alexis Tsipras caiu a pique desde Março

Queda de popularidade de Tsipras alimenta eleições de total incerteza

Uma sondagem publicada no fim-de-semana evidenciou que a popularidade de Alexis Tsipras caiu a pique desde Março YANNIS KOLESIDIS/EPA Filipe Paiva Cardoso 01/09/2015 20:35

A queda da popularidade de Tsipras, o amontoar de demissões no Syriza e as pequenas diferenças expressas pelas sondagens, também elas alvo de dúvidas, abrem a porta à instabilidade pós-eleitoral. Maioria pode exigir coligação com três partidos

A popularidade de Alexis Tsipras foi uma das maiores vítimas das negociações entre Atenas e os credores dos últimos três meses. O governante, eleito com um programa anti-troika, acabou a assinar um novo resgate ao país e os eleitores estão a cobrar-lhe isso mesmo. Não fosse suficiente, também o amontoar de dissensões do Syriza ameaçam cada vez mais a capacidade do partido em repetir a vitória de Janeiro último.

Uma sondagem da Universidade da Macedónia publicada este fim-de-semana, evidenciou que a popularidade de Alexis Tsipras está em queda desde Março, altura em que esta pairava nos 70% de aprovação, situando-se agora em 29% - com o ex-primeiro-ministro a surgir ainda assim como o líder grego mais popular. A sondagem foi realizada já no final de Agosto, ouvindo 1100 eleitores gregos e apresentando uma margem de erro de 2,96 pontos.

Segundo o histórico da popularidade do ex-primeiro-ministro, Tsipras chegou ao início de Julho, aquando do referendo, ainda acima dos 50% de aprovação. Depois, o choque entre o desfecho do referendo e a imposição do terceiro resgate a Atenas, determinou a aceleração da queda até aos 29% agora divulgados.

Dissidentes Além da queda da popularidade, esta terça-feira trouxe mais más notícias para Alexis Tsipras. Foram vários os membros da Juventude do Syriza que oficializaram o abandono do partido, sendo expectável que se associem ao novo Unidade Popular, o partido que resultou da cisão da Plataforma de Esquerda da coligação da esquerda radical.

Mas mais do que a juventude, uma ameaça maior vem do abandono do partido de vários líderes de organizações regionais do Syriza, parte fulcral da organização e contas da campanha eleitoral que agora principia. Segundo a "MacroPolis", nas últimas duas semanas multiplicaram-se as demissões vindas destas ramificações regionais do Syriza, sendo que é destes que sai normalmente "a infantaria que apoia a campanha a nível local e regional", diz a mesma fonte.

O efeito da perda de popularidade de Tsipras e do Syriza, em conjunto com o abandono de parte dos membros do partido para outras formações políticas e a desilusão manifestada por muitos eleitores gregos perante a mudança de postura de Tsipras justificam grande parte das intenções de voto que as sondagens vão apresentando.

Sondagens Até ao momento, já foram divulgadas quase uma dezena de sondagens sobre as eleições de 20 de Setembro. Apesar de ligeiras diferenças nas intenções de voto, há tendências comuns: todas apontam para uma vitória do Syriza, com cerca de 24% dos votos, seguido de perto pela Nova Democracia (c. 22%). Aurora Dourada (6%), Potami (5%) e o KKE (5%) são os três que se seguem. Destaque ainda para os mais de 13% de indecisos identificados por todas as auscultações até agora divulgadas.

De acordo com as intenções de voto expressas pelas sondagens, é quase certo que nenhum partido irá conseguir obter a maioria parlamentar sozinho, mesmo apesar dos 50 deputados extra a que o partido mais votado tem direito. No caso da sondagem da Universidade da Macedónia, o Syriza surge com 25% e a Nova Democracia com 22%: este resultado daria ao Syriza 130 deputados (80+50) e à Nova Democracia 70.

Neste cenário, e sem considerar a Nova Democracia, o Syriza teria que procurar partidos com mais 21 deputados para assegurar a maioria no parlamento, sendo que nenhum outro partido passa os 19 eleitos, pelo que seria necessário procurar um terceiro parceiro de coligação - Syriza, Pasok e Potami, por exemplo.

É no entanto de salientar que as intenções de voto expressas pelas sondagens devem ser olhadas com cuidado, já que tanto em Dezembro de 2014 como em Julho último estas provaram que o eleitorado grego é difícil de prever. No referendo de Julho, por exemplo, todas as sondagens apontavam para um quase empate mas o "Não" acabou por ganhar com 61,3% contra 38,7%. Já em Dezembro de 2014, as sondagens não davam mais de 29% ao Syriza - acabou com 36,4% nas eleições de Janeiro seguinte.

A 10 de Setembro realizar-se-á o primeiro debate destas eleições antecipadas, reunindo todos os líderes partidários. Já a 14 de Setembro, uma semana antes do acto eleitoral, será a vez de um debate apenas entre Tsipras e Meimarakis, líder da Nova Democracia, os partidos que reúnem as maiores intenções de voto.

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