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Legislativas. O fantasma de Sócrates na rentrée do PSD
Ministra deu aula sobre finanças. Hoje é a vez de Durão Barroso falar sobre a Europa

Legislativas. O fantasma de Sócrates na rentrée do PSD

Ministra deu aula sobre finanças. Hoje é a vez de Durão Barroso falar sobre a Europa NUNO VEIGA/Lusa Luís Claro 26/08/2015 11:29

Maria Luís diz que a receita de Costa é a mesma que nos “conduziu ao desastre em 2011”. 

Ao contrário do que aconteceu noutros anos, o PSD não convidou nenhum socialista para a Universidade de Verão, mas o PS tem estado presente nos principais discursos. OPS e José Sócrates. Sem dizer o nome do ex-primeiro-ministro, Maria Luís Albuquerque comparou o programa de António Costa com a política praticada pelos governos de José Sócrates. “Exactamente a mesma receita.” 

Maria Luís, que é cabeça-de--lista da coligação por Setúbal, recuou a 2011, ano em que o governo de José Sócrates foi obrigado a chamar a troika, para garantir que as propostas que fracassaram no passado não resultarão no futuro. “Como é possível que um partido se apresente aos portugueses com propostas que falharam tão rotundamente quando aplicadas no passado? E como é possível que se afirme agora que sim, agora resulta? Porque haveriam os portugueses de acreditar que exactamente a mesma receita que conduziu ao desastre de 2011 produziria agora resultados diferentes?”, questionou. A resposta para as três perguntas, garante Maria Luís, é que o PS não percebeu o que aconteceu. “Só isso pode justificar que o PS volte a apresentar hoje, em 2015, depois de um resgate duríssimo, de novo a mesma receita.”
Com as eleições à porta, Maria Luís alimentou a tese propagada pela coligação de que a vitória do PS pode significar o regresso da troika. “O que seria de Portugal se nos próximos anos se voltasse a aumentar a despesa?Na melhor das hipóteses teríamos uma breve ilusão de crescimento, para voltarmos a acordar para uma realidade ainda mais dura que a de 2011.” Mas, continuou a ministra das Finanças, nem “essa breve ilusão nos seria permitida”, porque “os mercados estão vigilantes e já nos mostraram como podem de um dia para o outro negar o financiamento de que Portugal precisa para continuar a crescer”. 

CONTOS DE CRIANÇAS Os governos de José Sócrates também não foram esquecidos na abertura da Universidade de Verão. O vice-presidente do PSD, Marco António Costa, lembrou que o modelo aplicado pelos socialistas a partir de 2009 “levou o país a um resgate”. E sugeriu que o regresso do PS pode ser o regresso da troika: “Não é necessário meter o país em aventuras, em contos de crianças. Os contos de crianças dão por norma lugar a mais resgates.” Paulo Portas já tinha garantido que o plano do PS “é o caminho mais simples para voltar à troika”. 

CAMPANHA O discurso da coligação está alinhado e não deve sofrer grandes alterações. A campanha começa no dia 20 de Setembro e Passos e Costa partem praticamente empatados, a acreditar nos resultados das sondagens. Um cenário que parecia impensável há dois ou três anos, depois de o governo ter aplicado as mais duras medidas de austeridade da história da democracia. “Existe a consciência no eleitorado de que este governo, embora tenha tido de tomar medidas duras, fez o que tinha a fazer”, diz ao i um dirigente do PSD, confiante de que as pessoas perceberam com a Grécia que “o espaço dos países da zona euro é bastante reduzido”. A coligação sabe que carrega o peso da austeridade e vai fazer tudo para colar o PS às medidas que aplicou nos últimos quatro anos. Os socialistas carregam o peso de ter um ex--líder preso, que ficou associado ao pedido de ajuda à troika. 

O que poderá fazer a diferença e convencer os indecisos? “O que conta a partir de agora é apresentar ideias muito claras e oferecer estabilidade governativa. Isso favorece a coligação”, garante um deputado e dirigente social-democrata, confiante de que a aliança Portugal à Frente tem margem para conquistar uma fatia significativa dos indecisos.

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