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Impostos representam 61% do preço do litro da gasolina
Os preços dos combustíveis deverão manter a tendência de queda com a desaceleração da economia chinesa,

Impostos representam 61% do preço do litro da gasolina

Os preços dos combustíveis deverão manter a tendência de queda com a desaceleração da economia chinesa, José Pedro Tomaz Sónia Peres Pinto 25/08/2015 13:05

Mínimos históricos do preço do barril de petróleo são insuficientes para assistirmos a uma queda abrupta dos valores da gasolina e gasóleo.

O petróleo continua a negociar em baixa. O West Texas Intermediate (WTI), negociado em Nova Iorque, está cotado nos 38,40 dólares, depois de já ter tocado os 38,69 dólares, o valor mais baixo desde Fevereiro de 2009. Já o brent, transaccionado em Londres, vale 43,04 dólares, um novo mínimo desde Março de 2009. 

Em dois meses, o crude desvalorizou cerca de 30% e vários analistas acreditam que o preço do barril possa atingir os 20 dólares (cerca de 17 euros), mas ainda assim é insuficiente para assistirmos a uma queda abrupta dos preços dos combustíveis que são cobrados aos consumidores. A elevada carga fiscal e os custos fixos não dão margem de manobra para assistirmos a uma redução muito grande de preços, garante ao i João Reis, da Associação Portuguesa de Empresas Petrolíferas (Apetro). 

O elevado peso dos impostos no preço final de venda dos combustíveis dilui, assim, grande parte do efeito da correcção de preços nos mercados internacionais. Os impostos representam actualmente cerca de 61% do preço do litro da gasolina e rondam os 50% no caso do gasóleo. A este valor há ainda que somar os custos fixos relacionados com as despesas de armazenamento e distribuição, que pesam cerca de 11%, e do biocombustível, com 1%. Feitas as contas, as petrolíferas ficam com pouca margem para conseguirem alterar os valores que são cobrados aos consumidores finais. 

“Neste momento, o preço do litro da gasolina está fixado em 1,476 euros, mas só posso mexer numa parte dessa parcela. Se retiramos os impostos e os custos fixos, fico com uma margem que ronda os 27% em que posso alterar. Daí estarmos a assistir a reduções de um e dois cêntimos por litro”, refere o responsável da Apetro, acrescentando ainda que, “como os preços dos combustíveis estão a descer há seis semanas consecutivas, já assistimos a uma redução de 12 cêntimos no total.” 

Isso significa que a quebra do preço da matéria-prima só tem efeito em menos de metade do preço final dos combustíveis. “Se queremos baixar 20 na origem, só podemos baixar 10 no preço final”, explica João Reis. 

Tendência de queda O responsável vai mais longe e alerta: mesmo que os preços da matéria-prima baixassem até ao valor zero, o valor da redução nunca poderia ser desta ordem, devido ao peso dos custos fixos. “Os custos fixos mantêm-se sempre e até tendem a aumentar. É o caso dos custos de armazenamento, de distribuição, de comercialização e da própria margem para as companhias e revendedores”, acrescenta. 

Mas vamos a números. O preço do barril de brent, em euros, já recuou mais de 40% face ao valor de há um ano. Já o gasóleo que é negociado entre as petrolíferas nos mercados internacionais recuou na ordem dos 35%. Ou seja, apesar de os produtos refinados seguirem a tendência da matéria-prima, dependem também de outras dinâmicas do mercado, como a procura e a oferta, por exemplo. Ainda assim, a tendência de queda dos preços do petróleo que se observa nos mercados internacionais também chega aos combustíveis comercializados em Portugal. O preço do litro de combustível, sem taxas, corrigiu mais de 16%, mas se juntarmos os impostos a queda no preço de venda ao público não chegou aos 8%. 

Além disso, os combustíveis, tal como o petróleo, são cotados em dólares. Daí que os valores apurados diariamente ao longo de cada semana tenham de ser convertidos para a divisa europeia. O euro pode funcionar como uma almofada ou um trampolim para a variação das cotações. Por exemplo, se o preço médio semanal da gasolina descer 1% em dólares, mas o euro cair 2%, na divisa europeia esse combustível fica mais caro.

O que é certo é que a perceptiva de descida de preços deverá manter-se nas próximas semanas. De acordo com João Reis, a explicação é simples: “Vamos continuar a assistir a uma desaceleração da economia chinesa, e havendo menos consumo e maior oferta, é natural que os preços se mantenham baixos, mas nunca com reduções abruptas no preço final dos combustíveis.” 

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