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Sócrates. Valor da casa paga “integralmente” dívida a Santos Silva
A casa de Sócrates foi comprada, em 1998, por 235 mil euros

Sócrates. Valor da casa paga “integralmente” dívida a Santos Silva

A casa de Sócrates foi comprada, em 1998, por 235 mil euros Helena Poncini Pedro Rainho 18/08/2015 14:40

Advogado Pedro Delille garante que valor que ex-primeiro-ministro deve ao amigo “é inferior” a 1,5 milhões. 

O valor que José Sócrates recebeu pela casa que detinha no edifício Heron Castilho, em Lisboa, serviu para pagar “integralmente” a dívida que o ex--primeiro-ministro foi contraindo junto do empresário e amigo Carlos Santos Silva entre 2012 e 2014. A garantia é dada por um dos advogados de Sócrates ao i. Pedro Delille recusa adiantar qual o valor em dívida calculado pela defesa, mas a tese contraria o montante total que tem sido apontado: 1,5 milhões de euros. O valor “é inferior” e terá ficado sanado com a venda da casa, por 675 mil euros, ao advogado paquistanês Makhdoom Ali Khan.

O Ministério Público considera que, depois de ter deixado o governo, em 2011, José Sócrates terá sido beneficiário de sucessivos empréstimos por parte de CarlosSantos Silva. Somando as várias tranches com destino à conta do ex-primeiro-ministro – ou alegadamente entregues em dinheiro vivo, como seriam as remessas transportadas pelo ex-motorista JoãoPerna –, a investigação chegou ao valor de 1,5 milhões de euros.

PedroDelille não fala sobre valores específicos – desde logo, porque essa matéria ainda se encontra sob segredo de justiça. Mas garante que “o engenheiro José Sócrates não vendeu a casa para começar a pagar [a dívida que tinha junto de Carlos Santos Silva]. Vendeu para pagar integralmente” essa verba. 

300 mil euros emprestados Perdidas as eleições para o PSD, em 2011, Sócrates fez as malas e rumou a Paris para estudar filosofia. Desde o início do processo, há quase nove meses, a defesa assumiu que essa nova fase da vida do ex-líder socialista tinha contado com o financiamento de CarlosSantos Silva, num gesto de “amizade sem limites”, como classificaram os juízes da Relação de Lisboa.

Antes desses empréstimos do amigo, Sócrates contraiu uma outra dívida junto da Caixa Geral de Depósitos (CGD), no valor de 120 mil euros, precisamente para prosseguir a formação académica.

Mais recentemente, a TVI avançou que, já em Janeiro deste ano, o ex-primeiro-ministro teria hipotecado o seu apartamento de Lisboa – aquele de que agora se desfez. Valor: 250 mil euros.

Somadas estas quantias (e acrescentando uma dívida ao fisco no valor de quase seis mil euros que levou a uma penhora sobre a sua agora antiga casa), Sócrates tinha, antes de fechar o negócio, no início deste mês, dívidas no valor de cerca de 376 mil euros. Tendo em conta a versão de PedroDelille, e descontando apenas este montante, o socialista não teria pedido mais de 300 mil euros ao amigo Carlos Santos Silva. “Um milhão e meio de euros, eu nunca vi serem referidos no processo”, diz o advogado, garantindo que o valor em causa “é inferior” ao que tem sido apontado pela investigação.

Rever o calendário Na última vez que o juiz de instrução CarlosAlexandre analisou a medida de coacção do socialista, José Sócrates teve na mão a possibilidade de ir para casa e recusou. O Ministério Público propôs a prisão domiciliária, mas aceitar a pulseira electrónica seria uma “meia libertação com o objectivo de disfarçar o falhanço” da investigação, escreveu Sócrates a 8 de Junho.

A lei estabelece que a cada três meses essa medida deve ser reavaliada – em teoria, empurrando nova análise para 9 de Setembro, dia em que António Costa e Passos Coelho se defrontam num debate histórico em Portugal, emitido pelos três canais generalistas em simultâneo.

A defesa do ex-primeiro-ministro tem outro entendimento. Se [o juiz Carlos Alexandre e o procurador RosárioTeixeira] entenderem – como entenderam para Carlos Santos Silva e como entenderam para José Sócrates, apesar de não o terem feito formalmente – que os três meses terminam a 24 de Agosto”, uma vez que a detenção de Sócrates aconteceu a 22 de Novembro de 2014, “espero que [a revisão da medida de coacção] seja feita na mesma altura”, diz Delille.

Isso significaria que já esta semana o Ministério Público poderia voltar ao tema. Com o avançar da investigação, a suavização das medidas aplicadas ganha força. O advogado João Araújo já disse que a pulseira electrónica continua a ser uma não opção. Sendo certo que, para a defesa, é “absolutamente desnecessária a medida de prisão”, José Sócrates poderá em breve ser libertado.

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