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Presa ou predador? A resposta está no olhar
Os investigadores analisaram as pupilas de 200 espécies terrestres

Presa ou predador? A resposta está no olhar

Os investigadores analisaram as pupilas de 200 espécies terrestres Artur Borges Marta Cerqueira 17/08/2015 20:40

Não é só o tamanho e a força a ditar quem assume os lugares de liderança no reino animal. Um estudo recente aponta o formato dos olhos como determinante para perceber se um animal nasceu para ser presa ou predador.

Dizem ser o espelho da alma entre os humanos e, no mundo animal, sabe-se agora que podem dizer muito mais do que aparentemente se previa. Um novo estudo garante que o formato dos olhos pode determinar a categoria dos animais na vida selvagem: presas ou predadores. Os investigadores analisaram as pupilas de 200 espécies terrestres e descobriram que a sua função vai muito além do controlo da luminosidade.

No estudo, publicado na revista científica “Science Advances”, os investigadores Martin Banks e Gordon Love sugerem, sim, que a principal função da pupila é “controlar a entrada de luz, expandindo-se quando a luz é reduzida e diminuindo quando ela aumenta”, mas não se fica por aqui. A dupla descobriu que a pupila também controla a precisão das imagens, estipulando o que fica ou não focado no campo de visão.

Na análise feita por estes dois professores universitários foi possível concluir que os predadores geralmente têm os olhos no centro da cabeça e as pupilas verticais, para verem com precisão linhas, barras e bordas verticais, desfocando as laterais. Já as presas têm tendência a ter olhos mais afastados e as pupilas estão na horizontal. Quando a luz aumenta, as pupilas expandem e aumentam o campo de visão, o que permite ver possíveis ameaças a aproximarem-se de diferentes direcções. Os cientistas também confirmaram que a pupila alongada é capaz de aumentar mais do que a circular. “Um gato é capaz de ter uma dilatação de pupila dez vezes maior que a dos humanos”, diz Banks.

Apesar de a análise ter dado origem a uma regra, também neste caso há uma excepção que, aliás, deixou os investigadores intrigados. Os Herpestidae (espécie que inclui mangustos e suricatas) são os únicos animais com olhos no centro da cabeça, mas pupilas horizontais. Os professores deixaram esta explicação para mais tarde, altura em que pretendem alargar o estudo também a animais não terrestres, como os pássaros, excluídos nesta primeira fase por terem comportamentos mais imprevisíveis na hora de caçar.

“A nossa teoria não pode ser usada para peixes e pássaros”, lembra Banks, referindo que, apesar de não haver ainda explicação para isso, as pupilas dos peixes são consideradas as mais estranhas do reino animal. “Conheço um cientista que está a pesquisar pupilas de animais aquáticos com o formato da letra W, talvez o nosso próximo estudo seja em conjunto com ele”, refere.  
 

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