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Supermercados, centros comerciais e um jornal de referência

Supermercados, centros comerciais e um jornal de referência

Margarida Vaqueiro Lopes 16/08/2015 17:32

A Sonae tem mais de 40 mil funcionários e um volume de negócios que ronda os cinco mil milhões de euros anuais.

O terceiro homem mais rico do país já não vai trabalhar todos os dias, das 6h30 às 20h00, como costumava fazer. Mas continua a ter uma das maiores fortunas de Portugal, avaliada em 1700 milhões de euros, segundo o contador da Forbes.

Belmiro de Azevedo foi contratado pela Sonae em 1965 e, em apenas dois anos, tomaria as rédeas da empresa que na década de 1980 se tornaria uma referência no país ao abrir, por exemplo, o primeiro hipermercado da história nacional.

Actualmente, a Sonae é um verdadeiro império liderado por Paulo Azevedo, o mais velho dos três filhos do empresário de 77 anos, bacharel em Artes e mestre em Business and Administration.

Controlada pela holding familiar Efanor, para além da Sonae, a família tem ainda a Sonae Capital e a Sonae Indústria. Do grupo Sonae saem seis outras empresas: a Sonae MC – onde se inclui o Continente, a Well’s ou os cafés Bom Bocado –, a Sonae SR, responsável por lojas como a Worten ou a Zippy, a Sonae RP, dedicada ao imobiliário, a Sonae IM (gestão de investimentos), a Sonae Sierra, detentora de centros comerciais, e a NOS, a operar no sector da telecomunicações.

Que é como quem diz: 4974 milhões de euros em volume de negócios em 2014 e lucro de 144 milhões de euros no mesmo ano. A Sonae emprega, segundo o relatório e contas da actividade relativa ao ano passado, mais de 40 mil pessoas, e isto apenas directamente. O site do grupo revela ainda que a média de idades dos funcionários do grupo se fixa nos 33 anos, para mais de 100 funções diferentes.

Segundo a mesma fonte, a Sonae garante um milhão e meio de horas de formação a cada ano. O retalho concentra a maioria dos empregados da Sonae – 91% –, estando 3% alocados aos centros comerciais e os restantes 6% ao sector das telecomunicações. A Sonae está presente em quase 20 países, com 170 lojas espalhadas que já garantem 30% das receitas do retalho especializado. Ainda assim, o core business continua a ser Portugal. 

Salário mínimo de 520 euros

O i tentou contactar a Sonae para saber qual a média de salários pagos no grupo e quantos funcionários ao certo teria cada empresa, uma vez que as contas são consolidadas e, portanto, nem sempre discriminadas. No entanto, até ao fecho da edição não foi possível obter resposta da empresa.

Assim sendo, fizemos as contas novamente de uma forma simplista: dividindo os custos com remunerações do pessoal pelo números de funcionários, o salário médio de um empregado da Sonae deverá rondar os 1162 euros por mês – um valor que fica acima da média nacional. Segundo os dados mais recentes da Pordata, o salário médio em Portugal, no final de 2013, era de 911 euros.

Durante a apresentação dos resultados de 2014, Paulo Azevedo revelou também aos jornalistas que tinha decidido aumentar o salário mínimo de novas admissões de funcionários para funções que não requeriam qualificações especiais para 520 euros, acima dos 505 euros estipulados por lei e pagos, por exemplo, a funcionários públicos. 

Ainda assim, a Sonae tem-se visto a braços com várias greves por parte de trabalhadores que clamam por aumentos salariais, afirmando que há cinco anos não sofrem actualizações.

Certo é que o grupo parece continuar focado no investimento, com as contas a revelarem uma aposta de mais de 100 milhões de euros somente no ano passado, e sobretudo na área do retalho especializado e do ecommerce. Este ano, o investimento no país não deverá ficar muito atrás deste valor.

Num comunicado libertado em Maio, a Sonae revelava pretender investir até 50 milhões de euros em Portugal e em Espanha, somente em aberturas de novas lojas e novos formatos de espaços comerciais. 

À Sonae pertence também o jornal “Público”, cujas contas consolidam no grupo, mas sobre o qual não foi possível obter informações relativas a números de funcionários ou salários médios. O jornal de referência, que celebra este ano 25 anos de existência, ainda contou com algumas participações de empresas estrangeiras no seu capital, mas há vários anos que integra a Sonaecom, sub-holding da Sonae dedicada à comunicação.

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