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João Semedo “Sou médico e isso permite olhar a doença com maior naturalidade”
“Já tinha decidido não continuar como deputado independentemente da doença que me afectou”

João Semedo “Sou médico e isso permite olhar a doença com maior naturalidade”

“Já tinha decidido não continuar como deputado independentemente da doença que me afectou” Ana Brígida Ana Sá Lopes 15/08/2015 19:57

Se a Europa não aceitar a reestruturação da dívida, João Semedo defende que se comece a preparar o plano B.

Esta entrevista foi feita por escrito, por razões óbvias. O carismático ex-coordenador do Bloco de Esquerda, João Semedo, reformou-se agora por doença e, neste momento, não fala. Está optimista e cheio de vontade de reaprender a falar, mas o processo será longo.

A doença não o impede de continuar a participar na vida do partido. Nesta entrevista ao i defende claramente uma posição que até agora não tem sido assumida pelo Bloco de Esquerda: se for rejeitada a reestruturação da dívida, é preciso começar a preparar a saída de Portugal do euro.

Lamenta que Carvalho da Silva não seja candidato à Presidência e tem dúvidas sobre o pensamento de Sampaio da Nóvoa e a sua ligação ao PS. Sobre o Livre, é duríssimo: “Se é para defender o mesmo que o PS, basta o próprio PS”. Rejeita usar o termo “capitulação” no caso da Grécia e acredita que, apesar das condições do terceiro resgate, é melhor um governo grego liderado pelo Syriza.

Podemos começar por falar da sua doença, que o obrigou a reformar-se e a abandonar o cargo de deputado?
Sim, podemos falar e começar esta entrevista pela minha doença. Sou médico e isso permite olhar a doença com maior naturalidade. Fui sempre muito claro, nunca escondi, nem fiz mistério e muito menos tabu sobre o que me aconteceu. A minha privacidade tem outras fronteiras ou muralhas que não a doença. E até por isso, pela forma como assumi e abordei publicamente o que se estava a passar comigo, quero registar com agrado a forma como a comunicação social não transformou em notícia a minha doença. Acho que isso traduz maturidade informativa e mais elevação nos critérios editoriais. Aproveito para aplaudir e agradecer, claro.

Como é que descobriu que estava doente?
Conta-se em poucas palavras. Em 2013, a seguir às autárquicas, foi-me diagnosticado um cancro numa corda vocal. Comecei a tratar-me no IPO, com um médico e uma equipa fantásticos, num servico (ORL) que é o retrato da excelência do SNS, apesar de tão maltratado por este e outros governos. Nessa altura fizeram o que se faz nestas circunstâncias: uma primeira cirurgia e radioterapia. A probabilidade de cura era esmagadora, 96%. Estive bem durante 2014, mas depois da convenção do Bloco, entre o Natal e o fim do ano, apercebi-me que estava do lado errado da estatística e que o tumor tinha reaparecido, a situação agravou-se muito e rapidamente. Fui novamente operado, no início deste ano, uma cirurgia que procurou ainda conservar alguma voz própria. Infelizmente também não resultou e voltei a ser operado em Junho, agora uma cirurgia mais radical que me deixou sem cordas vocais, sem laringe e sem falar.

Isso levou-o a sair do parlamento...
Estas limitações são irreversíveis, definitivas. Não tive outra alternativa e fiz o que todos os portugueses na mesma situação fariam. Deixei a Assembleia, pedi a reforma por doença, incapacidade, ao fim de 42 anos e 3 meses de descontos. Como o tempo correu depressa, ainda me lembro quando fui ao hospital São José levantar o meu primeiro ordenado de interno policlínico dos então Hospitais Civis de Lisboa.

Como está agora?
Estou agora bastante bem, bastante melhor, muito optimista e cheio de vontade de reaprender a falar, processo que será longo, como acontece com uma criança, se excluirmos a componente cognitiva e simbólica da aprendizagem da fala. Essa, acho que me posso dispensar de reaprender... Mas daqui a uns meses, julgo que já poderei fazer-me ouvir. E, claro, confio que esta última cirurgia tenha finalmente arrumado com o tumor. Olho para o futuro com essa perspectiva e essa confiança.

Vai participar na campanha do Bloco?
Tenho participado. Colaborei na redacção e coordenação do programa eleitoral do Bloco, tenho participado nalgumas reuniões sobre assuntos eleitorais variados. Mas, claro, a minha situação actual traz grandes limitações. Uma campanha é sempre muito exigente do ponto de vista físico e é sobretudo comunicação. Mas lá estarei nos comícios, nas arruadas, de bandeira na mão. E sempre disponível para ajudar em questões mais políticas.

Lembra-se do primeiro dia como deputado? Como foi?
Lembro-me perfeitamente e é fácil de perceber porquê. Foi a 8 de Março, dia mundial da mulher, é difícil esquecer. Até porque passei parte do dia a arrumar a secretária que o João Teixeira Lopes tinha deixado desarrumada...E lembro-me do primeiro dia de plenário, o dia seguinte, 9 de Março de 2006. Foi a tomada de posse de Cavaco Silva como Presidente da República, marcada por um indisfarçável contraste entre o colorido da cerimónia e o cinzentismo do Presidente. Ao longo destes anos, muitas vezes me lembrei desse dia e, sobretudo, dos motivos à data invocados por Cavaco Silva para se candidatar: “Ajudar a superar o ambiente de descrença e pessimismo da sociedade portuguesa”. Aconteceu exatamente o contrário: os portugueses estão hoje muito mais descrentes e pessimistas, atestando o completo fracasso da presidência de Cavaco.

Quem foram os primeiros amigos que fez na Assembleia?
Quando entrei no Parlamento reencontrei alguns deputados que conhecia há bastante tempo, outros de quem era mesmo amigo, claro, mais no meu grupo parlamentar, no grupo do Bloco. Do passado, o Bernardino Soares, o José Honório, o António Filipe, o Agostinho Lopes, por exemplo. Da actividade profissional, a Maria de Belém, o Pizarro. Do Porto, o Paulo Rangel, o Assis, o Alberto Martins e outros. No Parlamento, o trabalho mais frequente e próximo nas comissões acaba por facilitar as relações pessoais, mesmo entre deputados de grupos parlamentares adversários. Podem não ser exatamente relações de amizade no sentido que habitualmente damos à palavra e que inclui alguma partilha de afectos, de intimidade – é qualquer coisa entre isso e o reconhecimento de certas qualidade, respeito, consideração. Isso aconteceu-me na comissão de saúde, por exemplo, com a Teresa Caeiro, a Maria Antónia Almeida Santos, a Maria José Nogueira Pinto, a Regina Bastos. Espero que ninguém se melindre por algum esquecimento meu, mas foram muitos anos. As comissões de inquérito, que têm muitíssimas horas de trabalho, facilitam muito esse tipo de relações. Conheci aí alguns deputados com que me fui entendendo melhor, apesar das discordâncias, o José Eduardo Martins, o Pacheco Pereira, o Afonso Candal, o próprio Mota Amaral.

Vai sentir a falta da actividade parlamentar?
É natural que sinta, eu gosto de intervir, de discutir, de controvérsia. Já tinha decidido não continuar como deputado, independentemente da doença que me afectou. O grupo parlamentar do Bloco precisa de renovação. Aliás, é isso que vai acontecer agora, metade do actual grupo parlamentar do Bloco não será deputado na próxima legislatura. Tudo tem um fim e espero que, no futuro, o que fizer politicamente me ajude a não ter saudades do Parlamento. Como se costuma dizer, há mais vida para além do Parlamento.

Conte-nos como chegou ao Bloco de Esquerda.
Foi através do Miguel, do Miguel Portas. Durante alguns anos tivemos percursos diferentes mas mantivemos sempre uma grande proximidade pessoal e política. Através dele acompanhei a formação do Bloco e os seus primeiros anos. Até que, no final de 2003 ou já em 2004, ele procurou-me no hospital para saber se eu aceitaria ser candidato na lista encabeçada por ele ao Parlamento Europeu. E eu aceitei. Em 2005, ele e o Francisco [Louçã] falaram comigo para ser candidato nas legislativas e, no ano seguinte, como já disse, fui para o Parlamento, substituindo o meu amigo João Teixeira Lopes. O resto da história é conhecida, é pública.

Como é que se sente o ex-coordenador do Bloco de Esquerda ao ver a capitulação do seu partido-irmão, o Syriza, que aprovou um resgate duríssimo como o faria qualquer partido liberal ou social-democrata? Para que é que serviu ter votado Syriza na Grécia?

Capitulação é um excesso de linguagem. Este processo está longe de estar terminado e, como o próprio Syriza diz, o resgate não vai resolver qualquer problema, a não ser o dos bancos, quer gregos quer europeus. Vamos ver quais serão os contornos finais do resgate em discussão e até se vai haver acordo. Parece que os alemães querem apertar e sufocar ainda mais o povo grego. Digamos que vamos ter várias voltas até vermos e sabermos o resultado final, um balanço final. Agora, tenho consciência que as posições do governo grego diminuem a possibilidade de uma solução mais favorável, fragilizam a barreira que é necessário levantar e opor à pressão da ortodoxia financeira que comanda a zona euro e atrasam a afirmação de uma alternativa à austeridade e aos resgates. E isso não é bom. Mas abriu uma intensa discussão por toda a Europa, tornou a reestruturação das dívidas soberanas cada vez mais irrecusável e contribuiu para o isolamento dos ortodoxos da austeridade. Quem votou Syriza viu pela primeira vez um governo a defender os interesses das vítimas da austeridade, a bater-se pela dignidade de um povo e pelo direito a escolher o seu próprio caminho. Numa situação muito difícil, uma relação de forças muitíssimo desigual, essa estratégia não se impôs, não venceu. Mas nada ficou como dantes. E isso não é pouco.

O que a lição grega nos ensina é que este euro não permite políticas alternativas à austeridade. Havia planos para a Grécia sair do euro. Seria melhor para a Grécia sair do euro?

No que respeita à Grécia, ponho-me mais na posição de tentar aprender com o que se passou e está a passar do que dar lições sobre o que seria melhor ou pior para os gregos. Ficar ou sair do euro? Os gregos que escolham. Aprendemos ou confirmámos várias coisas. Na zona euro, qualquer alternativa à austeridade é “fulminada”. E aprendemos mais. Não se pode negociar com os credores sem uma alternativa na mão e sem uma forte convicção e disposição para a executar. O “bluff” é arma de casino, não resulta em política. E ensina, também, que a esquerda não pode contar nem confiar na “ajuda” dos socialistas, trabalhistas ou sociais-democratas. As posições de Renzi, Hollande ou do socialista holandês que preside ao Eurogrupo só ajudaram a senhora Merkel a encostar os gregos à parede. Aliás, esse é um dos pontos negros da política de António Costa, mais solidário com os partidos da sua família europeia do que comprometido e empenhado na construção de uma alternativa à austeridade e disposto ao confronto com os credores. António Costa foge a esse confronto e não vejo como se possa mudar a situação actual sem enfrentar a senhora Merkel e companhia.

O Bloco de Esquerda já vai dizendo que com esta moeda única há uma política única. Isto não é já meio caminho andado para se começar a defender a saída do euro, como já faz o PCP?

Julgo que a posição do Bloco é bastante clara: Portugal não tem condições para pagar a dívida nas condições impostas pelos credores. O serviço da dívida é brutal, esmaga a capacidade do Estado investir nas suas funções sociais e na economia que faz crescer o emprego. O país, as famílias, a economia, não param de empobrecer. A dívida tem de ser reestruturada para nos libertarmos desses juros. Se os credores recusarem, um governo responsável tem de preparar o país para uma alternativa fora do euro. Portanto não é meio caminho, é mesmo o caminho que defendemos.

Existe uma divisão no BE sobre isto?

Não creio que haja qualquer divisão. A posição do Bloco tem evoluído a partir de contributos muito diversos e em função do desenvolvimento da própria política europeia e dos seus desgraçados resultados. Aliás, cada vez mais gente reconhece que, a continuar assim, a União Europeia não tem futuro. Esse debate vai ter de continuar e o Bloco não estará fora dele. Independentemente do projecto inicial e das intenções dos seus fundadores, a União Europeia hoje trata as políticas de esquerda como um corpo estranho que rapidamente é excluído. A esquerda não pode ignorar isto, pelo contrário, precisa de reflectir sobre isso e retirar dessa reflexão todas as consequências estratégicas. Muito do futuro passa por essa reflexão.

Depois do derrota da Grécia, o eleitorado não tenderá a olhar para o Bloco como um partido que jamais poderá implantar as suas políticas, como aconteceu com o Syriza?

Na transformação social e política nada é fácil. Nem aquilo a que a Ana chama derrota da Grécia é definitivo, como já disse. É preciso acumular forças para mudar a relação de forças a favor da mudança. É preciso combater e derrotar a direita e disputar a hegemonia política que os socialistas vão dispondo em certos sectores sociais. Não vejo outro caminho.Tudo o que se tem passado em torno da dívida grega, tudo o que o Syriza trouxe de novo à construção de uma alternativa – apesar da evolução registada até ao momento – criou melhores condições para aqueles que em Portugal e na Europa se batem contra a austeridade, contra as troikas. Estamos melhor hoje com o Syriza no governo do que antes. Com mais Syrizas, os portugueses percebem que seria mais fácil vencer a austeridade e os credores. Há objectivos difíceis mas não há impossíveis. Antes da vitória do sim, poucos acreditavam que a despenalização do aborto viesse a ser uma realidade. Mas foi. 

O BE não se pode tornar, depois do que aconteceu na Grécia, um voto inútil?

Penso exactamente o contrário. É fácil de perceber que os gregos estariam muito pior se não fossem governados pelo Syriza. A situação da Grécia não é da responsabilidade do Syriza mas sim de quem governou antes do Syriza. E, apesar de tudo, da chantagem, das pressões, das dificuldades, o governo do Syriza já tomou várias medidas de enorme alcance social, em favor dos mais atingidos, que outro governo jamais tomaria. O voto no Bloco é útil porque dá força aos que querem acabar com a austeridade, com o corte nos salários e nas pensões, que querem políticas de emprego e serviços públicos a funcionar, para reforçar a disputa com os credores e com as instituições internacionais, para lhes bater o pé em defesa de uma reestruturação da dívida que nos deixe iniciar uma política diferente da actual. Há duas grandes mudanças que podemos alcançar nas próximas eleições: correr com Passos Coelho e Portas e alargar o espaço eleitoral e a representação parlamentar à esquerda do PS. São, na minha opinião, os maiores factores para uma viragem à esquerda no futuro próximo em Portugal. Essa é a grande utilidade do voto no Bloco. E o Bloco saberá fazer bom uso dele na construção de uma alternativa de esquerda.

Foi coordenador do Bloco em conjunto com Catarina Martins. O que falhou na direcção bicéfala?

Não gosto de ser juíz em causa própria, mas é claro que fiz um balanço sobre a coordenação a dois com a Catarina. Mas já que pergunta, direi apenas duas coisas: primeiro, julgo que o modelo foi muito atacado porque era a forma mais directa e incisiva de atacar o Bloco. Isto é um clássico de qualquer manual de ciência política: a melhor forma de enfraquecer um partido é atacar a sua direcção, os seus principais dirigentes. E o Bloco, depois da perda eleitoral de 2011, ficou debaixo de fogo cerrado, os nossos adversários não perderam a oportunidade. A segunda coisa que direi é que, no balanço que faço – e partilhado por outros bloquistas – é que uma liderança a dois dificulta a comunicação política, é muito diferente do modelo a que as pessoas estão habituadas, a percepção das pessoas está muito rotinada noutra forma. Isso tornou mais difícil a afirmação daquela solução.

Há mais de uma dúzia de anos o Bloco prometeu contaminar o PS. E hoje como está esse PS? Nessa medida, o Bloco falhou?

E contaminou, mas não o suficiente. Basta ver quantas propostas o PS aprovou por iniciativa do Bloco, se quiser por pressão do Bloco.

O Bloco deve apoiar o candidato presidencial Sampaio da Nóvoa?

Depois das legislativas decidiremos. Mas parece-me mais provável que haja um candidato próprio do Bloco, militante ou independente, capaz de mobilizar os que se batem por políticas claras e coerentes de combate à austeridade, aos credores e à Europa dos mercados. Mas uma decisão depende de muitos factores que ainda não são totalmente conhecidos.

O que pensa de Sampaio da Nóvoa?

Como candidato? Acho que teve um arranque algo precipitado, isto é, sem ter estabelecido algumas definições políticas prévias que se traduziram depois nalguns equívocos, dos quais me parece ainda não se ter libertado completamente. Talvez o mais flagrante seja a sua relação com os partidos, muito especialmente com o PS, demasiado dependente. Também me parece pouco claro o discurso sobre a Europa e a forma como vê o exercício da Presidência.

Carvalho da Silva deveria ter avançado? Francisco Louçã seria um bom candidato para o Bloco de Esquerda?

Eu gostaria que Carvalho da Silva tivesse avançado mas não foi essa a sua decisão. Até hoje não vejo nenhum candidato ou pré-candidato que traga para as eleições presidenciais o património de luta e de ideias que Carvalho da Silva representa e defende. Isso empobrece a disputa política. Sobre o Francisco Louçã, recordo que já foi candidato e um óptimo candidato. Numa campanha muito difícil, obteve um resultado muito razoável. Não duvido que seria um bom candidato mas sei que isso não está nos seus planos nem do Bloco.

Acha possível o PS vencer as eleições? Que avaliação faz de António Costa? 

Sobre António Costa direi apenas que o programa eleitoral apresentado pelo PS é frustrante para quem entenda que o PS pode ter algum papel numa ruptura com as políticas do passado. É um programa que anuncia uma atitude frouxa e envergonhada com quem precisamos de ser mais consequentes e determinados: os mercados, os grupos financeiros, o patronato, a Comissão Europeia. Uma vitória do PS não mudará o que mais faz falta mudar. Mudar o que conta só com uma grande votação no Bloco, uma grande votação à esquerda do PS.

Dissidentes do Bloco fizeram novos partidos. O Livre vai dividir o eleitorado tradicional do Bloco?

Durante muito tempo anunciou-se uma “revolução” no mapa partidário e na sua expressão eleitoral, a partir da multiplicação de novos partidos que não paravam de se constituir. Julgo que esse anunciado terramoto não saiu das páginas dos jornais. Foi uma novidade que se esfumou muito depressa. É uma evidência a dificuldade de afirmação desses partidos que, na verdade, são mais organizações constituídas para concorrer a eleições do que partidos políticos. Um partido político tem de ter raízes mais sólidas na sociedade e tem de ter uma intervenção mais presente e global, um projecto mais sólido e articulado do que esses novos partidos apresentam. Julgo que também há um problema de credibilidade. Alguém imaginaria ser possível reunir no mesmo barco o Gil Garcia, a Joana Amaral Dias e o José Manuel Coelho? É afundanço pela certa. O Livre está refém do objetivo que definiu: entender-se com o PS para que o PS possa governar.Toda a sua proposta política se subordina a esse objetivo. E portanto vai deixando cair sucessivas posições em função do que o PS e António Costa vão dizendo, eliminando as zonas de conflito programático que possam comprometer o desejado acordo com o PS. Aliás é visível que isso está a criar dificuldades, atritos, divergências. Nas questões europeias, ou na resposta à evolução dos acontecimentos na Grécia, isso é particularmente evidente. António Costa recusa a disputa com os credores, não quer qualquer confronto com os chamados parceiros europeus e, ainda recentemente, para que não subsista qualquer dúvida, rejeitou a reestruturação da dívida como saída. Não se ouve uma palavra crítica ou de contestação por parte do Livre, do seu primeiro candidato, o Rui Tavares. É como se o PS não tivesse programa, é como se António Costa não dissesse ao que vem. Se é para defender o mesmo que o PS, basta o próprio PS.

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