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Café Central. Em Alvor fala-se inglês e pede-se um english breakfast
Mais central que este café só se estivesse em cima de uma rotunda

Café Central. Em Alvor fala-se inglês e pede-se um english breakfast

Mais central que este café só se estivesse em cima de uma rotunda Clara Silva (Texto e Fotografias) 14/08/2015 15:37

Poiso de ingleses e irlandeses, os turistas parecem ter medo das lulinhas no Central Café e optam pelos pratos que já conhecem, aqui com ingredientes frescos. E pelas canecas de cerveja, claro.

Central Café em vez de Café Central? É à inglesa, até porque aqui, mais do que sumo de laranjas de Silves espremidas logo pela manhã, bebem-se canecas de cerveja quando o sol ainda está a aquecer. No Central Café de Alvor (diz-se em Alvor e não no Alvor, aprendemos pelo caminho), o sotaque é britânico e grande parte dos clientes são “ingleses e irlandeses”, explica-nos o dono, David Conceição.

Não que precisássemos de grandes explicações. Basta olhar para a esplanada para perceber que os portugueses estão em minoria, embora em Agosto a coisa mude de figura e chegue “muita malta de Lisboa e do Porto”. Ainda assim, em vez de uma desenxabida torrada e um galão, aqui há que mudar de dieta (ou esquecer a dieta) e pedir o afamado english breakfast.

CONCORRÊNCIA DE PESO

“É o melhor de Alvor”, diz David sem modéstias, já que os ingredientes são todos frescos e é ele próprio a ir às compras todos os dias de manhã. Ovos, bacon fumado, salsichas… Uma concorrência de peso aos pequenos-almoços dos muitos hotéis, apartamentos e pensões que brotam como cogumelos (também os pode pedir ao pequeno-almoço) nas redondezas. 

Aqui não há horas certas para tomar o tal english breakfast (a 7,90 euros). Estamos de férias e não há pressas nem horários. Se acordar às cinco da tarde também lhe servem, e se quiser jantar um english breakfast não vamos ser nós nem eles a julgá-lo. 

CORRE MAL

O Central Café abriu no espaço de uma antiga loja de artesanato há quatro anos e ainda experimentou ter ecrãs na esplanada para passar os jogos na altura do Europeu. David depressa desistiu da ideia quando as coisas começaram a correr mal para a equipa inglesa. “Instalava-se aí uma grande confusão e tirei a parte dos desportos”, recorda. “Os irlandeses e os ingleses, quando bebem… corre mal. E estava a prejudicar quem se queria sentar, as famílias com as crianças que costumam vir para aqui.”

Campeonatos passados, e a julgar pela quantidade de gente sentada na esplanada, o Central Café é O sítio para estar no centro de Alvor, debaixo de grandes chapéus patrocinados por uma marca de cerveja que também não é portuguesa. David admite que o nome do café “pode ser uma grande falta de imaginação”, mas de facto não havia grande volta a dar.

BIFES, TAMBÉM NA PEDRA

Mais central que este café só se estivesse em cima de uma rotunda. Até fica perto de uma praça de táxis e é frequente ver taxistas espreitar o resultado de algum jogo nas televisões. Nas redondezas, a habitual confusão de insufláveis de praia e lojas de souvenirs que fazem a paisagem do centro da vila. 

Falando em bifes, também o bife na pedra se tem tornado uma especialidade da casa. O menu é vasto e recebeu influências das muitas viagens que David foi fazendo nos últimos tempos. “Se fosse pela conversa de amigos, estava a vender cafés e pastéis de nata”, conta David. Mas quis ir mais longe e servir, por exemplo, wraps, sandes de salmão ou mango lassi. “Fomos o primeiro sítio a servir sandes de salmão em Alvor”, garante. “Há uns quatro ou cinco anos, uma pessoa queria comer uma sandes dessas e não havia.”

Hambúrgueres, pizzas e massas costumam ser bestsellers entre estrangeiros, mas também há pratos típicos algarvios, alguns por encomenda com um dia de antecedência, feitos pela própria mãe de David, como a caldeirada à algarvia ou o arroz de lingueirão da ria de Alvor. 

“Os estrangeiros normalmente pedem os pratos que já conhecem porque se olharem, por exemplo, para umas lulinhas, o prato visualmente não é muito apelativo”, conta. E já aprendeu alguns truques. Em vez de mostrar um robalo inteiro, “com cabeça”, o ideal é servir um “filet de robalo” para inglês ver e comer. 

Além do Central Café, David também gere uma imobiliária e há uns meses abriu a Vintage Wine & Tapas, uma garrafeira que também faz provas de vinhos e serve queijos e enchidos. “Abri uma garrafeira há 20 anos, mas desde o 11 de Setembro que os turistas já não podem levar bebidas no avião e tive de arranjar outro conceito”, explica. É assim, aqui é o turismo que manda.

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