19/7/19
 
 
José Cabrita Saraiva 14/08/2015
José Cabrita Saraiva
Opiniao

jose.c.saraiva@newsplex.pt

O primeiro-ministro não é um homem comum

Enquanto Sócrates há um ano passou férias no Pine Cliffs Resort, em Albufeira, com o filho, Passos contenta-se com a muito mais prosaica praia da Manta Rota.

Podemos ou não julgar um político pelo seu estilo de vida? A questão não é pacífica. Há quem ache que a vida de cada qual só ao próprio diz respeito, mas é evidente que há uma imagem que se passa para o exterior através dos hábitos mais faustosos ou, pelo contrário, mais austeros.

E a imagem que Pedro Passos Coelho tenta passar, talvez por oposição ao seu antecessor, é a de um homem comum, com gostos extremamente simples. Enquanto Sócrates vivia num luxuoso apartamento (a famosa casa do edifício Heron Castilho, que de certo modo se tornou um símbolo da sua opulência) e, mais tarde, em Paris, Passos habita recatadamente na Reboleira, um bairro da periferia que não é propriamente conhecido pelo seu prestígio.

Enquanto Sócrates há um ano passou férias no Pine Cliffs Resort, em Albufeira, com o filho, Passos contenta-se com a muito mais prosaica praia da Manta Rota, onde tenta, com algum sucesso, passar despercebido no meio da multidão.

Oprimeiro-ministro sabe que, se exigiu grandes sacrifícios aos portugueses, seria de muito mau tom ostentar sinais exteriores de riqueza. Mas leva esse princípio a um extremo quase franciscano que ninguém se atreveria a pedir-lhe.
Em certo sentido, Passos quer provar que é um homem comum – se é que quer provar alguma coisa.

Mas, ao fazer aquilo que nenhum outro na sua posição faria, acaba por mostrar precisamente o contrário: que é uma excepção. Porque o homem comum, o português médio, se fosse primeiro--ministro jamais se satisfaria de forma tão simples.

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