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Legislativas. Cartazes tramam Costa. A polémica não larga o PS
Este foi o primeiro cartaz a gerar polémica. “Parece um outdoor de testemunhas de jeová”, diz João Coutinho

Legislativas. Cartazes tramam Costa. A polémica não larga o PS

Este foi o primeiro cartaz a gerar polémica. “Parece um outdoor de testemunhas de jeová”, diz João Coutinho José Fernandes José Paiva Capucho 08/08/2015 18:39

A semana foi marcada por dois outdoors polémicos dos socialistas. Cartazes sobre o desemprego vão continuar. “A campanha está em movimento”.

“Estou triste, é um desvio completo pela leitura política que hoje corresponde a uma realidade, e não devemos brincar com isto.” Éassim que fonte da candidatura do PS confessa ao i o estado de alma da campanha socialista depois de ontem terem sido divulgados nas redes sociais novos cartazes que ilustram diversos desempregados dos últimos cinco anos. A chuva de piadas chegou rapidamente depois de Tiago Barbosa Ribeiro, da concelhia do PS/Porto, ter divulgado as novas imagens no Twitter. Numa delas, uma desempregada desde há cinco anos, tempo em que José Sócrates era primeiro-ministro.

Mas, segundo o partido, estas mesmas imagens fazem parte de uma micro campanha especial sobre a taxa de desemprego, divulgada peloInstituto Nacional de Estatística (INE). O segundo foco polémico desta semana para o principal partido de oposição. A verdade é que na próxima segunda-feira o PS marcou uma conferência de imprensa para os jornalistas de apresentação da estratégia eleitoral. Os outdoors com o lema “Não brinquem com os números, respeitem as pessoas”, é mesmo para continuar. A confirmação chegou ao i de outra fonte do PS:“a campanha está em movimento, até o último cartaz já está decidido”.

Seguristas não perdoam Um dos homens fortes do ex-secretário-geral do PS António José Seguro, e que ficou arredado das listas de candidatos, António Galamba, utilizou novamente as redes sociais para criticar António Costa.“Tanto disparate, para quem se apresentou como valor seguro para conquistar uma maioria absoluta para o PS, quase com um estalar de dedos, está tudo a ser feito para a obtenção de um resultado no sentido oposto”. Contra a propaganda socialista, Galamba diz que “mais vale não fazer nada”, e que, por fazer muito “ruído”, não vai “capitalizar o PS para as sondagens”.

Defensor de uma “robusta maioria” nas próximas legislativas, o segurista esclarece ao i que “é estranho que a avaliação política das mensagens não seja devidamente ponderada”. E acrescenta: “quem no passado intervinha no plano das redes sociais, agora não esgota a ponderação do potencial viral negativo de um cartaz”, diz. Mas Galamba não foi o único. Odeputado socialista RuiPaulo Figueiredo  considerou “surreal” os novos outdoors na sua conta do Twitter, e MiguelLaranjeiro, outro dos homens fortes de Seguro, apesar de não comentar no seu Facebook a polémica, deixou uma exigência a Costa: “as próximas sondagens certamente que darão uma subida robusta do PS e uma derrocada da coligação de direita”. 

Direita aproveita Rapidamente algumas figuras da coligação reagiram. “Não sei o que se passará lá peloLargo doRato, mas que de cartaz em cartaz parece que estão mais desorientados, parece”, escreveu na sua página de Facebook, Nilza de Sena, a cabeça de lista por Beja da coligação.  Duarte Marques, outro dos políticos que mais dá uso às redes sociais, disparou nova bala: “ ao menos nisto confessam. Parabéns ao PS pela rectidão, pela coragem e pela mea culpa.Ou terá sido engano?”, chutou.

Fora do mundo político, pedimos ao director criativo da agência Grey Nova Iorque João Coutinho, para desconstruir este início de campanha socialista. “Quando vi os primeiros achei que era uma brincadeira, parece um outdoor de testemunhas de Jeová, do ponto de vista visual é assustador, parecia uma ‘lavagem cerebral’ à população”. Sobre a segunda vaga, “os números não batem certo”, e , segundo o criativo, revelam “uma tremenda falta de profissionalismo e seriedade”.

Nega que algum dia irá fazer uma campanha política, e remata: “as pessoas sérias resultam e são respeitadas, acima de qualquer outdoor”. Já o politólogo Carlos Jalali, menos crítico, prefere esperar até Setembro: “é demasiado cedo para dizer se isto será um problema, quando as caravanas estiverem na rua, vamos perceber se isto foi sintoma da estratégia do PS”, remata o professor universitário. Agora leitor, a única solução será passar pela rua e fazer o seu próprio julgamento. Mais? Só segunda-feira. 

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