23/8/19
 
 
Rui Miguel Tovar 29/07/2015
Rui Miguel Tovar
Desporto

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Platini, o futebol dos pés à cabeça

Falhado o objectivo do Euro-92, Platini afasta-se definitivamente dos relvados e entra no gabinete do futebol com fato e gravata. 

© Patrick B. Kraemer/AP

Robert Guérin, Daniel Woolfall, Jules Rimet, Rodolphe Seeldrayers, Arthur Drewry, Stanley Rous, João Havelange e Sepp Blatter. Oito nomes, oito presidentes da FIFA em 111 anos de história. Nenhum deles joga à bola, nenhum deles respira futebol. Até...

Até chegar Platini, Michel Platini. Campeão da 2.ª divisão francesa pelo Nancy (1975) e da 1.ª pela Saint-Etienne (1981), transfere-se para Itália, onde ganha tudo. Ou quase tudo, só lhe falta a Taça UEFA. De resto, é scudetto, Coppa, Taça dos Campeões, Taça das Taças, Supertaça Europeia e Taça Intercontinental. Na selecção francesa, é rei e senhor daquela equipa mágica do Euro-84 (cinco jogos, cinco vitórias, uma delas com Portugal, nas meias-finais).

Pendura as chuteiras mas não se afasta do relvados. É o seleccionador francês a caminho do Euro-92. Ganha todos os jogos da qualificação, num grupo com a Espanha (ainda a da fúria, logo muito espalhafatosa e pouco eficaz), e depois cai na fase de grupos sem uma vitória. O seu ataque reúne duas figuras do arco da velha: Papin e Cantona. Aliás, Platini é dos poucos a domar o feitio irascível de Éric.

Falhado o objectivo do Euro-92, Platini afasta-se definitivamente dos relvados e entra no gabinete do futebol com fato e gravata. É co-organizador do Mundial-98, depois vice da UEFA, a seguir presidente da UEFA e agora candidato à sucessão de Blatter na FIFA. Faz falta um homem da bola na FIFA. Há cento-e-tal-anos que faz falta. Por uma questão de lógica e bom senso. Ei-lo agora, ao vivo e a cores. Não quer isso dizer que seja um homem consensual. Longe disso. Platini tem muitos anti-corpos.

A começar por algumas ideias apresentadas recentemente: o cartão branco (para quem discute com o árbitro, 10 minutos de suspensão), cinco substituições (duas ao intervalo e três no decorrer do jogo) e árbitros de todas as idades. Admitimos, sem rodeios: gostávamos mais dele há uns tempos, quando sugere o cartão vermelho para as entradas por trás e proíbe os guarda-redes de tocar a bola com as mãos num atraso de um companheiro de equipa. Isto sim, são ideias revolucionárias. Que seja mais interventivo que inventivo e tudo lhe correrá a favor. A ele e a todos nós.

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