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This is the end. O adeus às armas parlamentares de 11 históricos

This is the end. O adeus às armas parlamentares de 11 históricos

Ana Sá Lopes 29/07/2015 14:11

Chegou ao fim a carreira política de vários deputados. Maria de Belém sai mas o rumo é a Presidência. Outros abandonam para sempre o velho palácio de São Bento.

Passos Coelho pegou no seu livro “Mudar” e vetou a continuação de João Bosco Mota Amaral nas listas do PSD-Açores. Passos não é conhecido por ser magnânimo e o fundador do PSD tinha feito duras críticas ao governo. Mas quem foi o todo-poderoso chefe do governo regional dos Açores durante 20 anos – e Presidente da Assembleia da República depois – não estava para se conter. Ao i, Mota Amaral recusa-se a falar do processo: “O processo decorreu nas condições que toda a gente sabe. Fui excluído e ponto final. E não digo mais nada”.

Depois da mágoa, o silêncio. Era evidente que Mota Amaral gostaria de continuar no parlamento – onde entrou pela primeira vez antes do 25 de Abril como deputado eleito nas listas do partido único do anterior regime. O ex-presidente da Assembleia da República deu uma entrevista ao “Correio dos Açores”, antes da reunião decisiva para a escolha do cabeça de lista para a Região Autónoma, afirmando-se “de boa saúde e com muita energia”, e lembrando que “não há limite de idade para o exercício de cargos políticos” e muito menos limites de mandatos para deputados.

Ao “Correio dos Açores” Mota Amaral defendeu que a sua reeleição seria importante, nomeadamente porque na próxima legislatura haverá uma revisão constitucional e “posso contribuir para esses debates, a benefício da experiência adquirida e das capacidades acumuladas”.

“Acumulei conhecimento e autoridade vantajosos. E vão ser bem necessários para fazer face aos apetites centralistas, sempre prontos a ressurgir”, disse Mota Amaral ao jornal da ilha de São Miguel.

Antes disso, um grupo de mais de 2000 açorianos assinou uma petição a pedir que Mota Amaral continuasse a ser cabeça-de-lista pelos Açores. Chamava-se “movimento cívico “Apoio Mota Amaral” e acreditou até ao fim que o PSD iria voltar atrás na sua decisão de pôr Berta Cabral, ex-líder do PSD Açores (que perdeu as eleições para o PS) à frente da lista, afastando o líder histórico. A assinar o manifesto de apoio à recondução de Mota Amaral como cabeça-de-lista estavam o antigo líder do PSD/Açores Manuel Arruda, o histórico social-democrata que presidiu à Assembleia Legislativa Regional Reis Leite e outros dois ex-presidentes da Assembleia Legislativa Regional dos Açores, estes socialistas, Dionísio de Sousa e Fernando Menezes. “O que esperamos é que o PSD seja sensível a esta grande manifestação de apoio ao dr. Mota Amaral”, disse na altura à Lusa o porta-voz do Movimento Cívico “Apoio Mota Amaral”, Pedro Nascimento Cabral.

Mas o PSD não foi sensível. Mota Amaral terá a oportunidade da sua secreta vingança se o PSD, que nunca mais foi o mesmo nos Açores desde que ele abandonou o governo regional, se espalhar ao comprido nas legislativas. O PS candidata o presidente do partido, Carlos César, ex-presidente do Governo Regional dos Açores, e Berta Cabral perdeu as eleições regionais para Vasco Cordeiro, o sucessor de César no governo.

Mota Amaral que entrou no parlamento quando ainda se chamava Assembleia Nacional pela primeira vez – formando parte da Ala Liberal onde pontificaram Francisco Sá Carneiro e Pinto Balsemão – é o caso mais polémico dos excluídos. Outros não regressam por razões diferentes: João Semedo, ex-coordenador do Bloco de Esquerda, decidiu reformar-se por motivo de doença, embora não abdique de continuar a intervir no Bloco. Luís Fazenda, fundador do Bloco, também cedeu o lugar aos mais novos. Maria de Belém não quis ser candidata em lugar elegível com os olhos na Presidência da República – candidatura que deverá anunciar a seguir às eleições – enquanto Assunção Esteves, actual presidente do Parlamento, decidiu fazer uma pausa na política.

Miguel Macedo é outro caso: o histórico social-democrata foi obrigado a demitir-se de ministro da Administração Interna por causa do envolvimento no caso dos vistos gold, voltou ao parlamento, mas foi sol de pouca dura. Acabou por perder a imunidade parlamentar e ser constituído arguido no caso. Ficou fora das listas.

Outros históricos como Guilherme Silva – desde tempos imemoriais a voz principal da Madeira na Assembleia da República – saem agora. Lídimo representante de Alberto João Jardim no continente, Guilherme Silva abandona o parlamento em simultâneo com a saída de Jardim da primeira linha da política activa.
Alberto Costa, histórico socialista, também foi excluído da lista de deputados do PS. António Costa quis minimizar o número de candidatos que associassem o partido a Sócrates e Alberto Costa foi uma das vítimas.

O mesmo destino teve o histórico deputado José Lello, amigo próximo de Sócrates e que sempre o defendeu no processo judicial que está em curso. No entanto, Costa não afastou todos os socráticos: Renato Sampaio e Edite Estrela, apoiantes da primeira hora de Sócrates, no tempo que eram só cinco, estão nas listas do PS. 
Mendes Bota também abandona o parlamento. Aliás, já tinha abandonado: o outrora todo-poderoso líder do PSD/Algarve, foi agora trabalhar com Carlos Moedas para Bruxelas.

José Ribeiro e Castro, fundador do CDS, e ex-líder do partido durante um intervalo de Portas (a seguir a 2005 quando Portas se demitiu de líder em sequência dos resultados eleitorais) despede-se também agora do parlamento. Na despedida, disse que se sentia “livre como um passarinho” ao abandonar um sistema partidário que considera “doente”. Depois de muitas críticas ao seu próprio partido, decidiu renunciar ao mandato, rejeitando colocar a hipótese de ser candidato.

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