14/8/20
 
 
Carlos Fiolhais 24/07/2015
Carlos Fiolhais

opiniao@newsplex.pt

Há outras Terras

Uma das Áreas mais excitantes da ciência contemporânea é a procura de vida extraterrestre. Há poucos anos era ficção científica. Hoje é ciência. Vida de qualquer forma, mas também eventualmente vida inteligente. Andamos à procura de ET. Uma das maneiras de procurar indícios de vida longe daqui consiste em detectar planetas extra-solares que se pareçam com o nosso. A Terra está à distância certa do Sol para albergar vida: dizemos que é um planeta habitável. Até hoje já conseguimos registar cerca de 2 mil planetas extra-solares, todos eles na nossa galáxia.

A missão Kepler da NASA, há seis anos a enviar dados, consiste num telescópio espacial que consegue registar a passagem de um planeta diante de uma estrela, verificando a diminuição da luz desta (como num eclipse do Sol). Cerca de metade dos planetas extra-solares conhecidos foram fotografados pela Kepler. Agora acaba de ser anunciada a descoberta de mais 500, que naturalmente terão de ser confirmados. O mais notável, pelo menos para nós, por se parecer mais com o nosso, é o Kepler-452b. Está praticamente à mesma distância da sua estrela que a Terra está do Sol e além disso tem uma massa cerca de cinco vezes maior do que a da Terra. Mas há mais: a estrela à volta da qual o Kepler-452b orbita é muito parecida com o Sol, embora um pouco mais velha. Os dados não permitem saber se o novo planeta terá água, que associamos à vida, pelo que o mistério da vida extraterrestre vai continuar a pairar.

O eventual irmão gémeo da Terra está longe, mas não muito: à velocidade da luz demorar-se-ia 1400 anos a chegar lá – nada comparado com os 100 mil anos que demora ir de uma ponta à outra da galáxia. Em Portugal, apesar do aperto da ciência nos últimos anos, vários astrónomos têm-se distinguido na caça de planetas extra-solares. Como cientistas de todo o mundo, também eles estão contentes com esta nova descoberta. Outras decerto se vão seguir. Estamos mesmo interessados em saber se estamos sozinhos no espaço. Provavelmente não estamos. Pelo menos é grande a probabilidade de existir vida, na forma que conhecemos ou noutra, no nosso vasto cosmos.

Professor de Física da Universidade de Coimbra

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