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Reclamações da banca aumentam com BES e Novo Banco
Créditos à habitação e ao consumo são os principais alvos de queixa

Reclamações da banca aumentam com BES e Novo Banco

Créditos à habitação e ao consumo são os principais alvos de queixa Helena Poncini Sónia Peres Pinto 22/07/2015 15:39

Só nos primeiros três meses do ano, os clientes fizeram mais de 8200 queixas das instituições financeiras.

Questões relacionadas com o Banco Espírito Santo (BES) e com o Novo Banco contribuíram para aumentar o número de reclamações dos clientes, tornando a banca um dos sectores com mais queixas por parte dos portugueses. Só nos primeiros três meses do ano, a Associação Portuguesa de Defesa do Consumidor (DECO) recebeu mais de 8200 queixas e, em 2014, foi alvo de quase 25 mil reclamações, ocupando o quarto lugar do ranking das queixas, revelou ao i fonte da entidade.

“Assistimos a um aumento muito grande de queixas de clientes do BES que tinham comprado acções depois de terem recebido informações de que o banco estava numa situação estável e de consumidores que tinham adquirido títulos de maior risco sem terem consciência do risco que tinham, porque tinham sido aconselhados pelos gestores de contas para investir nesses produtos”, explicou ao i a jurista da associação Joana Parracho. Na sequência destas reclamações, a DECO avançou com duas acções em tribunal.

Também a passagem das contas bancárias e de alguns investimentos do BES para o Novo Banco motivaram “muitas reclamações e pedidos de informações”, e nos últimos meses, os números de queixas aumentaram com a instabilidade vivida no Montepio, “com os consumidores a terem muitas reclamações e dúvidas em relação aos investimentos mutualistas”. 

Mas as queixas da banca não ficam limitadas a estas instituições financeiras. Questões relacionadas com o crédito à habitação e ao consumo são os principais alvos de reclamações e mantêm-se de ano para ano. “Há muitas informações que não são prestadas pelos bancos no momento da realização do crédito à habitação, nomeadamente penalizações quando assistimos a alterações de titularidade do empréstimo, ou de spread quando o cliente deixa de ter associado um determinado produto”, refere a jurista.

Já no crédito ao consumo, a insatisfação dos consumidores, mais uma vez, deve-se à falta de informação prestada pelo banco. “Este tipo de crédito cobra geralmente taxas de juro muito elevadas e quando o cliente está a pagar a mensalidade não tem a noção de que metade desse valor é para pagar juros e imposto de selo. Ou seja, não está amortizar todos os meses o crédito e, em vez de pagar o empréstimo em dois ou três anos, acaba por ficar a pagar durante cinco ou seis anos”, alerta. 

Quanto aos cartões de crédito, as reclamações dizem geralmente respeito aos movimentos indevidos em caso de furto ou roubo do cartão.
 
Seguros Também o sector dos seguros não fica alheio a estas reclamações. A DECO recebeu mais de 3500 queixas no primeiro trimestre deste ano e no ano passado atingiram quase as nove mil. “Os seguros multirriscos habitação, os de vida e os de protecção de crédito são os produtos que têm dado origem a mais descontentamento”, diz Joana Parracho. 
De acordo com a responsável, é frequente existirem nestes produtos muitas restrições e exclusões de muitas coberturas, o que leva aos clientes a questionarem-se porque “estão a pagar um seguro que depois de nada serve”.

Esta situação ganha mais relevo no caso do seguro de protecção ao crédito. “Os clientes são informados de que a seguradora paga todos os créditos se ficarem desempregados, mas as companhias não informam que não assumem essas dívidas se o consumidor tiver um contrato a termo certo”, conclui.

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