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Empresas dilatam prazos de pagamento para se financiarem

Empresas dilatam prazos de pagamento para se financiarem

jornal i 20/07/2015 17:27

As empresas localizadas nos mercados emergentes recebem o pagamento cinco dias mais tarde que as suas congéneres em países economicamente mais avançados

As empresas têm vindo a dilatar cada vez mais os prazos de pagamento dos bens e serviços adquiridos como forma de financiarem o crescimento do respectivo negócio a nível mundial. Esta é uma das conclusões do estudo da seguradora de créditos Euler Hermes, accionista da Cosec.

De acordo com o mesmo documento, a cadeia de pagamentos a nível mundial está “a sofrer pressões crescentes devido não só ao aumento do número de dias que as empresas demoram a pagar os bens e serviços adquiridos, mas também pelos enormes desafios provocados pelo abrandamento económico nos mercados emergentes e pela expansão nas economias avançadas”.

“Os dados sugerem que as empresas continuam a depender do aumento dos prazos de crédito já que, globalmente, não registamos qualquer redução no número de dias de pagamento”, refere a seguradora, que analisou o período de tempo entre a disponibilização de um produto e o dia do pagamento efectivo desse bem, denominado Prazo Médio de Pagamento (PMP) e considerado um “indicador da boa saúde das empresas e da potencial existência de dificuldades financeiras ao longo da cadeia de distribuição”.

Segundo o estudo, as empresas localizadas nos mercados emergentes recebem o pagamento cinco dias mais tarde que as suas congéneres em países economicamente mais avançados, quando em 2007 recebiam 10 dias mais cedo.

Neste contexto, “as empresas têm de redobrar os cuidados para antecipar sinais de problemas de tesouraria por parte dos seus clientes nos países emergentes”.

No geral, a seguradora antecipa que o PMP nos mercados emergentes vai aumentar para os 69 dias em 2015, com a Rússia, China e Brasil a liderarem no “deslize” de número de dias.

No caso da China, o PMP aumentou 22 dias entre 2007 e 2015, sendo que a Euler Hermes atribui esta situação ao facto de as empresas chinesas terem vindo a procurar clientes internacionais, concedendo-lhes crédito como forma de angariação de negócio, a que se junta o facto de estarem a sofre as consequências do abrandamento económico do país e a transferir a "tensão de tesouraria" para os seus fornecedores e clientes.

Por outro lado, refere, o crédito interempresas “tornou-se uma das principais formas de financiamento, já que o acesso a crédito através dos bancos ou por recurso ao sistema financeiro paralelo está cada vez mais dificultado desde o ano passado”.

Já nas economias mais avançadas, o relatório da Euler Hermes estima que o PMP diminua para os 64 dias em 2015 (65 em 2014), “acompanhando a recuperação económica no sentido em que as empresas nestes mercados estão, novamente, a gerar dinheiro, permitindo o pagamento mais célere de facturas”.

Das conclusões do estudo resulta ainda que as empresas italianas continuam a ser pagas de forma muito lenta (99 dias), 33 dias acima da média mundial, enquanto as empresas chinesas e as indianas são pagas, em média, a 74 e 77 dias, respectivamente, e as holandesas são as que recebem os pagamentos das suas facturas mais cedo (47 dias).

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