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Presidenciais. PS tira tapete a Nóvoa. Maria de Belém desafiada a avançar
Carlos César admitiu que PS pode ter liberdade de voto

Presidenciais. PS tira tapete a Nóvoa. Maria de Belém desafiada a avançar

Carlos César admitiu que PS pode ter liberdade de voto Ana Brígida Jornal i 03/07/2015 14:00

Presidente do PS admite que o partido poderá não apoiar nenhuma candidatura. 

OPS já admite não apoiar Sampaio da Nóvoa, ao mesmo tempo que os socialistas mais críticos da candidatura do ex-reitor desafiam Maria de Belém a avançar. “Tem experiência e capacidade para o desempenho desse lugar. Tem uma grande notoriedade nacional”, diz ao i José Lello, deputado e dirigente do PS, que foi colega de Maria de Belém num governo de Guterres.

Mas vamos por partes. Sampaio da Nóvoa avançou com a convicção de que teria o apoio oficial do PS. O apoio de uma máquina partidária poderosa é fundamental numa eleição presidencial e o ex-reitor não ignora isso. O que era quase certo é, porém, cada vez mais incerto e o presidente do partido, Carlos César, admitiu, em entrevista à Antena 1, que o PS poderá não dar indicação de voto em nenhum dos candidatos e dar “liberdade de voto aos seus militantes e eleitores”. César garante que, se existirem mais candidaturas da área do PS, o partido rejeitará meter-se “num processo fratricida que não teria qualquer sentido que acontecesse”. 

A declaração do presidente do PS surge numa altura em que começa a ganhar peso a possibilidade de Maria de Belém se candidatar. António Costa já admitiu a alguns socialistas que com a ex-ministra da Saúde na corrida poderá não apoiar nenhum candidato. 

Carlos César verbalizou essa posição e deixou os socialistas críticos de Nóvoa satisfeitos. “É um desenvolvimento político relevante”, diz Lello. A candidatura do ex-reitor foi recebida com reservas por vários socialistas. Nóvoa já está no terreno e, nos últimos tempos, intensificaram-se as movimentações para encontrar uma alternativa. Francisco Assis admitiu, em entrevista ao “Expresso”, que continua com “esperança de que possa surgir alguém oriundo do espaço do centro-esquerda”. Sérgio Sousa Pinto, Vital Moreira ou Vera Jardim também já disseram que não se revêem naquela candidatura.

Com Costa a pedir ao partido para se concentrar nas eleições legislativas, as críticas ao homem que veio do mundo universitário acalmaram. João Paulo Pedrosa foi um dos principais críticos, mas prefere remeter qualquer comentário para o que escreveu na sua página do Facebook. E o que escreveu são duras críticas a um eventual apoio do partido ao académico, que classifica como um “mau” candidato. “Política, doutrinária e estrategicamente. Mau”, acrescenta. 

A alternativa para este deputado seria Carlos César, que já rejeitou essa possibilidade, ou Maria de Belém. Sobre a ex-presidente do partido, Pedrosa diz que “é uma excelente candidata que em vez de subtrair, como Nóvoa , soma ao PS”. 
O ex-reitor já tem, porém, o apoio de destacados socialistas como Mário Soares ou Jorge Sampaio, e há uns dias confessava que espera contar com “o apoio não só do PS”. Até agora, o Livre, que fez um referendo sobre as presidenciais, foi o único partido a anunciar que o apoia. Confrontado com o que disse o presidente do PS, o candidato desvalorizou e desafiou aqueles que querem avançar a não esperarem pelas legislativas. “As presidenciais não ganham em serem uma espécie de segunda volta das legislativas”.

Vasco Lourenço, apoiante desde a primeira hora, é mais directo: “OPS só terá a ganhar em apoiar um candidato vindo de fora. Se eles querem ir por aí e abster-se numa questão essencial para o país, os eleitores analisarão em conformidade. Lamento. Não gosto”, diz ao i o capitão de Abril. 

No terreno já estão dois candidatos de esquerda. Henrique Neto, militante do PS, foi o primeiro a apresentar-se e considerou, em declarações ao i, que a surgirem várias candidaturas da área do PS, “faz sentido” o partido ter uma posição neutra. 

À direita, o cenário continua indefinido. Rui Rio recebeu esta semana o apoio de Francisco Pinto Balsemão, mas ainda não terá tomado uma decisão. “Se não avançar já, é um erro”, diz ao i um dirigente do PSD e adepto da candidatura do ex-autarca. Marcelo Rebelo de Sousa continua, porém, a ser o mais bem colocado para vencer as presidenciais. O professor também não abre o jogo a não ser para dizer que seria um erro qualquer candidato da direita avançar antes das eleições legislativas. Os próximos meses serão decisivos. 

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