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Central Nuclear espanhola chumba em teste de resistência
O teste de resistência, evidenciou a falta do mesmo tipo de válvulas que levou ao acidente em Fukushima

Central Nuclear espanhola chumba em teste de resistência

O teste de resistência, evidenciou a falta do mesmo tipo de válvulas que levou ao acidente em Fukushima Jornal i 29/06/2015 17:52

É a central está mais próxima de Portugal e o problema é o mesmo que originou Fukushima. Greenpeace apela a Portugal que faça queixa.

A central nuclear espanhola de Almaraz, a mais próxima da fronteira portuguesa, "chumbou" num teste de resistência pedido pela Greenpeace, evidenciando a falta do mesmo tipo de válvulas que permitiu o acidente em Fukushima, Japão.

"Em Espanha, tal como noutros pontos da Europa, não aprendemos a lição de Fukushima [o acidente na central nuclear japonesa em Março de 2011]. As medidas foram tornadas obrigatórias, de maneira urgente, por causa do que se passou com Fukushima, mas não foram ainda tomadas", disse esta segunda-feira a responsável da área de Energia Nuclear da Greenpeace, Raquel Montón.

A organização ambientalista considera que a central de Almaraz (na bacia do Tejo, a pouco mais de 100 quilómetros da Fronteira de Portugal) "não tem válvulas de segurança para impedir uma explosão de hidrogénio, tal como não tinha Fukushima, e a sua instalação não está prevista até finais de 2016".

"Outro dos grandes problemas que ocorreu no Japão é que não tinham sistemas de ventilação com filtragem. Quando se viram na contingência de ter de libertar a quantidade de hidrogénio que se estava a acumular e com ele a radioactividade, não havia sistemas de ventilação filtrada. Assim, tudo foi levado ao limite e quando explodiu, espalhou-se a radioactividade", explicou Raquel Montón.

Após o incidente japonês, as autoridades e os reguladores europeus recomendaram que as centrais pusessem estes sistemas de forma urgente.

"Em Espanha não foram postos e não se está a exigir isso até ao ano 2016 ou mais tarde. Enquanto isso as centrais continuam a funcionar, incluindo a de Almaraz, que não tem sistemas de ventilação filtrada", salientou.

Por outro lado, além de Almaraz "não dispor de medidas eficazes de gestão de acidentes para assegurar a contenção da radiactividade durante um acidente grave", não existe uma avaliação actualizada dos riscos naturais, como por exemplo a actividade sísmica.

A Portugal, a Greenpeace apelou esta segunda-feira que se queixe junto das autoridades internacionais, assegurando que Madrid não está a informar Lisboa sobre os impactos ambientais.

A Greenpeace está agora a tentar “que países, como por exemplo Portugal, reclamem junto das autoridades, accionando os convénios internacionais para que se realizem estudos de impacto ambiental mais participados, num processo muito mais transparente".

De acordo com a Greenpeace, além de Espanha, em vários países da Europa analisados - Bélgica, República Checa, França, Alemanha, Eslováquia, Eslovénia, Suíça, Suécia e Reino Unido - os planos nacionais em vigor também não aumentam de forma suficiente a segurança dos reactores nucleares.

"A União Europeia exigiu a Espanha que fizesse uma nova caracterização sísmica, porque a que temos é muito antiga. Com base nessa nova caracterização é que seriam avaliados os riscos das centrais nucleares espanholas. Isso foi no ano de 2011 e só este ano é que se deu seguimento a essa ordem: ou seja, a nova caracterização sísmica vai começar a fazer-se em finais deste ano e não saberemos quando vai acabar", adiantou a responsável da Greenpeace.

Para Raquel Montén, a ideia de que as centrais nucleares em Espanha são seguras quanto a possíveis terramotos não é correta, uma vez que "nem sequer se começou a estudar" o caso.

"Esta é uma das grandes deficiências", afirmou a responsável, acrescentando que a entidade tem vindo a pedir esclarecimentos à tutela espanhola (o ministério da Indústria, Energia e Turismo) desde há quatro anos.

"Até agora só temos tido falta de transparência e a falta de resposta”, disse Raquel Montón, salientando que a escolha da Central nuclear de Almaraz para ser submetida aos testes não foi casual.

"Em Espanha fez-se a análise da central de Almaraz, precisamente por porque é a que está mais próxima da fronteira com Portugal - outro país membro da União - e porque é a central nuclear em operação mais velha de Espanha", concluiu.

As conclusões da Greenpeace constam de um relatório que a organização está a apresentar na Conferência bianual do Grupo de Reguladores Europeus de Segurança Nuclear (ENSREG), que decorre até terça-feira em Bruxelas.

Lusa

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