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“Tensão e Liberdade”. Duas palavras muito ibéricas
Cabinet of, 2001-2002, Roni Horn, colecção la Caixa

“Tensão e Liberdade”. Duas palavras muito ibéricas

Cabinet of, 2001-2002, Roni Horn, colecção la Caixa Reuters Miguel Branco 19/06/2015 15:53

A união de três colecções de arte contemporânea e de três instituições originou uma exposição.

A proposta que se segue exige um enquadramento geográfico específico. Experimente dizer em voz alta as palavras “tensão” e “liberdade”. Qual é a primeira coisa que lhe surge na ideia? Para nós, povo pertencente a esta península a que chamamos Ibérica, talvez muitas das respostas coincidam e remetam para as ditaduras que ambos os países viveram.
Especulações à parte, inquéritos de algibeira idem, as duas palavras que aqui se erguem são, mais do que qualquer outra coisa, uma exposição. “Tensão e Liberdade” é o encontro entre três colecções de arte contemporânea.

Falamos do Museu de Arte Contemporânea de Barcelona, da Fundación “la Caixa” e do CAM da Gulbenkian, que é, neste caso, o anfitrião do evento, com curadoria de Isabel Carlos, directora do CAM. É inaugurada hoje e fica patente até 25 de Outubro.

Naturalmente, pela incidência da temática num território particular, a paleta de artistas é algo tendenciosa relativamente à sua nacionalidade. No entanto, não pense que só vai encontrar artistas portugueses e espanhóis. “Tensão e Liberdade”, segundo Isabel Carlos, divide-se em três grandes abordagens: a esfera sociopolítica e revolucionária; as questões raciais, de género, sexualidade e a consequente presença do corpo; e, por fim, a tensão formal e física num aprofundamento e instabilização do modernismo.

A prova de que nem só de artistas ibéricos estamos a falar é o facto de aquele cujas obras estão em maioria ser Bruce Nauman, norte-americano nascido em Fort Wayne, Indiana, em 1941 – ele que começou a sua formação em torno da pintura, mas depois decidiu largá-la para se dedicar à escultura e a uma série de linguagens modernas onde mistura vídeo, performances, instalação, fotografia, luz néon, tudo quanto apele a uma imagem forte que não cabe numa moldura e nos apela aos sentidos. A presença de Nauman nesta selecção de Isabel Carlos mais se justifica por ser alguém que não dispensa as duas palavras que servem a exposição ao longo de toda a actividade artística que desenvolve há várias décadas.

Se olharmos ao resto da lista de nomes aqui presentes, saltam-nos à vista prontamente Richard Hamilton, Eric Baudelaire, Samuel Beckett, Damián Ortega, Vasco Araújo, Damián Ortega, entre muitos outros. Em resumo, um conjunto de obras que muito mais valem vistas do que submetidas a uma eventual descrição – como sempre, em qualquer exposição de qualquer índole. E que, aqui, tanto deve agradar a portugueses como aos nossos vizinhos do lado. A nossa história de resistência exposta nas paredes do CAM – se não for por outra coisa, que seja por isso.

Mais informação em: cam.gulbenkian.pt

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