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Na hora do acasalamento, os cangurus não saltam etapas
A fêmea ainda dá de mamar a um filho quando tem um dentro da bolsa e outro em período de gestação

Na hora do acasalamento, os cangurus não saltam etapas

A fêmea ainda dá de mamar a um filho quando tem um dentro da bolsa e outro em período de gestação Artur Borges Marta Cerqueira 18/06/2015 19:34

Nascem do tamanho de um feijão e ficam na bolsa da mãe durante semanas. Quando saem do marsúpio continuam a regressar para protecção e alimento. O comportamento podia até ser semelhante ao dos humanos, não se tratasse de um ciclo sem erros: a fêmea ainda dá de mamar a um filho quando tem um dentro da bolsa e outro em período de gestação.

O tratador garante que são quatro os cangurus que se passeiam na instalação que o zoo lhes dedica. Mas uma contagem rápida deixa-nos no 1, 2, 3. “Espreite melhor”, aconselha António Barreto. Seguimos o conselho e conseguimos ver uma pequena cabeça a sair da bolsa de uma das fêmeas. Estamos, aliás, perante uma família completa: pai, mãe, cria já adulta e uma ainda bebé. “É recente para o público e para nós, tratadores”, refere. Tal como os coalas, os cangurus têm um período de gestação muito curto, de 30 a 35 dias. Quando nascem, do tamanho de um feijão, ficam dentro da bolsa durante algum tempo sem que ninguém dê por isso. “Esta cria só está visível há um mês, mas já nasceu há mais tempo, isso de certeza.” 

Apesar de ter apenas uma cria na bolsa, a canguru-fêmea tem de gerir as atenções sobre três filhos. Num ciclo natural, enquanto uma cria está ainda no marsúpio, outra, mais velha, junta-se à mãe apenas para mamar ou à procura de protecção e, ao mesmo tempo, a fêmea está já novamente grávida.

Os Bennett Wallaby, a única raça que existe actualmente no Jardim Zoológico de Lisboa, afastam rapidamente a imagem mental dos grandes cangurus das florestas na Austrália. Ao contrário dos cangurus-vermelhos, que o zoo já teve em tempos e que António garante que chegavam quase à sua altura, estes medem no máximo um metro e pesam entre 13 a 18 quilos. Mesmo assim, António Barreto garante que a força destes animais foi o que mais o surpreendeu. “À semelhança do que acontece com todos os animais selvagens, também estes cangurus têm muito mais força do que parece.” 

O tratador já trabalhou com primatas e grandes herbívoros, mas os últimos 13 anos dos 25 que dedica ao zoo, têm sido passados especificamente junto aos marsupiais. “São animais pacíficos, coabitam pacificamente entre eles e com os humanos”, garante, lembrando apenas que “não gostam de ser pressionados”, o que faz da hora de administrar medicamentos ou de fazer tratamentos médicos um problema.

Pelo recinto está espalhada a luzerna, erva seca da qual se vão alimentando ao longo do dia. Comem ainda ração de coelho, cenoura, maçã, alface, agrião. “Gostam de todos os vegetais”, salienta o tratador. J

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