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Em cima de um grande cavalo está sempre um grande homem
O jóquei de 157 centímetros começou a dar nas vistas e em 2002 teve o primeiro grande ataque à Triple Crown

Em cima de um grande cavalo está sempre um grande homem

O jóquei de 157 centímetros começou a dar nas vistas e em 2002 teve o primeiro grande ataque à Triple Crown Jason Szenes/EPA Rui Pedro Silva 17/06/2015 18:48

Saiu para os EUA aos 21 anos sem falar uma palavra de inglês e à procura de um sonho. Agora, com 43, entrou para a história das corridas de cavalos ao conseguir a TripleCrown com o “American Pharoah”.

A família Espinoza nunca pensou que um dos 12 filhos pudesse chegar tão longe. A 23 de Maio de 1972, em Tulancingo, Victor parecia ter o futuro escrito à nascença. Ia crescer numa quinta e aprender a completar as típicas tarefas, desde plantar sementes a ordenhar vacas. Mas juntamente com o irmão José, três anos mais velho, apaixonou-se por cavalos.

Foi esse o início de um percurso que atingiu o ponto alto em 2015, ao tornar-se o primeiro jóquei em 37 anos a conseguir vencer a Triple Crown, feito de somar vitórias nas três corridas mais importantes: Kentucky Derby, Preakness Stakes e Belmont Stakes. Mais do que isso, tornou-se o primeiro latino a conseguir a proeza e também o mais velho de sempre, com 43 anos.

A recompensa valeu todo o esforço do passado. Victor não se importou de deixar a família para trás em busca de uma forma de conseguir angariar dinheiro suficiente para tirar o curso de jóquei. Para isso, escolheu uma das profissões mais arriscadas do país: conduzir autocarros na Cidade do México.

De acordo com um estudo da Organização Mundial da Saúde, os acidentes de trânsito são a primeira causa de morte na cidade e há um motorista assassinado por hora. Mas na altura, com 17 anos, a determinação falava mais alto do que o medo. Hoje, ao olhar para trás, reconhece que não foi simples: “É muito mais fácil montar cavalos do que conduzir no meio do trânsito na Cidade do México. Foi uma vida dura durante algum tempo.”

A questão é que quando saiu do México para os Estados Unidos não melhorou imediatamente. Tinha 21 anos e acabava de vencer a primeira corrida como profissional — hoje leva mais de 3 mil triunfos –, mas não falava uma palavra de inglês.

© Kathy Willens/AP

Estava na Califórnia e seria demasiado simples refugiar-se nas comunidades latinas, mas decidiu optar pelo caminho difícil, recusando-se a ver ou ouvir programas em espanhol.

Menos dificuldades teve nas corridas. O jóquei de 157 centímetros começou a dar nas vistas e em 2002 teve o primeiro grande ataque à Triple Crown. Com o “War Emblem” venceu o Kentucky Derby e o Preakness Stakes, mas falhou em Belmont. Doze anos depois – na temporada passada – voltou a aparecer em destaque. Com o “California Chrome”, tudo parecia destinado a uma proeza que ninguém via desde a década de 70.

O próprio Victor Espinoza sentiu que ia acontecer mas... voltou a falhar em Belmont. Ainda não estava destinado. Por esta altura, já doava 10% dos seus prémios para um centro de investigação de cancro pediátrico em Los Angeles.

“Um dia fui visitar algumas crianças que tinham cancro e foi de parar o coração. Perdi a compostura e comecei a chorar ao ver tantas crianças que não podem ter a mesma vida que tivemos. Ver crianças de seis, oito, dez anos daquela forma mudou a minha vida. Espero apenas que o dinheiro que ganho possa fazer a diferença em pelo menos uma vida”, justificou.

A história foi feita este mês e com o “American Pharoah”, cavalo que começou a montar no Outono de 2014. No Kentucky Derby venceu, mas não escapou às críticas de ter chibatado o cavalo 32 vezes durante os dois quilómetros da prova. Indiferente a isso, ganhou três semanas depois o Preakness States e entrou emBelmont, no fim-de-semana passado, à beira de fazer história. E, como diz o ditado, à terceira foi de vez.

“É tão difícil vencer esta corrida. Depois de falhar no ano passado, pensei que se surgisse o cavalo certo, conseguiria vencer. E é por isso que é tão único: é preciso ter um cavalo especial para ganhar esta corrida”, salientou o jóquei, que desta vez atribuiu mesmo 100% dos ganhos (cerca de 80 mil dólares) à instituição City of Hope. Um dos truques foi entrar sem preocupação:“Pensei que seria o que tivesse de ser. Acreditem ou não, não senti nenhuma pressão antes da corrida.”

Os elogios ao cavalo também não foram esquecidos. “É definitivamente o melhor que já montei. É como um brinquedo pequeno. É muito tranquilo e não se incomoda com toda a atenção que tem”, afirma, antes de deixar a decisão sobre o futuro para os proprietários.

“Eles é que escolhem se vão querer continuar a levá-lo para as corridas ou se o enviam para a quinta para ter uma boa vida. O mais importante é que tenha saúde”, aponta.

Seja como for, nada tirará o protagonismo a “American Pharoah”, cavalo baptizado com uma gralha no nome por culpa do registo feito em 2014. “A proposta foi submetida a 25 de Janeiro de 2014 através da plataforma electrónica. Uma vez que o nome cumpria todos os critérios e estava disponível, foi aprovado precisamente da forma como foi escrito”, explicou o Jockey Club. 

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