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Sócrates. Fundador do PS acusa direcção do partido de “cobardia”
Alfredo Barroso lamenta que PS não tenha “uma atitude frontal”

Sócrates. Fundador do PS acusa direcção do partido de “cobardia”

Alfredo Barroso lamenta que PS não tenha “uma atitude frontal” Filipe Casaca Luís Claro 17/06/2015 12:00

Alfredo Barroso lamenta que o PS não tenha coragem para criticar a justiça. “Repugna-me a hipocrisia dos actuais dirigentes” do partido, diz.

O fundador do PS Alfredo Barroso acusa a direcção do partido de estar a ser cobarde e hipócrita na gestão do caso Sócrates. “OPS nem quer ouvir falar disso, estão aterrados”, diz ao i o ex-dirigente socialista, criticando os ex-ministros e amigos de José Sócrates que “não erguem a voz para condenar o comportamento” da justiça.

“Na mesma medida em que admiro a coragem de Sócrates, repugna-me a hipocrisia, a pusilanimidade, chamemos-lhe cobardia, dos actuais dirigentes do PS, alguns deles amigos, ex-ministros e secretários de Estado nos seus governos”, afirma Alfredo Barroso, que se desfiliou do PS no início deste ano.

Alfredo Barroso defende que a estratégia do PS em relação ao caso Sócrates é errada, porque a direcção do partido está a partir do princípio de que “quanto menos falar menos votos perde”, mas “às vezes é a coragem que dá votos e deveriam ter a coragem de criticar uma injustiça que é evidente”. O ex-chefe da Casa Civil do Presidente Mário Soares lembra que criticou Sócrates muitas vezes, mas não pode deixar de o apoiar na “atitude extremamente corajosa” de recusar sair da cadeia com pulseira electrónica”. À direcção do PS, Barroso sugere que tenha “uma atitude pública e frontal contra essas injustiças da justiça”, porque “ganhará mais apoios e mais votos” . E lamenta que “o PS esteja apenas preocupado em voltar ao poder e julgue que é com este comportamento político” que consegue vencer as eleições. “É uma vergonha. OPS faria boa figura se dissesse que há injustiças que não podem passar sem uma crítica”, conclui o fundador do partido.

O secretário-geral do PS, António Costa, tem assumido uma posição cautelosa em relação ao caso Sócrates e nunca arriscou criticar a justiça, ao contrário de alguns socialistas mais próximos do ex-primeiro-ministro. A última vez  que o líder do PS falou deste caso foi para dizer que “não compete ao PS substituir-se nem à acusação nem à defesa e muito menos à função do juiz”. Na TSF, Costa voltou a deixar claro que não quer o PS envolvido neste caso e defendeu que é preciso “despoluir o debate político desta tentativa de transferir para o debate público, o julgamento que deve ser feito nos locais próprios”.

Mas nem todos os socialistas têm estado em silêncio em relação ao caso que envolve um dos seus mais importantes ex-líderes. Após a decisão de Sócrates de recusar ir para casa com pulseira electrónica, o deputado João Soares elogiou uma atitude “extremamente digna” e José Lello e Renato Sampaio, próximos do ex-PM, defenderam que a decisão revela “firmeza de carácter”.

HABEAS CORPUS O Supremo Tribunal de Justiça analisa hoje o pedido de libertação imediata (habeas corpus) do ex-primeiro-ministro. A sessão está marcada para as 10h30. O pedido foi apresentado por Miguel Paulo de Sousa Mota Cardoso, o cidadão que, a 28 de Novembro de 2014, apresentou o primeiro pedido de libertação imediata do ex-primeiro-ministro. Sócrates está indiciado pelos crimes de fraude fiscal qualificada, branqueamento de capitais e corrupção passiva para acto ilícito.

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