24/1/21
 
 
Ana Kotowicz 16/06/2015
Ana Kotowicz

ana.kotowicz@ionline.pt

As mulheres sofrem dos nervos, não é?

Cem anos depois, ainda há muita gente que pensa assim. Já ia sendo tempo de abandonarmos a pré-história. 

“Gaiola de malucas.” “Galinhas.” “Tantas saias juntas só podia dar confusão.” Para quem ainda não adivinhou, falo do que se passou na última emissão do programa “Barca do Inferno”, aquele que Manuela Moura Guedes abandonou a meio. O país inteiro viu, em directo ou nos vídeos do YouTube que a RTP acabaria por apagar. Moura Guedes passou-se.

Uns dizem que foi com Isabel Moreira, outros que não terá gostado de ouvir Nilton, o moderador e o único homem do programa, mandá-la calar. Foi um momento alto da televisão portuguesa, pelos piores motivos, mas não foi inédito. Santana Lopes fê-lo quando foi interrompido para a emissão da SIC ir para um directo com a chegada de Mourinho ao aeroporto. Dias Ferreira pegou-se com Paulo Garcia no “Dia Seguinte”.

Rui Reininho largou o “The Voice Portugal” irritado com Catarina Furtado. Todas estas situações fizeram correr tinta nos jornais, blogues e redes sociais. Críticas de um lado, apoios do outro. Tudo normal. Mas nunca ninguém se lembrou de atribuir as saídas intempestivas e em directo destes três senhores a uma questão de género. Foi preciso ser uma mulher a sair em fúria de um estúdio para os psicólogos de bancada atribuírem a exaltação a uma certa condição feminina.

Quando a minha bisavó tinha a minha idade, os homens zangavam-se e as mulheres sofriam dos nervos. Cem anos depois, ainda há muita gente que pensa assim. Já ia sendo tempo de abandonarmos a pré-história. 


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