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Graça Canto Moniz 16/06/2015
Graça Canto Moniz

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A praga do politicamente correcto

É a tentativa de reformar o pensamento tornando algumas coisas indizíveis e, em vez disso, usando um vocabulário purificado e de sentimentos humanos abstractos.

Jerry Seinfeld, sem papas na língua, pôs o dedo na ferida: “O politicamente correcto [curiosamente, PC] está a dar cabo do sentido de humor.”

Reflectindo sobre o estado actual da comédia, Seinfeld alerta para o perigo da ditadura do PC, que, passo a passo, está a limitar o discurso artístico das sociedades modernas, e é particularmente activo entre os membros mais radicais do meio universitário e seus discípulos.

Consequentemente, Seinfeld declarou que deixou de fazer stand-up em universidades. Segundo Seinfeld, os jovens não sabem o que palavras como “sexista” realmente significam, “Eles [jovens universitários] apenas querem usar estas palavras: isto é racista, isto é sexista, isso é preconceito”.

Este perigo que afecta grandemente as liberdades dos comediantes, impedidos que ficam de usar certas expressões ou reflectir, ainda que de forma descontraída, sobre questões de género, raça, religião ou orientação sexual, em breve condicionará toda a criação artística.

Definir esta praga nem sempre é fácil, mas Theodore Dalrymple explica que é a tentativa de reformar o pensamento tornando algumas coisas indizíveis e, em vez disso, usando um vocabulário purificado e de sentimentos humanos abstractos. É no fundo um mix entre covardia, má informação e preocupação com a imagem que conduz as sociedades modernas a esta capacidade de produzir ofendidos profissionais.

Chegará o dia em que Hollywood se verá obrigado a produzir apenas comediantes politicamente correctos, e nesse dia a comédia será apenas mais um defunto do século xxi, a par da liberdade de expressão.

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