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Le Mans. As 24 horas mais bem passadas da televisão
Nas edições anteriores tem sido quase sempre assim: Audi a ganhar. Este ano, a competição promete ser mais dura

Le Mans. As 24 horas mais bem passadas da televisão

Nas edições anteriores tem sido quase sempre assim: Audi a ganhar. Este ano, a competição promete ser mais dura JEAN-FRANCOIS MONIER/AFP/Getty Images Carlos F. Monteiro 13/06/2015 21:07

Começou este sábado a 83.ª edição da prova-rainha do campeonato de resistência automóvel. Participar é duríssimo, assistir pela TV não custa nada.

Le Mans, o filme. Oprimeiro breve diálogo surge aos seis minutos e para ouvir Steve McQueen dizer qualquer coisa é preciso esperar mais 30. A razão é óbvia para todos menos para os espectadores americanos, que transformam esta obra de arte num fracasso de bilheteira: o famoso actor de “Bullit” não é a estrela do filme. O papel principal é dado aos carros de corrida. As frases mais importantes da história são ditas a plenos pulmões – ou cilindros – pelos motores. 

Le Mans, a corrida. Tem início este sábado às 14h00 e acaba domingo pela mesma hora (é por isso mesmo que a prova tem “24 horas” no nome. Ao contrário do filme, podemos contar com diálogos do princípio ao fim da corrida, isto se a seguirmos pelo canal Euro-sport. Este ano, a equipa de quatro comentadores divide-se entre Le Mans e Carnaxide e, como diz Vítor Sousa (um dos dois sortudos que ficam por cá), ao contrário dos pilotos, os comentadores não vão fazer turnos ao comando da emissão. Vão ser 25 horas e 30 minutos de directo, só com algumas inevitáveis paragens nas boxes.

Maratona de TV Mas será mesmo possível assistir a 24 horas seguidas de carros a dar voltas numa pista? Bom, para quem já viu algumas épocas da série “24”, com Kiefer Sutherland nesse formato, deve dizer-se que o enredo da corrida costuma ser bem mais interessante, e isso apesar de a Audi tudo fazer, desde 2000, para que não haja surpresas no final da prova. É que, desde esse ano, a marca alemã venceu 13 vezes. 

Os comentadores convidados contribuem para que o tempo passe como passam os quilómetros debaixo das rodas dos carros mais rápidos (as médias rondam os 214 km/h). Este ano, um desses convidados é Ricardo Santos, o designer e infografista premiado que até já trabalhou no i. Mas o convite da Eurosport chegou porque, também este ano, grande parte da imagem das instalações da Nissan em Le Mans é da sua autoria. 
Na corrida há ultrapassagens constantes a pilotos mais atrasados, diferentes classes de carros e ainda paragens nas boxes que duram eternidades. Tudo isso contribui para o desnorte do espectador, pelo que o comentário é vital e tem de estar sempre em bom nível.

Maratona ao volante Se para os comentadores a prova promete ser dura, então para os pilotos – e principalmente para os carros – nem se fala. Na edição do ano passado, o carro vencedor percorreu 5154 km a uma média horária de 214 km; em 2010 bateu-se o recorde de distância, com o primeiro carro a fazer cerca de 5400 km a uma média de 225 km/h. Ora, durante o campeonato de Fórmula 1 do ano passado fizeram-se 5713 km a uma média bastante mais lenta (169 km). Podemos por isso dizer que as 24 horas corridas no circuito de La Sarthe são uma espécie de formato maratona do campeonato de F1 em fast forward. É aquilo a que se poderia chamar “binge driving”. 

Além do interesse óbvio que uma corrida como esta pode despertar nos fãs de provas míticas, a edição deste ano tem novamente como aliciante a hipótese de se ver pela primeira vez um piloto português terminar em primeiro lugar da geral. Filipe Albuquerque vai pelo menos tentar pilotar um dos Audi – o Barcelona das equipas da corrida de Le Mans. No ano passado, Albuquerque já fez parte da equipa mas não chegou a sentar-se atrás do volante, uma vez que, durante o primeiro turno de condução, o italiano Marco Bonanomi acabou no meio de um acidente que inutilizou o Audi R18. 

Este ano, a competição promete ser mais dura. A Porsche (a mesma da personagem de McQueen), depois de vários anos de ausência, está presente pelo segundo ano consecutivo e o objectivo é a vitória. E não nos esqueçamos de que o construtor alemão até tem um par de curvas com o seu nome no circuito. Para já, garantiu os primeiros três lugares na grelha.

Albuquerque não é o único português em prova, mas só ele tem carro para acabar vencedor na classificação geral. Também se vai poder ver Pedro Lamy, Tiago Monteiro, João Barbosa e Rui Águas. Pelo menos, já entramos a ganhar: é que o director da prova é português e chama-se Eduardo Freitas. 
Duvidamos que o entusiasta das corridas de carros tenha dificuldades em ficar com o comando da TV só para si durante a madrugada, mas como arma para o resto do tempo talvez seja bom saber que Patrick Dempsey, o McDreaaaaamyyy de “Anatomia de Grey”, volta a participar na corrida. 

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