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TAP. Governo consegue “venda rápida”... por 10 milhões

TAP. Governo consegue “venda rápida”... por 10 milhões

MARIO CRUZ LUSA Filipe Paiva Cardoso 12/06/2015 16:00

Conselho de ministros aprovou ontem venda ao consórcio Gateway, liderado pelo norte-americano David Neeleman e o grupo português Barraqueiro, de Humberto Pedrosa.

A ideia era vender a TAP“apenas se as condições do mercado fossem favoráveis”, mas o medo de não se alienar a companhia aérea antes do fim da legislatura falou mais alto:o executivo vendeu a empresa “o mais depressa possível”, aceitando 10 milhões de euros pela mesma. “Quinze anos depois de muitos tentarem, conseguimos”, celebrouSérgio Monteiro. Osecretário de Estado dosTransportes falava na conferência de imprensa após o Conselho de Ministros ter aprovado a venda da TAP ao consórcio Gateway, de David Neeleman e do grupo português Barraqueiro.

Na intervenção inicial nesta conferência, o governo não quis revelar os dez milhões de euros de encaixe: “Medido pela capitalização, o preço pago pelas acções e a opção de compra e venda, falamos no mínimo de 354 milhões de euros”, disse a secretária deEstado do Tesouro, Isabel Castelo Branco. Só depois de questionado é que o executivo revelou a verba a que os contribuintes terão direito pela companhia de bandeira:dez milhões de euros por uma empresa que transporta 11,4 milhões de passageiros, regista 2,8 mil milhões de euros de proveitos e cujo principal negócio, o transporte aéreo, acumulou 137 milhões de lucro nos últimos seis anos – além de o grupo como um todo ter registado resultados operacionais acima dos 40 milhões em 2012 e 2013 e de 2,6 milhões em 2014.

Em relação aos 354 milhões, esta verba inclui o investimento do consórcio na (agora) sua empresa. Além da entrega de 61% daTAP, o contrato que virá a ser assinado entre o governo e o vencedor inclui também uma opção para a compra de mais 34%do capital da companhia ainda nas mãos do Estado, independentemente da vontade política dos próximos anos:“Ocandidato tem opção de compra que pode escolher se exerce ou não”, detalhou Sérgio Monteiro, que falou num potencial reforço do encaixe nessa altura que poderá elevar a venda de 100% da companhia até ao “máximo de 140 milhões de euros”, isto “dependendo da possibilidade de se efectuar uma operação em mercado de capitais”.

Não se estudou alternativa Sérgio Monteiro assumiu ontem que o governo não estudou outra alternativa para a TAP. “OEstado não fez nenhum pedido formal” aBruxelas “para apreciar uma reestruturação”, apontou o secretário de Estado, assumindo que “as consequências de um processo desse género”seria uma “redução do número de rotas, redução significativa de trabalhadores e de salários dos que ficavam”, ou seja, “uma TAP muito mais pequenina e com um impacto na economia muito menor”.

Mas a verdade é que apesar das certezas do governante, é difícil crer que seria esse o cenário, isto porque a conclusão do governo parte de premissas erradas:o argumento do executivo de que seria necessário reestruturar e reduzir a oferta do transporte aéreo baseia-se no que ocorreu aquando da recapitalização daTAPem 1994, quando a empresa precisou de 3,4 vezes o capital de que precisa hoje – mais de 1,4 mil milhões de euros. Além disso, em 1994, o transporte aéreo daTAPera o maior problema da companhia, já que afogado em prejuízos recorrentes, culpa de vários anos de má gestão. Daí ter sido necessária uma reestruturação da oferta:estava mal feita e dava prejuízo.

Já a TAP de hoje é completamente oposta:o ramo de transporte aéreo não só é lucrativo (137 milhões de lucro desde 2009) como duplicou os proveitos em dez anos e viu o total de passageiros crescer 84%, pelo que dificilmente seria alvo de uma reestruturação. A ocorrer, esta deveria visar a manutenção do Brasil – 250 milhões de perdas desde 2009.

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