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Graça Canto Moniz 09/06/2015
Graça Canto Moniz

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A ética do caracol

Quanto a mim, a ideia de um discurso em torno dos direitos dos animais separado da pessoa humana parece-me uma tolice teórica.

Bem, caro leitor, chegou a hora de debatermos os direitos dos frangos, dos porcos e das vacas (não vá alguém acusar-me de machismo animal…). Estou certa de que chegaremos aos piolhos e ao direito das alfaces de fazerem fotossíntese ad aeternum. Aliás, é inevitável, uma marca de progresso, diria mesmo, depois da campanha lançada a semana passada pela Associação Directa em defesa dos caracóis.

Além de inevitável, é lamentável. As raízes destas pretensões remontam a 1975 e a um livro de Peter Singer, “Animal Liberation”. A tese é simples: os animais são gente porque sentem dor. Bem, concordo que torturar animais é errado, ainda que grande parte da vida animal seja vivida sob tortura de alguns seres para que outros possam viver. Mas o grande mal deste grupo de “conscientes” é a incoerência.

No limite, estas pessoas defendem que não se deve matar nenhuma forma de vida, esquecendo que a natureza é a maior destruidora de vidas desde sempre, sem pena dos fracos, dos oprimidos, dos bovinos e dos suínos. E não acredito que Singer proteja os acarozinhos, coitadinhos, quando anda a aspirar a sua casa.

Roger Scruton explica o happening num livro “Animal’s Rights and Wrongs”, com base na religião: o homem, criado à imagem e semelhança de Deus, não acredita ser o ser superior da criação, por isso reconhece – do alto da sua superioridade, veja--se – “direitos” e “dor” nos animais. Quanto a mim, a ideia de um discurso em torno dos direitos dos animais separado da pessoa humana parece-me uma tolice teórica.

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