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Wawrinka. Aproveitar a “maldição Nadal”
Nem tudo o que brilha é ouro mas Stanislas Wawrinka não parece incomodado com isso. Agora faz parte da elite em Paris

Wawrinka. Aproveitar a “maldição Nadal”

Nem tudo o que brilha é ouro mas Stanislas Wawrinka não parece incomodado com isso. Agora faz parte da elite em Paris Francois Mori/AP Rui Pedro Silva 08/06/2015 10:15

Espanhol tem duas derrotas em Roland Garros: em 2009 perdeu com Soderling e viu o sueco sair derrotado na final contra um suíço (Roger Federer). Ontem, a tendência repetiu-se: Djokovic não conseguiu fazer o grand slam de carreira e Wawrinka festejou o segundo grande título

Rafael Nadal tornou-se sinónimo de Roland Garros por mérito próprio. De 2005 (temporada de estreia) até 2015, o tenista espanhol só não venceu por duas vezes. Por muito que se pensasse nas possíveis réplicas que jogadores como Federer e Djokovic pudessem dar, o resultado final era quase sempre o mesmo: o último ponto do torneio terminava com Nadal a cair de costas para a terra batida, pondo as mãos na cabeça, festejando algo que era inevitável para todos. 

A primeira surpresa surgiu em 2009, na quarta ronda. O suecoRobin Soderling, treinado por Magnus Norman, surpreendeu Nadal e abriu o campo de hipóteses ao triunfo em Paris. Soderling manteve-se forte, mostrando que não foi obra do acaso, mas chegou à final e perdeu para um suíço, Roger Federer, que conseguia assim o único grand slam que lhe fugia.

Seis anos depois, a história teve muitos pontos de toque. Rafael Nadal caiu nos quartos-de-final para Novak Djokovic e voltou a ser a notícia do torneio. O caminho do sérvio, número um mundial e à procura do único grand slam que lhe faltava, ficava mais fácil, mas ia defrontar Stanislas Wawrinka. Que não só era suíço como Federer como era treinado por... Magnus Norman. Na confusão das coincidências, derrotar Nadal voltou a trazer azar.
Novak Djokovic perdeu. Começou bem e venceu o primeiro set, mas perdeu o torneio. Falhou o objectivo. As marcas de uma meia-final disputada a cinco sets contra Andy Murray e que só terminou no sábado demoraram a aparecer, mas não se pode dizer que o jogo decisivo tenha sido decidido por demérito. Na verdade, houve mérito (e muito!) de Wawrinka, que recuperou de forma sensacional após o 4-6 do primeiro parcial. “Fiz o jogo da minha vida”, assumiu.

O sérvio pode ter entrado melhor, mas os sinais de uma exibição a roçar a perfeição apareceram cedo do lado contrário. As combinações de esquerda de Wawrinka surgiam cada vez com mais potência e deixavam Djokovic encostado às cordas para não perder os pontos. Corria para um lado, corria para o outro, devolvia e mantinha-se em campo só por ser um dos tenistas que melhor se defendem em court. Mas, mais tarde ou mais cedo, o desgaste surge. Especialmente tendo em conta o passado no torneio, mais desgastante.

E mesmo a vantagem no primeiro set esteve perto de desaparecer. Djokovic dispôs de um 40-15 com 5-4, mas permitiu a reviravolta a Wawrinka, que teve uma oportunidade para fazer o break.Nesse momento, o líder mundial do ranking pôs a cabeça no sítio, recuperou e ficou a dois sets do grand slam. Mas nem mais um conseguiria. Wawrinka foi irrepreensível e não voltou a desperdiçar oportunidades da mesma forma. Tanto que, quando ganhava 5-4 no serviço de Djokovic e com uma desvantagem de 30-0, somou quatro pontos consecutivos e empatou a final.

O enorme equilíbrio do primeiro set, com os dois tenistas a darem espectáculo com longas trocas de bola em pontos intermináveis, foi desaparecendo. Não porque Djokovic estava mal, apenas porque Wawrinka aparecia muito melhor. Estava a fazer o jogo da sua vida e o adversário não se podia dar ao luxo de estar sequer meio patamar abaixo. A fasquia foi ficando cada vez mais alta e Wawrinka entrou em velocidade de cruzeiro rumo ao segundo grand slam da carreira, depois do Open da Austrália em 2014. Quando Wawrinka fez oito pontos consecutivos, transformando um 2-2 em 4-2, o público começou a perceber que a final estava cada vez mais inclinada. O 6-3 do terceiro parcial foi fechado com naturalidade e Djokovic estava obrigado a responder. E foi o que fez, sem grande dificuldade, até chegar ao 2-0.

A perspectiva de um quinto set apareceu em equação – afinal, os grandes campeões nunca se rendem –, mas a determinação de Wawrinka era insuperável. O suíço respondeu imediatamente à quebra de serviço e deixou tudo igual, com a diferença do ascendente motivacional. Com 4-4, Wawrinka voltou a fazer uma quebra de serviço – a última da final – e dispôs de uma oportunidade única para fechar jogo, set, encontro e final. O primeiro ponto de campeonato foi desperdiçado, mas à segunda não houve novo desleixo. Wawrinka não caiu, como Nadal cai sempre, mas virou--se para trás, festejando com a sua comitiva, especialmente Magnus Norman, que já havia perdido como jogador em 2000 (contra Gustavo Kuerten) e como treinador em 2009 e 2010 (ao serviço de Soderling).

Novak Djokovic pode ter perdido mas caiu de pé, não resistindo às lágrimas durante a enorme ovação do público francês. “Não é fácil para mim falar, mas devo dizer que na vida há coisas mais importantes que as vitórias, como o carácter e o respeito. E eu tenho um grande respeito por ti, Stan. És um grande campeão, tens um grande coração e mereceste este título”, começou por afirmar, prometendo que vai continuar à procura do título. Djokovic já havia perdido as finais de 2012 e 2014.

“É qualquer coisa de incrível vencer um segundo grand slam”, reconheceu Wawrinka (30 anos). O suíço venceu em Paris dois anos depois de ter erguido o troféu no Estoril Open. Desta forma, dos últimos seis vencedores em Paris, só mesmo Rafael Nadal não venceu no Jamor (desistiu por lesão na única presença, em 2004).

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