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Assédio. A mulher já não é o único alvo
Mais de 850 mil pessoas foram assediadas moralmente no emprego

Assédio. A mulher já não é o único alvo

Mais de 850 mil pessoas foram assediadas moralmente no emprego getty images José Paiva Capucho 04/06/2015 11:00

25 anos após o último estudo, os homens estreiam-se como vítimas de uma “realidade violenta”

As mulheres continuam a ser as principais vítimas de assédio moral (16,7%) e de assédio sexual (14,4%) nos seus locais de trabalho em Portugal, mas os homens também já entraram nestas estatísticas. Esta é a principal conclusão do estudo “Assédio Sexual e Moral no Local de Trabalho em Portugal”, desenvolvido pelo Centro Interdisciplinar de Estudos de Género, do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas e da Comissão para a Igualdade no Trabalho e no Emprego. O último levantamento foi feito em 1989, mas só incluía o assédio sexual entre o sexo feminino. Agora, junta-se o assédio moral (ver entrevista ao lado) nos resultados, ontem apresentados,  que demonstram “uma realidade violenta nos locais de trabalho em Portugal”, dizem os investigadores.

Existe toda uma radiografia que identifica os protagonistas, os tipos de queixas, as consequências e finalmente onde é que estas ocorrem. Patrões são os principais agressores, provocar o stresse e pressão sobre o funcionário é, por outro lado, o assédio mais frequente e estes casos acontecem sobretudo na restauração e comércio.

O dado novo, contudo, relaciona-se com o facto de, neste projecto, estarem contemplados também os homens como vítimas, sendo mais frequente serem alvo de assédio moral ( 15,9%) do que sexual (8,6%) no emprego.  De uma perspectiva mais abrangente, entre as 1,801 entrevistas, 16,5% já sofreu, pelo menos uma vez durante a sua vida profissional algum tipo de assédio moral e 12,6% assédio sexual.

 O projecto teve como objectivo fazer  um “levantamento das tendências principais em Portugal, por ainda hoje observarmos pouca consciência social no nosso país”, diz a coordenadora Anália Torres. Mas a equipa pretende prosseguir com entrevistas mais profundas. Os resultados deste estudo são só o primeiro passo. Trata-se de um “retrato preliminar do país”, diz a investigadora.

 

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