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Schroders. Risco sistémico em caso de default da Grécia “é reduzido”
Tsipras e Varoufakis continuam a bater o pé

Schroders. Risco sistémico em caso de default da Grécia “é reduzido”

Tsipras e Varoufakis continuam a bater o pé JULIEN WARNAND/EPA Margarida Vaqueiro Lopes 03/06/2015 17:07

Dívida grega está sobretudo na mão das instituições internacionais, nota especialista.

O facto de a dívida grega ser, actualmente, detida sobretudo pelas instituições internacionais, como o Banco Central Europeu, o Fundo de Estabilidade Europeu e o Banco Europeu de Investimento minimiza significativamente o risco sistémico em caso de incumprimento do país. Quem o diz é Alan Cauberghs, Senior Investment Director da gestora de activos Schroders. O especialista nota ainda que “em Outubro de 2014, o grau de exposição directa dos governos da zona euro à Grécia fixava-se nos 302 mil milhões de euros”, o que representa “cerca de 3% do PIB da zona euro (excluindo a Grécia)” o que faz crer que o impacto directo “de um default da Grécia seja limitado”, sobretudo em termos de mercados financeiros.

Em declarações enviadas à redacções, o especialista nota ainda que o risco de contágio que poderia ser provocado pela Grécia “alterou-se, teoricamente, com a criação do Mecanismo Europeu de Estabilidade” e que apesar de haver a possibilidade “de algumas implicações indirectas e políticas” em caso de incumprimento, a verdade é que, “estruturalmente, os mercados financeiros mundiais parecem bastante protegidos” no caso de o incumprimento ser uma realidade.

Recorde-se que a Grécia deveria pagar 308 milhões de euros ao FMI até sexta-feira que vem, no âmbito no início do pagamento dos programas de resgate. Ao todo, a Grécia deve ao Fundo Monetário Internacional 20 mil milhões de euros, e deveria começar a reembolsar a instituição esta semana e durante os próximos 9 anos. Mas um acordo entre a Grécia e os credores internacionais – a troika – parece cada vez mais distante, o que significa que a liquidez helénica continua bastante comprometida.

Esta terça-feira, dia 2 de Junho, o presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem, disse que "não é tecnicamente possível" que haja um desembolso de dinheiro dos credores para a Grécia esta semana, mesmo se houver acordo sobre as reformas a adoptar pelo país. Atenas está desde Fevereiro a negociar com a troika de forma a que seja libertada, pelo menos, parte da última tranche do programa de resgate, no valor de 7,2 mil milhões de euros. Sem ela, o país enfrenta sérias dificuldades.

Mas se é certo que Alexis Tsipras e Yanis Varoufakis, o primeiro-ministro e o ministro das Finanças gregos continuam a bater o pé, também é certo que os credores internacionais recuaram praticamente nada nos compromissos a que obrigam o governo helénico. O impasse dura há quatro meses, e a Europa começa agora a preparar-se para um default do país berço da Antiguidade Clássica.

 

 

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