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Aelita Andre. Esta miúda é obra
A Bienal de Londres consagrou-a com o Youngest Artist Award

Aelita Andre. Esta miúda é obra

Maria Ramos Silva 03/06/2015 15:47

Usa as tintas desde os nove meses e aos dois anos expôs num museu em Melbourne. Aos sete não há dúvida: é a pintora mais jovem do mundo. E não perde um episódio de “Cosmos”.

Pense duas vezes antes de repreender os miúdos pelos rabiscos ao estilo rupestre com que estrearam as paredes da sala. Quem sabe não tem em casa uma Aelita Andre, a menina prodígio das tintas, que aos sete anos exibe um estilo reconhecido mundo fora.

O expressionismo abstracto começou a dar que falar quando a australiana tinha nove meses – gatinhar até às telas usadas pelo pai e fazer uso das tintas revelou-se muito mais que uma simples traquinice de bebé, com direito a roupa suja e assoalhada de pantanas.

Em Abril Aelita completou uma nova colecção. “Infinity” é tema desta série, noticiada no seu site pessoal. Nada que impressione a comunidade artística das principais capitais, familiarizadas com as criações da pequena criadora. Em Março os seus trabalhos foram apresentados na londrina Gagliardi Gallery, em Kings Road, e Peter Gagliari, o responsável pelo espaço, não poupou elogios à Newsitivy. “O termo ‘prodígio’ não costuma ser usado em vão no mundo da arte. Desde muito cedo, Andre foi comparada com Pollock e outros nomes do expressionismo abstracto.”

Night Dance of Fluttering Butterflies, 2013 (Night view), acrílico sobre tela

Não sabemos se os pais de Aelita terão pensado o mesmo que muitos pais imaginam quando se deparam com um quadro de Jackson Pollock: “O meu filho era capaz de fazer isto.” A verdade é que a filha de Nikka Kalashnikov fez mesmo, e as suas obras atingem já dezenas de milhares de dólares, sem que os números sejam a principal preocupação da jovem artista, que adora dinossauros e assistir à série “Cosmos” conduzida por Neil Degrasse Tyson.

“O meu sonho é salvar a natureza, viajar no espaço e tornar-me paleontologista e cientista”, garante Andre, citada pela “People”.

Coube a Nikka partilhar as pinturas de Andre quando a miúda tinha pouco mais de um ano, e os seus impulsos fixados no fundo branco prometiam muito mais que meras experiências para guardar no baú do clã com carinho. Mark Jamieson, director de uma galeria em Melbourne, rendeu-se ao talento sem saber a que ponto era precoce – só mais tarde, perante o interesse manifestado numa exposição colectiva, a mãe de Aelita contou que a autora das pinturas era sua filha e ainda mal começara a andar.

Aos quatro anos a pintora garantiu uma mostra a solo de três semanas, a primeira nos EUA, “Prodigy of Color”, e outras se seguiriam na Agora Gallery, em Nova Iorque, onde conseguiu vender a totalidade das pinturas em apenas sete dias. Em 2012 pintava ao vivo em Times Square e a sua história chegava às páginas da revista do British Museum.

No ano seguinte, o fundador da Wikipédia, Jimmy Wales, certificava: “The youngest ever person in Wikipedia based on their own accomplishments” (ou a pessoa mais jovem a garantir um lugar na grande enciclopédia virtual graças aos seus feitos). E as obras da menina partiam à conquista das galerias de Hong Kong.

Night Dance of the Fluttering Butterflies, 2013 (acrílico sobre tela)

O interesse na produção da australiana, descrita como “complexa mas acessível”, é tão expressivo que em 2014 a revista “Atlantic” dedicou todo um artigo à criança, consultando especialistas em arte e psicólogos infantis, para perceber como se despista o génio numa área como esta, em que a detecção, defendem, é bem mais difícil que em campos como a matemática, o xadrez, ou a música.

Para o tira-teimas, o programa “60 Minutos” filmou Andre em pleno processo criativo. Se não for uma iluminada dos pincéis, será pelo menos “uma criança adorável a pintar como uma criança em idade pré-escolar pintaria”. A grande diferença é que nem todos os frequentadores de infantários se podem gabar de ter o pé-de-meia que se segue.

“Birch Forest in Space”, vendida a um coleccionador independente, valeu a Aelita 50 mil dólares, a peça que alcançou valores mais elevados até à data. Da capital britânica, já este ano, chegou mais um motivo para atenção redobrada. A Bienal de Londres consagrou-a com o Youngest Artist Award. É obra.

E se pensa que está longe de conseguir ter uma vida semelhante à de qualquer criança normal, a biografia na sua página pessoal garante o oposto. “Nada poderia ser mais errado do que dizer que Aelita não tem uma vida normal. Adora piano e violino, ballet, ginástica rítmica e aprender a tocar bateria.” Alguém falou em normal?

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