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Psicólogos 2.0. SNS cria app que ajuda a combater depressão

Psicólogos 2.0. SNS cria app que ajuda a combater depressão

Marta Cerqueira 30/05/2015 19:43

“Os problemas de saúde mental das pessoas resolvem-se com pessoas”, reage Ordem dos Psicólogos.

Os utentes do Serviço Nacional de Saúde com depressão ligeira a moderada vão poder contar a partir de Setembro com uma plataforma digital de auto-ajuda para combater a doença e prevenir o suicídio. Trata-se de uma ferramenta cognitiva comportamental que as pessoas utilizam quando é prescrita pelo médico de família e cuja utilização é guiada pelo próprio médico, enfermeiro ou psicólogo dos cuidados de saúde primários, que vão sempre trabalhar em equipa.

A plataforma tem oito módulos, o que significa que em oito semanas se faz o tratamento, que “basicamente responde às necessidades de 90% dos doentes com depressão nos cuidados de saúde primários”. A garantia foi dada pelo psiquiatra Ricardo Gusmão, dirigente da Eutimia, representante em Portugal da Aliança Europeia contra a Depressão. Para que dê resposta a quem procure o serviço, será criado um programa nacional de formação do qual vão sair 900 “peritos em depressão”, entre médicos de família, enfermeiros, psicólogos e assistentes sociais.

Mais céptica em relação à eficácia da aplicação está a Ordem dos Psicólogos, que acredita que “os problemas de saúde mental das pessoas se resolvem com pessoas”. Telmo Mourinho Baptista assume-se como um fã deste tipo de serviço, desde que o mesmo sirva de complemento ao trabalho do profissional de saúde, e não como seu substituto. “São um auxiliar precioso para o trabalho do psicólogo, assim como as análises clínicas ou os medicamentos o são para outra especialidade, mas não substituem a relação terapêutica com o psicólogo”, refere o bastonário. Além disso, aponta também que o facto de a plataforma estar disponível apenas em smartphones e tablets pode limitar o seu uso para quem não tenha acesso a esse tipo de aparelhos.

Como funciona Num dos módulos, o despertador toca e a aplicação regista a que horas é que a pessoa acordou e pergunta imediatamente a que horas é que se deitou no dia anterior e como é que a pessoa dormiu. “Isto tem a ver com a qualidade do sono, que é importantíssima para a saúde mental das pessoas”, explicou Ricardo Gusmão durante a apresentação do projecto. Se estiverem a fazer medicação, há um módulo de uma semana sobre essa questão, que responde às principais preocupações de cada um dos doentes sobre o assunto.

O programa vai ser posto em prática em centros de saúde das administrações regionais de saúde do Norte, Lisboa e Vale do Tejo, Alentejo e Algarve. Nestas duas últimas regiões, que são as que ostentam maiores taxas de suicídio do país, a cobertura será quase integral.

Em Setembro vai ser feita uma primeira formação dos líderes regionais – entre 12 e 20 pessoas que trabalham no Norte – para depois irem treinar “peritos em depressão” que trabalham nos cuidados de saúde primários e que ficam capacitados para diagnosticar e tratar a depressão. Ao todo, o projecto prevê a formação de um universo de 4300 profissionais dos cuidados de saúde primários (1700 médicos de família e 2435 enfermeiros, entre outros especialistas), dos quais 900 serão considerados peritos em depressão.

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