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Diogo Piçarra. Todos os passos para um caminho em nome próprio
Em 2012 venceu os “Ídolos”

Diogo Piçarra. Todos os passos para um caminho em nome próprio

Em 2012 venceu os “Ídolos” Paulo Segadães Ana Tomás 28/05/2015 19:34

Em 2012 venceu os “Ídolos”, mas o sucesso do seu disco de estreia, “Espelho”, reflecte mais do que isso. 

Trabalho, persistência e experiência acumulados. Só com a canção “Tu e Eu” conquistou mais de dois milhões de visualizações no YouTube.

Há vários zeros à direita no número de seguidores que reúne em canais de internet e redes sociais, como o YouTube, o Vevo, o Facebook, o Instagram ou o Twitter. É um investimento que tem feito desde o momento em que decidiu dedicar-se à música, presente desde muito cedo na sua vida ainda que de forma intermitente. Diogo Piçarra licenciou-se em Línguas e Comunicação e equacionou profissões como jornalista, professor, escritor ou tradutor, preparando-se para um futuro paralelo. Ainda hoje mantém algumas das rotinas e um part-time, apesar da carreira em ascensão e dos milhares de fãs que tem conquistado.

O cantor de 25 anos foi o vencedor da edição de 2012 do “Ídolos”, mas nem o programa de talentos foi o primeiro do género a que concorreu, nem foi o fim da promessa antes da sua concretização. “Até o disco sair podia dizer ainda era um vencedor do programa, agora com este trabalho já posso provar que há um novo Diogo, artista, compositor, autor e não apenas intérprete.” O disco chama-se “Espelho”, é produzido por Fred Ferreira (Ovelha Negra, Banda do Mar) e todas as canções são da autoria de Piçarra. Na realidade vencer o Ídolos foi apenas o início, conta ao B.I. “Senti que era depois do programa que o trabalho ia começar a sério. Sempre tive noção disso e assim que terminou comecei logo a pensar no que iria fazer. Fui sempre divulgando o que fiz, durante o curso em Londres, e depois as minhas composições originais.” 

Do curso de seis meses na London Music School – um dos prémios proporcionados pelo programa – saiu com o estatuto de melhor aluno. Lá, além de voz, estudou piano, guitarra, coro, teoria e produção musical e ficou a conhecer o ambiente em estúdio. “Quis aproveitar ao máximo a experiência. Por fim estava a estudar música, em Londres ainda por cima. Estava rodeado de música todos os dias e isso ajudou-me imenso.” Mas tudo isso sem fazer alarde de vencedor de concurso de talentos, até porque tem bem noção de quão efémeros são esses fenómenos e também porque deu os primeiros passos na música, como amador, em Faro, a tocar em bares.

Uma escola que diz ser muito importante para qualquer pessoa que deseje ser cantor e que não pode ser substituída pela simples criação de vídeos para pôr no YouTube e conquista de visualizações, mesmo sendo esse um recurso a potenciar. “[Nos bares] aprende-se a trabalhar nas piores condições, e nesse aspecto crescemos porque temos de suportar fumo, pessoas que não nos ligam nenhuma, que estão a falar ou de costas. O ambiente é muito hostil a quem está a começar e isso dá-nos aquela estaleca para mais tarde, quanto estivermos num palco grande, tivermos gravado um CD ou chegado aos tops, podermos agradecer e ser humildes, porque já passámos por isso tudo”, recorda.

Aí o reportório fazia-se com versões e alguns originais que começava a criar, enquanto elemento da banda Fora da Bóia, onde foi guitarrista, vocalista e único compositor. Nessa fase também surgiram estilos e grupos musicais diferentes dos que ouvia aos 16 anos, quando começou a aprender guitarra, em vez de bateria, como tinha inicialmente desejado. “No início gostava mais de punk e de rock, mas fui-me convertendo à pop. Comecei a trilhar o meu próprio caminho, a descobrir que conseguia compor na guitarra, com conhecimentos básicos, e a partir daí sempre fui seguindo naturalmente aquilo que me chamava: surgia uma melodia, uma letra e escrevia. Não tinha base nenhuma como escritor, autor e compositor, apenas o instinto.” 

Esse instinto também se foi desenvolvendo sob influências variadas, mas entre elas há uma que o tem acompanhado, mesmo quando a procura de um trilho próprio determina um desvio. “O Manel Cruz sempre foi uma referência. No entanto, tenho vindo a distanciar-me porque tentava imitar a voz dele ou o seu estilo de escrita e percebi que não era assim que se fazia um compositor ou um cantor. Tinha de fazer o meu próprio caminho, e não ser apenas mais um que estava a tentar imitar os Ornatos Violeta. E ao descobrir esse caminho descubro novos artistas, novas bandas: Ed Sheeran, One Republic. Sempre fui muito permeável a estilos e influências. Não tenho um preferido.”

Também em relação aos concursos de televisão, DiogoPiçarra foi aprendendo a defender-se das desilusões e dos deslumbramentos, criando a convicção de que seriam apenas etapas num trajecto que se pretende o mais duradouro possível. O cantor tentou a sua sorte em várias audições para programas de talentos antes de sair vencedor de um deles, primeiro na TVI, em 2008, e depois na edição “Ídolos 2009” e na “Operação Triunfo”, em 2010. “Na altura pensava que era uma injustiça não ter passado, fiquei superdesmotivado. Mas ainda bem que não aconteceu, porque ao olhar para trás vejo que não estava maduro. Acho que tudo acontece por um motivo e isto também serve como incentivo aos jovens que tenham sido eliminados num primeiro casting. Não é caso para desistirem, nada acaba aqui. Têm de trabalhar, ver onde falharam, e há sempre espaço para evoluírem. Há muito mais na vida que um casting ou um programa de televisão.”

Mesmo acabando por ganhar o “Ídolos” em 2012, o cantor reconhece que foi preciso trabalho mas também sorte para não cair no esquecimento. “Há pessoas que seguem os artistas e depois há pessoas que seguem programas de televisão”, lembra, acrescentando que o seu leque de seguidores inclui fãs que o conheceram ao ouvir a sua música na rádio ou na novela “Mar Salgado”, outros acompanham-no desde o programa, o que é “de louvar porque tiveram paciência para esperar”, por si e pelo disco.

Sobram ainda aqueles que o acompanham desde sempre, do tempo dos bares e mais tarde das covers nacionais e internacionais, como a que fez de um tema de John Legend e que o próprio partilhou no seu Twitter como uma das dez melhores versões feitas em todo o mundo. Para o mundo, neste caso o dos seus fãs, poderá vir, no futuro, a oferecer temas noutras línguas que não a portuguesa. “Faria isso mais para compensar fãs estrangeiros, pessoas que me enviam mensagens. Se corresse bem, quem sabe talvez pudesse ter uma carreira internacional, se não, serviria para me aproximar mais deles.” 

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