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Prémio Pessoa reconhece trabalho de Henrique Leitão
“A ciência afecta a imagem que um povo faz da sua história”, disse ontem Henrique Leitão

Prémio Pessoa reconhece trabalho de Henrique Leitão

“A ciência afecta a imagem que um povo faz da sua história”, disse ontem Henrique Leitão José Sena Goulão/Lusa Jornal i 28/05/2015 12:36

Investigador é professor na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.

O investigador Henrique Leitão, que ontem recebeu o Prémio Pessoa 2014, alertou para a falta de especialistas em história das ciências, lembrando que o modo como se faz ciência “afecta a imagem que um povo faz da sua história”. Para o historiador da ciência antiga portuguesa, “a questão principal não é saber se a ciência realizada em Portugal foi melhor ou pior, se foi mais ou menos”, mas, “muito mais simplesmente, em saber exactamente o que foi feito, como e porque tomou essa conformação específica”.

Oinvestigador considera que seria lamentável que, pela simples razão de não sermos capazes de analisar e interpretar um certo conjunto de documentos históricos de estudo especialmente difícil, aceitássemos ou propuséssemos uma ideia muito equivocada sobre a nossa própria história.

Na cerimónia de entrega do galardão, presidida pelo Presidente da República, o docente referiu que “a ciência, o modo como historicamente esta foi ou não praticada, afecta, de maneira determinante, a ideia de construção de modernidade, a imagem que um povo faz de si próprio e da sua história”, bem como “a imagem que projecta para fora”.

Por detrás de questões tão arcanas e rebuscadas como a resolução de equações do século XVI ou as complexidades da astronomia teórica do século XVII, o académico considera que inevitavelmente acaba por ser construída uma certa imagem histórica de um país.

O investigador, doutorado em Física Teórica pela Universidade de Lisboa, realçou que “são muito poucas” as pessoas em Portugal, e também no mundo, “com as competências necessárias” para fazer a história das ciências, dada a “combinação peculiar de capacidades históricas, científicas, matemáticas, linguísticas, filosóficas” que, “nos actuais sistemas de ensino, correspondem a carreiras completamente separadas”.
O problema que ainda hoje se nos depara, para o prémio Pessoa deste ano, “é um desafio sobretudo académico, um desafio de erudição (...). Responder a este desafio está inteiramente do nosso lado”, sustentou, evocando a falta de estudiosos com competências técnicas, filológicas e conhecimentos históricos para analisarem a ciência portuguesa e a sua relação com as tradições islâmica e hebraica.

O Prémio Pessoa, no valor de 60 mil euros, é uma iniciativa do semanário “Expresso” com o patrocínio da Caixa Geral de Depósitos, sendo atribuído anualmente desde 1987, num reconhecimento do papel de uma personalidade portuguesa na vida artística, literária ou científica do país.

Henrique Leitão tem 50 anos e é investigador principal no Centro Interuniversitário da História das Ciências e Tecnologia e professor na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa. Foi o 28.o galardoado por um júri liderado por Francisco Pinto Balsemão, presidente do grupo Impresa – que detém o “Expresso” –, que considerou que, no seu percurso profissional, o cientista “combina a sólida formação científica com um conhecimento humanista que o torna um verdadeiro cultor da interdisciplinaridade”.

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