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Feira do Livro. As escolhas de quem escreve em bom português
A 85.ª edição da Feira do Livro começa agora e termina dia 14 de Junho

Feira do Livro. As escolhas de quem escreve em bom português

A 85.ª edição da Feira do Livro começa agora e termina dia 14 de Junho José Paiva Capucho 28/05/2015 08:00

Até 14 de Junho é possível que se cruze com algum destes 12 autores no Parque Eduardo VII. 

Alice Vieira ainda chora uma edição antiga, José Eduardo Agualusa acaba de perder um volume de poesia de Mia Couto, José Mário Silva suspira por títulos raros para a sua colecção sobre xadrez. Lançámos perguntas à volta dos livros, registámos as respostas e recomendamos que tire notas para as suas compras.

Alice Vieira

Que livro perdeu e nunca mais encontrou?
Perdi a minha edição antiga do “Coração”, de Edmondo de Amicis, e nunca mais a encontrei. Choro por ela ainda hoje.

Há alguma obra que nunca terminou de ler?
Todos os anos tento ler o “Ulisses”, de James Joyce, e ainda não consegui acabá-lo.

Este ano vai ao Parque Eduardo VII em busca de alguma literatura em especial?
Gostava de encontrar este ano, nem que fosse num dos alfarrabistas presentes na Feira, o “Clarissa”, do escritor popular brasileiro Érico Veríssimo. Lia-se muito quando eu era criança e estava sempre presente nos nossos manuais escolares, em edições brasileiras. É o livro da minha vida.

Ana Maria Magalhães

Recomenda alguma leitura para a estação do ano que se aproxima?
O “Rainhas Malditas”, de Cristina Morató, uma leitura ligeira para um dia de Verão.

Que livro raro gostava de ter nas suas estantes?
O “Caetés”, do escritor brasileiro Graciliano Ramos. Li-o há muitos anos porque cresci ao lado da literatura brasileira e, se aparecesse numa alfarrabista, iria logo comprá-lo.

Alguma obra portuguesa que não faça parte da sua biblioteca pessoal e de que vá à procura nesta edição da Feira doLivro?
Como toda a gente, gostaria de ter uma primeira edição de “Os Lusíadas”, de Luís de Camões. Mas irei percorrer de cima a baixo toda a feira e ver o que encontro.

Afonso Cruz

Que livro perdeu e nunca mais encontrou?
O livro “Cidadela”, de Antoine de Saint--Exupéry, que perdi, e depois de ter feito uma entrevista, há muito pouco tempo, duas pessoas enviaram-me cópias para casa.

Que vai tentar comprar este ano na Feira?
Seria muito bom comprar o livro mais recente do escritor açoriano Joel Neto, 
“Arquipélago”. Estou muito curioso para o ler.

Algum livro do outro lado do mundo que destaque?
Um livro muito difícil de encontrar, o “Masnavi”, do poeta persa Jalal ad--Din Muhammad Rumi, porque tem histórias muito bem conseguidas que se tornaram património popular da Ásia Central. Foram adaptadas para diversos contos mundiais e até contos portugueses. É considerado o “Alcorão persa”, de uma beleza muito grande, escrito por um homem muito à frente do seu tempo, com grande tolerância religiosa.

Isabel Stilwell

Nos últimos tempos, destaca algum livro que gostaria de ler?
O livro “Bésame Mucho”, de Carlos González, um pediatra que apresenta teorias alternativas, e gostaria de ler para perceber se concordo com ele ou não.

Alguma obra importante na sua infância que gostava de ter actualmente?
Uma primeira edição do livro “Winnie the Pooh”, de Alan Alexander Milne, um livro de infância que a minha mãe me lia a mim e aos meus irmãos.

Que livro recomenda aos pais?
“Flores Mágicas”, de Jon Arno Lawson e Sidney Smith, que tem ilustrações, sem texto. Adoro ilustrações e é muito bom para os pais lerem aos filhos e retirarem prazer dessa experiência.

José Eduardo Agualusa

Que livro perdeu e nunca mais encontrou?
Muitos.Perco livros o tempo todo, a maioria em aviões e quartos de hotel.Recentemente perdi o novo livro de poesia do Mia Couto, “Vagas eLumes”.Tive de comprar outro e terei de pedir novo autógrafo.

Um livro raro que queria ter na sua colecção?
Faço colecção das primeiras edições do Luandino Vieira, escritor angolano, e gostava de ter os que me faltam. E gostava de ter um livro meu, o “ Lisboa Africana”, que escrevi com a fotógrafa Elza Rocha e o jornalista Fernando Semedo, com fotografias e ilustrações.

E nesta edição da Feira do Livro, do que vai à procura?
Seria muito interessante encontrar os “Exercícios de Crueldade”, de Ruy Duarte de Carvalho, da &etc, uma editora que não faz reedições.

João Ricardo Pedro 

Está à espera de que lhe devolvam alguma obra até hoje?
O “À Espera de Godot”, de Samuel Beckett. Emprestei-o a uma pessoa e nunca mais o vi, nem a ele nem à pessoa.

Que livro gostaria de ter e ainda não tem?
Uma boa edição do livro “Guerra e Paz”, de Leão Tolstoi. Já o li mas, como são caras, nunca comprei.

Destaca algum livro que ainda não teve tempo de folhear?
O último de Javier Marias, “Os Enamoramentos”, porque já li outras obras e ele escreve de uma forma muito inteligente, algo que admiro muito.

 

José Luís Peixoto

 

Tem algum livro raro que pouca gente saiba?
Um dos livros mais raros que tenho, felizmente, e que pouca gente sabe, é do Herberto Helder, 
“Apresentação do Rosto”, dos anos 60. Quando o comprei, outras obras do poeta estavam nas mesmas circunstâncias, impedidas de serem reeditadas.

Dos romances portugueses recentes, qual escolheria?
O último romance do João Tordo, “O Luto de Elias Gro”, que saiu há pouco tempo, porque li um livro dele, “O Bom Inverno”, e fiquei com vontade de ler mais obras de um contemporâneo meu.

Quando visitar a Feira do Livro, irá à procura de que obra?
O “Viagem à Volta do Meu Quarto”, de Xavier de Maistre. Tenho curiosidade de o ler há muitos anos, e fala do quarto como um lugar estranho, uma metáfora para o olhar que temos quando fazemos viagens.

José Mário Silva

Qual o livro que gostava de ler mas ainda não conseguiu?
“Em Busca do Tempo Perdido”, de Proust. É um daqueles clássicos que adiamos para “quando tivermos tempo” e nunca temos. Gostava de dedicar um Verão ao Proust.

Que livro ofereceria este ano na Feira doLivro?
“Benoni”, primeiro romance de Alexandre Andrade. Gostaria de ter um exemplar para oferecer a amigos ou família.

Que livro raro queria ter na sua colecção?
Tenho vários livros numa biblioteca de xadrez e gostaria de ter uma 1.ª edição do “Questo Libro e da Imparare Giocare a Scachi: Et de Belitissimi Partiti”, do teórico português Damião de Odemira.

Lídia Jorge

Que obra considera esquecida nos últimos tempos?
O “Coração Solitário Caçador”, da escritora americana Carson McCullers, um livro fundamental e esquecido quando se fala em escritores americanos. Fala sobre a solidão do amor, a impossibilidade de atravessar essa fronteira, mas com uma forte mensagem de solidariedade.

E nesta edição da Feira do Livro, do que vai à procura?
Gostava de encontrar o livro “Noite Dentro, Moçambique e Outras Narrativas”, do escritor francês Laurent Gaudé. Tem várias situações que exemplificam a relação entre a Europa e a África, um conto extraordinário sobre a escravatura.

Que livro gostaria de ter e que ainda não tem?
Uma boa edição de “A Divina Comédia”, de Dante, em português. 

Maria do Rosário Pedreira

Já perdeu algum livro no seu dia-a-dia?
Perdi o “Porto Sudão”, autografado pelo autor, Olivier Rolin, numa mudança de casa, num daqueles caixotes cheios de livros que nunca chegaram a vir.

Um livro raro que queria ter na sua colecção?
“A Faca Não Corta o Fogo – Súmula & Inédita”, de Herberto Helder. Tenho quase todos os livros dele e custa-me não ter conseguido adquiri-lo.

Vai procurar algum título em particular nesta edição da Feira?
O livro da poetisa Filipa Leal, o “Adília Lopes Lopes”. Considero-a um nome promissor da poesia portuguesa e gosto muito de Adília Lopes. Quero perceber como se desenrola a relação entre uma poetisa jovem e outra mais velha.

Nuno Camarneiro

Que livro perdeu e nunca mais encontrou?
Deixei o “Cem Anos de Solidão”, de Gabriel García Márquez, no aeroporto da Portela, em Lisboa, e nunca mais o encontrei. Mas se alguém ficar feliz por encontrá-lo, não fico triste.

Que livro é que lhe falta na sua colecção predilecta de livros?
Uma primeira edição do “Dom Quixote”. É um dos meus livros preferidos e gostava muito de a ter, mas sei que nunca vai acontecer.

Qual o clássico que ainda não terminou?
“O Homem Sem Qualidades”, de Robert Musil. Ainda não consegui terminá-lo e estou sempre a tentar arranjar tempo para o fazer. É um dos grandes clássicos, mas obriga a uma enorme entrega.

Algum livro publicado há pouco tempo que queira comprar?
O último livro do Umberto Eco, “Número Zero”, porque já li os outros e gostava de ler este.

Ana Luísa Amaral

Que livro único gostaria de ter em sua casa?
As poesias de Sophia de Mello Breyner de 1949, ou a 1.ª edição das 
“Novas Cartas Portuguesas”, de 1972, um livro que já trabalhei num projecto académico, “Novas Cartas Portuguesas: 40 Anos Depois”, com outros investigadores.

Qual o livro que gostava de ler mas ainda não conseguiu fazê-lo?
O mais recente do Mário de Carvalho, “Quem Disser o Contrário é Porque Tem Razão” (Letras sem Tretas – Guia Prático de Escrita de Ficção). Ele é muito inventivo, tem uma imaginação prodigiosa e um cuidado com a língua especial.

Que livros de autores portugueses gostaria de comprar na Feira do Livro?
Seria muito bom conseguir comprar as primeiras edições de livros de António Ramos Rosa, Alberto Pimenta e Nuno Júdice. 

 

 

 

 

 

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