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“Timbuktu”. Nada de guitarras, só armas

“Timbuktu”. Nada de guitarras, só armas

Clara Silva 27/05/2015 20:38

Filme de Abderrahmane Sissako com Ibrahim Ahmed, Abel Jafri, Toulou Kiki.

*** estrelas 

Houve aqui uma confusão. Quem começa a ver “Timbuktu” à espera de um documentário sobre o festival de música que se realizava nas redondezas da cidade maliana, o Festival Au Désert, está muito enganado. Nós estávamos. Nada de guitarras, só armas e uma cena poética de uma caça à gazela no meio do deserto como arranque.

Afinal não estamos a ver “The Last Song Before The War”, o documentário de Kiley Kraskouskas sobre o festival que aconteceu durante 12 anos debaixo do céu de Timbuktu até que os fundamentalistas islâmicos tomaram conta da região e proibiram qualquer tipo de música.

Estamos em “Timbuktu”, o filme de ficção que chegou aos Óscares e que se centra na própria ocupação jihadista na zona e na sua imposição das ridículas leis que obrigam até uma mulher que vende peixe a não mostrar as mãos. Quer isto dizer que há que desligar expectativas e amplificadores em relação ao festival e centrarmo-nos noutras canções.

O filme do realizador da Mauritânia Abderrahmane Sissako pode ser vagamente parado, mas era a reflexão necessária sobre a brutalidade que tem acontecido no Mali – dando até um toque de humanismo ao fundamentalismo. Talvez por isso, e pouco depois do ataque ao “Charlie Hebdo”, o filme foi proibido num subúrbio de Paris por “incitar ao terrorismo”, consideraram.

Sissako diz ter-se inspirado no apedrejamento público de um casal em 2012, por adultério, para a história que chegou a concorrer à Palma de Ouro em Cannes e ao Óscar de Melhor Filme Estrangeiro. Depois disto, ainda não esquecemos o festival e aguardamos por “Return to Timbuktu”, o documentário de Michael Meredith com a ajuda de Wim Wenders, que deverá estar pronto este ano e levou músicos de regresso à região.

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