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OCDE. Fosso entre os mais ricos e os mais pobres nunca foi tão elevado no mundo

OCDE. Fosso entre os mais ricos e os mais pobres nunca foi tão elevado no mundo

Jornal i 22/05/2015 09:00

Os 10% mais ricos ganham quase dez vezes mais que a população mais pobre do planeta.

Um relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) divulgado ontem revela que nos 34 países da OCDE 10% da população mais rica ganha 9,6 vezes mais que os 10% mais pobres. A organização avisa que estas desigualdades são prejudiciais, a longo prazo, para o crescimento económico.

No relatório “Why less Inequality Benefits All” a organização volta a afirmar que, em muitos países, o fosso entre as pessoas mais ricas e as mais pobres é o maior dos últimos 30 anos. “Hoje, nos países da OCDE, os 10% mais ricos da população ganham 9,6 vezes mais que os 10% mais pobres. Na década de 1980 o rácio estava nos 7:1, subiu para os 8:1 nos anos 90 e para os 9:1 nos anos 2000”, lê-se no documento. AOCDEdestaca que em algumas economias emergentes, particularmente na América Latina, as desigualdades de rendimento diminuíram, mas o fosso permanece genericamente mais elevado que na média dos países que compõem a organização.

“Durante as crises, as desigualdades de rendimento continuaram a aumentar, principalmente devido à quebra no emprego; a redistribuição através dos impostos e as transferências compensaram parcialmente as desigualdades”, aponta a OCDE.
“No entanto, no extremo inferior da distribuição de rendimentos, a renda familiar real caiu substancialmente nos países mais atingidos pela crise”, acrescenta. A organização sublinha que, além do impacto na coesão social, as crescentes desigualdades são prejudiciais ao crescimento a longo prazo.

Emprego em part-time Mais de metade dos empregos criados nos últimos 18 anos são a tempo parcial, contratos a termo ou trabalho independente, conclui  o mesmo documento da OCDE.

O estudo, apresentado ontem em Paris, assinala ainda a necessidade de os países se preocuparem com as condições de trabalho, alertando para o aumento das pessoas que apenas trabalham a tempo parcial, com contratos de duração limitada ou como trabalhadores independentes. “Entre 1995 e 2013, mais de metade de todos os empregos criados nos países da OCDE eram de uma destas categorias. Os trabalhadores pouco qualificados com contratos temporários, em particular, têm rendimentos muito mais baixos e mais instáveis que os trabalhadores permanentes”, adianta o estudo. Os mais novos são os mais afectados, com 40% dos jovens a ocupar empregos atípicos. Cerca de metade dos trabalhadores temporários tem menos de 30 anos. Os jovens são também menos susceptíveis de passar de um trabalho temporário para um emprego permanente e estável.

“Os dados mostram que as fortes desigualdades prejudicam o crescimento. A acção política deveria ser motivada tanto por razões económicas como por razões sociais. Ao não atacarem o problema da desigualdade, os governos enfraquecem o tecido social e comprometem o crescimento económico a longo prazo”, disse ontem o secretário--geral da OCDE, Angel Gurría.

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