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As histórias do lado gay da História da América
Em 2014, Kramer foi nomeado para um Emmy por “The Normal Heart”

As histórias do lado gay da História da América

Em 2014, Kramer foi nomeado para um Emmy por “The Normal Heart” Mike Blake/Reuters Ana Tomás 18/05/2015 10:14

“The American People: Volume 1”, de Larry Kramer, quer mostrar a homossexualidade para lá da narrativa oficial.

Há 23 anos, a Organização Mundial de Saúde (OMS) retirava a homossexualidade da sua lista de doenças mentais. O percurso está, no entanto, longe de terminar, seja pela existência de leis homofóbicas em certos países, seja pelo preconceito social que ainda persiste em algumas sociedade, mesmo com alterações legais. A título de exemplo, o Observatório da Discriminação em função da Orientação Sexual e Identidade de Género, elaborado pela ILGA, registou em Portugal, no ano passado, mais de 400 denúncias de crimes contra lésbicas, gays, bissexuais ou pessoas transgénero e transexuais, de insultos e ameaças, passando pela violência psicológica e agressões físicas. O dia 17 de Maio, data da alteração feita pela OMS, continua, por isso, a ser assinalado como o Dia Mundial de Luta Contra a Homofobia e Transfobia.

E a discriminação faz-se também na história, segundo Larry Kramer. O premiado dramaturgo e argumentista e activista dos direitos LGBT é o autor do livro que está a dividir os Estados Unidos. “The American People Vol. 1: Search for My Heart” lança teorias sobre a real orientação sexual de figuras históricas como George Washington e Abraham Lincoln, Mark Twain ou Herman Melville, numa tentativa de trazer à tona aquilo que, na perspectiva do escritor, a história oficial não tem querido contar: a homossexualidade.

O livro é apresentado como um romance – rótulo atribuído por razões legais, de acordo com o “New York Times” –, mas o autor diz que não o considera ficção. À mesma publicação, Kramer afirma que a obra, que lhe levou quase 40 anos a fazer, acaba por ter, para si, o mérito de abordar a exclusão da homossexualidade na História. “A maioria foi escrita por pessoas heterossexuais. Nunca foi escrito um livro de História em que os gays fossem referidos, desde o início. É ridículo pensar que não existíamos antes”, sustenta.

Parte dos críticos (investigadores incluídos) de “The American People Vol. 1” defendem que o livro de 800 páginas carece de fundamentação histórica que determine, com certeza, que algumas das figuras citadas eram homossexuais não assumidos. Contudo, há quem também sublinhe que o principal contributo do livro está no facto de lançar a discussão em torno do tema. Cronologicamente, dizem alguns, tende-se a recuar até Oscar Wilde, e não mais atrás do que isso, nas referências a figuras históricas homossexuais.

No primeiro volume, “The American People” vai da fase pré-colombiana à Segunda Guerra Mundial, passando pelos puritanos, pela revolução americana e pela guerra civil. Kramer, co-fundador da organização de combate à sida Gay Men’s Health Crisis, também usa o livro para falar do vírus que, na obra, se vai revelando vários séculos antes de ser descoberto. O primeiro volume refere, a par da sífilis e da hepatite, uma doença obscura que só adquire o nome de sida no segundo volume, a sair em 2017, que traz a história até ao presente. E este, para Kramer – também autor de “Faggots” (2000) –, faz-se lembrando séculos de ostracismo, ódio, perseguições e marginalização. Como diz, citado pelo “Guardian”, “é óptimo que nos possamos casar, mas isso é pouco comparado com o que não temos, que é a igualdade”.

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