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Grupo TAP. Governo recebe três propostas e “tudo fará” para acelerar venda
O governo recebeu três propostas para a compra da TAP

Grupo TAP. Governo recebe três propostas e “tudo fará” para acelerar venda

O governo recebeu três propostas para a compra da TAP António Pedro Santos Filipe Paiva Cardoso 15/05/2015 21:21

Governo vai tentar despachar a avaliação das propostas o mais rápido possível.

O governo confirmou na noite desta sexta-feira ter recebido três propostas para a compra do grupo TAP, propostas essas com a assinatura de Paes do Amaral, David Neeleman e German Efromovich, nomes que todavia o executivo não quis confirmar. Para o governo, a venda da TAPé“um objectivo que o país persegue há mais de 15 anos”, conforme disse Sérgio Monteiro, secretário de Estado dos Transportes. 

Sem avançar com detalhes concretos sobre as propostas, não só por razões de confidencialidade mas por estas ainda estarem a ser analisadas pela Parpública, o governante apontou apenas que este “é um processo muito importante para a TAP, daí que este dia represente uma nova esperança para empresa, os seus trabalhadores e para o país”. O secretário de Estado referia-se à “esperança de ver a TAPcrescer, capitalizada e em condições de concorrer com os seus pares europeus”.

Parpública estava convicta de que TAP iria retomar trajectória positiva dada a retoma e o aumento da procura 

É de notar porém que aTAP registou um forte crescimento nos últimos anos, resistindo ao incremento da concorrência ao ponto de registar um crescimento médio anual de 6% no total de passageiros transportados desde 2004. Sérgio Monteiro ainda se queixou do “muito ruído interno”que a venda da TAPestá a provocar, saudando “termos três propostas concorrentes que permitem agora um ambiente competitivo” na próxima fase da privatização, que pode passar pela negociação directa com os candidatos isto no caso de mais do que uma das candidaturas ser aprovada. 

Em relação aos próximos passos deste dossiê, caberá agora à TAPe à Parpública avaliar as propostas, que incluem duas vertentes:a financeira e a técnica. Esta análise tem que ser feita em cinco dias para que não surjam atrasos no calendário decidido pelo executivo:“Tudo faremos para ter o contrato assinado até final de Junho, para a TAPter acesso a capital no mais curto espaço de tempo possível.”A proximidade das eleições legislativas e o facto do PS ser contra este modelo de venda estarão também a pesar na decisão de despachar o processo o mais rápido possível.

Dos três interessados que avançaram com propostas, dois, David Neeleman e German Efromovich, estão já presentes na aviação. Oprimeiro fundou a Azul, companhia brasileira low-cost com 21 milhões de passageiros anuais, e Efromovich detém a Avianca, cujos dois ramos, um no Brasil e outro na Colômbia, transportam mais de 35 milhões de passageiros. Segundo explicou David Neeleman ao “Estado de São Paulo”, a TAP“tem um tráfego forte para o Brasil. Podemos fazer muitas coisas interessantes integrando a operação da TAP com a Azul.”

O que querem os interessados A principal actividade da TAP, o transporte de passageiros, registou um crescimento de 100% nos últimos dez anos, período em os proveitos saltaram de 1,4 mil milhões de euros para 2,8 mil milhões de euros e em que os 6,4 milhões de passageiros anuais saltaram para 11,4 milhões. 
ATAPé hoje a principal companhia aérea nas ligações entre a Europa e o Brasil, sendo vista como “um centro nevrálgico” da operação da StarAlliance – associação de companhias aéreas – e apresentada por esta aliança, liderada pela Lufthansa, como “a principal transportadora internacional a voar para o Brasil”.

Efromovich, Neeleman e Paes do Amaral entregaram ontem propostas para comprar o grupo TAP

Este é um país que recebe cerca de seis milhões de turistas anualmente e que todos os anos emite quatro milhões de turistas em direcção à Europa – números que devem crescer bastante nos próximos anos. Não é assim por acaso que desde 2009 o transporte aéreo da TAP tenha acumulado mais de 136 milhões de euros de lucros. E para onde foi o dinheiro?Palavra à Parpública, holding que detém as participações do Estado e que avaliará as propostas pela TAP:“A evolução do negócio da manutenção no Brasil (...) tem sido suficientemente negativa para anular os lucros obtidos no negócio do transporte aéreo.” A aposta em negócios que não o transporte de passageiros – decisão que aliás contrariou as indicações dadas por Bruxelas aquando da injecção de capital na TAP, em 1994 – acabou por passar uma factura bem elevada à empresa, com a manutenção do Brasil a ser responsável por mais de metade dos prejuízos.

Os resultados de 2014 têm sido também apontados como justificativos da opção e na urgência de privatizar a empresa, dadas as dificuldades financeiras. Mas os problemas que arrastaram a TAPpara prejuízos em 2014 “estão essencialmente associados a factores extraordinários”, admite aParpública, onde refere também que os problemas de liquidez se devem à retenção de capital daTAPnaVenezuela e Angola [ver em baixo].

A Parpública aponta ainda que “um adequado alinhamento de todos os intervenientes com os reais interesses do grupo, dos trabalhadores e da economia nacional” bastaria para evitar a degradação das contas da companhia no futuro. Este alinhamento, “associado às perspectivas positivas existentes face à evolução do transporte aéreo a nível internacional, à consolidação da retoma em Portugal e ainda a expectativa de que tenham sucesso as estratégias para a reestruturação de negócios deficitários, permitem sustentar a convicção de que o grupo será capaz de retomar uma trajectória positiva”, mesmo no “ambiente volátil e desafiador” que é a aviação.

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