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Iris Apfel. Who’s that girl?

Iris Apfel. Who’s that girl?

Maria Ramos Silva 13/05/2015 17:40

Empresária, designer de interiores, ícone de estilo. Aos 93 anos, com os seus omnipresentes óculos redondos, é objecto de um documentário, “Iris”, que se estreou nos EUA.

Vêmo-la a socializar com Bruce Weber, Jenna Lyons e Kanye West, protegida pelas paredes do seu apartamento em Park Avenue; em pleno Harlem a escolher pulseiras; ou a vasculhar as melhores ofertas de uma loja vintage em Palm Beach, onde também tem casa - decorada o ano inteiro com temas natalícios. Reconhemos as armações redondas avantajadas, normalmente pretas, o batom vermelho-vivo, a criatividade e a irreverência no aprumo - “uma improvisação como no jazz” - que desafia todos os ditames das passerelles.

“Não sou uma minimalista, como de certeza já repararam”, é apenas uma das muitas frases atribuídas à nonagenária do momento. O “pássaro raro da moda”, como é conhecida Iris Apfel, chamou a atenção de Albert Maysles, que com o irmão dividiu os créditos de “Gimme Shelter”, e que percebeu o valor da musa como objecto do documentário mais cool dos últimos tempos.

Mas o filme realizado por Mayses, que morreu em Março, antes da estreia, aos 89 anos, esteve perto de nunca chegar a acontecer. Por uma razão simples: quando abordada pela primeira vez, Iris respondeu “não”. Até que a sua amiga Linda Fargo conseguiu convencê-la. “Deves estar louca. As pessoas seriam capazes de dar a vida só para Albert lhes tirar uma foto e tu não queres fazer um filme com ele?” Assim foi. As suas idiossincrasias, incompatíveis com a banalidade da moda corrente, passaram ao ecrã. E disputar popularidade com o visual de Mr. Magoo nunca pareceu tão apetecível.

A “Vanity Fair” recorda as raízes da miúda nascida em Astoria, Queens, Nova Iorque, cujo mediatismo poderia não ter passado de um sonho se a beleza fosse a qualidade mais decisiva do mundo. Mas não é. Certo dia, Frieda Loehmann, a dona dos famosos armazéns com o mesmo nome, deixou o seu veredicto a Iris.

“Não és bonita nem nunca serás, mas isso não importa. Tens algo muito mais importante: tens estilo.” E pouca paciência para amadurecer frente a uma mesa de canasta rodeada de dondocas ociosas, como garantiu ao site Jezebel a biografada que jamais ficaria bem no restrito papel de dona de casa.

A verdade é que o estrelato demorou a chegar. A generalidade das “it girls” depende da frescura da pele para andar nas bocas do mundo. Apfel já dobrara os 80 anos e exibia com orgulho várias rugas quando em 2005 inspirou uma exposição no Met, que a catapultou para a linha da frente dos olhares do grande público. Para trás ficava uma vida de trabalho e viagens, agora com tempo para se dedicar por inteiro à combinação improvável de peças de roupa.
Iris estudou Arte na Universidade de Nova Iorque e aprendeu as primeiras lições sobre moda na bíblia da indústria da especialidade, a Women’s Wear Daily. Corria o ano de 1948 quando a menina Barrel, apelido de família, conheceu o marido,

Carl Apfel, com quem haveria de correr mundo no encalço de móveis e outras peças para vender aos seus clientes, abdicando de uma família mais alargada, e o centésimo aniversário do marido é captado no documentário. “Há muito tempo que aprendi que não se pode ter tudo. Eu queria uma carreira, queria viajar. E não queria que os meus filhos fossem criados por uma ama. Foi decisão minha não os ter”, confessou à “New Yorker”.

Juntos fundaram a fábrica de têxteis Old World Weavers, gerida pelo casal até 1992, quando se reformaram. Os préstimos da empresa foram requisitados por nove presidentes dos EUA, de Truman a Clinton, para remodelações na Casa Branca.

Pouco antes de se estrear no cinema, Apfel deu que falar pelo seu mais recente projecto: o regresso à escola. Em 2012, com 90 anos, tornava--se professora convidada na Universidade do Texas, em Austin, liderando um programa orientado para alunos de Design e da indústria da moda. Foi nessa altura que Albert Mosley decidiu contar o resto da história de Iris, que o ano passado pôs à venda 800 peças de decoração e acessórios da sua colecção pessoal através da One King’s Lane.

Next? Muita coisa por vir. Apfel está a trabalhar em mais uma colecção de malas, uma outra de jóias e ainda anda de volta de um novo livro. “Está muita coisa a acontecer”, disse à “Vogue” a ilustre fashionista que continua a partilhar a água de colónia Yagatan com o seu companheiro, e que apesar da imensidão do seu guarda-roupa, não tem dificuldade em eleger a peça mais importante da sua vida, como partilhou com a The Coveteur. “Ainda tenho o vestido que usei no primeiro encontro com o meu marido, há mais de 66 anos. Ainda o guardo e ainda me serve.”

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