25/9/18
 
 
António Cunha Vaz 12/05/2015
António Cunha Vaz

opiniao@newsplex.pt

Moralidades

Tenho visto, lido e ouvido em alguns meios de comunicação social um indivíduo que dá pelo nome de Paulo Morais, às vezes, ou Paulo de Morais, nos cartazes da sua suposta candidatura à Presidência da República

Há a moral e as morais. Um pouco como a Liberdade e as liberdades. Quem sou eu para falar de moral ou, mesmo, das disciplinas que lhe são próximas? Quem é qualquer um para delas falar? Quem é qualquer um para pregar a dita? Postas as coisas de outra forma, já se dignaram, os leitores, a pesquisar um pouquinho sobre o passado de quantos pregam moral. E somos tantos! Somos, sim! Porque se por vezes tento escapar à tentação de o fazer, embarco o mais delas no embalo de opinadores, jornalistas, facebookers, entre outros cidadãos exemplares e desato a papaguear sermões.

Mas, confesso, espanta-me como é fácil dizer mal de terceiros em situações que raiam o inadmissível. Claro que à luz de qualquer vigarista o que ele próprio faz não são vigarices. Lembro-me, certo dia, que um indivíduo me passou três cheques. Ao depositar os dois primeiros tive a surpresa de serem cheques sem provisão. Com o cuidado devido informei o indivíduo em causa de que iria depositar o terceiro cheque e a resposta que obtive foi: “Isso é uma desonestidade da sua parte porque sabe muito bem que o cheque não tem cobertura”. O referido indivíduo perorava frequentemente perante tertúlias diversas sobre as virtudes que se atribuía.

Tenho visto, lido e ouvido em alguns meios de comunicação social um indivíduo que dá pelo nome de Paulo Morais, às vezes, ou Paulo de Morais, nos cartazes da sua suposta candidatura à presidência da república. Creio que o país ainda não está tão mal que lhe permita arranjar as sete mil e quinhentas assinaturas necessárias ao parto da dita candidatura.

Mas o que mais me preocupa é que estes movimentos populistas colocam etiquetas em todos os concidadãos, promovendo a sérios não só os seus mentores como, também, uma tropa que a eles se junta. Já o facebook e as restantes redes sociais, blogs incluídos, servem hoje para alimentar intrigas sem punição, sendo locais em que a liberdade de cada um é desrespeitada porque é violada pela suposta liberdade alheia.

Opinador é todo aquele que opina. Não é o comentador de televisão, o candidato à presidência da república, o pivot de telejornal, o jornalista de imprensa ou de rádio, o político da oposição, o banqueiro com blogue ou sem blogue, o facebooker mais fervoroso. São todos eles. A opinião, sendo livre, deve respeitar regras. Quem afirma o que quer deve provar o que afirma. Ou responder por isso.

Segundo alguns, os banqueiros, esses, são todos ladrões. Os políticos? Bem, esses então, cambada vigaristas, estão lá é para se encher, etc, etc.  Os jornalistas? Ui!!! Ou estão comprados, ou servem interesses, ou é só amiguismos… Enfim, o chorrilho de disparates que se lê nas redes sociais, os posts e comentários partilhados em rede – tipo D. Branca – é tremendo para tudo e para todos.

Nos últimos dias vivi duas situações do género, que mostram bem a mesquinhez das pessoas e, portanto, os perigos para a democracia desta imensa massa humana, que “politíca”, comenta, opina, e, até, jornalista (do verbo jornalistar).

Um “postador de facebook” atacava um político que o apadrinhou sempre, porque desta vez o tinha deixado cair. Outro “postador” assegurava a pés juntos aos seus fiéis seguidores que os bancos são todos iguais, os banqueiros pior ainda, o nosso dinheiro está em perdido ... Até um banqueiro ligado a uma “fraude bancária” escreve sobre as virtudes e os males de outros “colegas”.

É assim que Paulo Morais trata a democracia. Com desrespeito. Espero, sinceramente, que a democracia trate dele.

Empresário
Escreve à terça-feira

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