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Lilian Webber. Quando um vestido é uma arma contra a pobreza
Lillian Webber É o rosto de uma organização que acredita na dignidade

Lilian Webber. Quando um vestido é uma arma contra a pobreza

Lillian Webber É o rosto de uma organização que acredita na dignidade D.R. Marta F. Reis 06/05/2015 15:37

Lillian Weber faz 100 anos no próximo dia 20 de Maio. Todos os dias faz um vestido para uma criança em África.

Começou com um passatempo, tornou--se um exemplo. Nos últimos quatro anos, Lillian Weber costurou mil vestidos que foram doados a crianças africanas através da ONG Little Dresses for Africa. Quase a celebrar o 100.o aniversário, no próximo dia 20 de Maio, a costureira de Bettendorf, no Iowa, promete continuar a fazê-lo. Tornou-se o rosto de milhares de voluntários em todo o mundo que acreditam que um vestido é uma forma de combater a pobreza, dignificando as crianças que, muitas vezes, não têm nada de seu e sendo veículos de educação para a saúde.

A Little Dresses for Africa tem apenas sete anos. Saiu da cabeça de Rachel O’Neil, que não se importa com o protagonismo da sua colaboradora mais velha, mas aceita contar a história ao B.I. Quando fez 50 anos, a assistente da administração de uma empresa de engenharia de Plymouth fez uma viagem a África e voltou com vontade de fazer a diferença. “Depois de ver as dificuldades por que passam tantas pessoas, sobretudo as mulheres, quis encontrar uma forma de lhes prestar homenagem”, explica.

Os vestidos tornaram-se um mimo que, além disso, ajuda a passar mensagens simples às crianças sobre higiene e nutrição. Desde 2008, já enviaram para o continente africano mais de 4 milhões e, entretanto, alargaram o catálogo com calções para rapazes. Também já enviaram peças para meninos carenciados de outras regiões do globo, como crianças afectadas por desastres ambientais na Guatemala, Honduras e México.

Toda a roupa é costurada por voluntários e no site da ONG há instruções para transformar fronhas de almofada em vestidos e t-shirts em calções, ainda que os colaboradores sejam livres de usar a sua criatividade e outros materiais. Rachel explica que optaram por sugerir a reutilização para que mesmo pessoas que não percebem muito de costura possam colaborar, bastando aprenderem a fazer pequenos ajustes. Além disso, é uma forma de diversificar os padrões da roupa e tornar cada peça única e, de preferência, colorida.

Neste momento estão registados 10 mil grupos de costura na ONG e, além de todos os estados norte--americanos, há representantes da Little Dresses for Africa no Canadá, em Inglaterra ou em Itália. “Seria óptimo termos alguém a colaborar de Portugal”, diz a responsável. E mesmo quem não queira meter as mãos na massa pode ajudar o projecto: o envio de cada vestido para o destino custa, em média, dois dólares. Os grupos podem fazê-lo de forma autónoma ou então enviando as peças para a sede da ONG nos EUA, que recolhe donativos em campanhas locais organizadas pelos grupos de costura, mas também através do site www.littledressesforafrica.org, para despachar as encomendas.
Os vestidos são enviados para orfanatos e instituições que dão apoio a crianças em África, mas também para outras regiões mais carenciadas – basta ser feito o pedido da roupa, igualmente através do site da organização. Nem sempre há logo feedback, mas os sorrisos das meninas vestidas por Lillian Weber dizem tudo. Também para fazer uma surpresa à quase centenária, em Março, Rachel regressou a África e levou pessoalmente algumas das peças feitas pela representante do grupo de Bettendorf – que conta com a ajuda de alunos de uma escola local – a uma comunidade em Mataka, no Malawi.

Lillian é uma mulher de trabalho e diz que o faz porque gosta – afinal, costura desde os dez anos. Depois de ter enviuvado em 2007, achou que ser útil seria uma forma de ocupar o seu tempo até chegar aos 100. Com um vestido por dia, está quase lá.

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