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Tim Tebow volta à NFL para o 4º down da carreira. E último?
Tim Tebow, o homem que alterou as regras do futebol americano

Tim Tebow volta à NFL para o 4º down da carreira. E último?

Tim Tebow, o homem que alterou as regras do futebol americano D.R. Filipe Paiva Cardoso 06/05/2015 15:28

O ex-“quarterback do futuro” prepara-se para a sua quarta tentativa de singrar na NFL, liga profissional de futebol americano.

Chegou à NFLem 2010 como estrela, um circo mediático atrás de si e um contrato milionário, graças aos recordes que acumulou e às suas crenças religiosas, que o levaram a passar vários Verões como missionário nas Filipinas. Todos queriam saber tudo de Tim Tebow. Mas o “tudo” foi outro:correu tudo mal e a carreira foi a pique. Em 2013 já era um mero comentador. Agora, sem ninguém prever, assinou contrato com osPhiladelphia Eagles para a época que aí vem, sendo este regresso à NFL, tal como numa jogada de futebol americano, a quarta e última oportunidade. E não será fácil:vai começar lá atrás, com outros quarterbacks (QB) à frente na corrida pela titularidade. Longe vão os tempos de melhor jogador universitário, período em que construiu uma carreira digna de ser apontada como a “next big thing” daNFL.
Tebow nasceu em 1987 nas Filipinas, onde os seus pais, missionários baptistas, estavam em missão. Durante a gravidez, a mãe teve disenteria amebiana e os médicos sugeriram o aborto. Os pais recusaram e a 14 de Agosto nascia em Manila Tim Tebow, o mais novo de cinco irmãos. Por opção dos pais, Tim fez o percurso escolar em casa, algo que seria um entraveà carreira desportiva não fosse a primeira de duas leis que foram rotuladas de “Tebow Rule”:em 1996, o estado daFlorida passou uma lei que permitia que todos os “homeschooled” pudessem participar nas equipas escolares da zona de residência, o que lhe deu acesso à equipa daTrinity Christian Academy, em Jacksonville, onde então já vivia. Nesta equipa, porém, o lugar de QB estava ocupado, tendo Tebow mudado de casa para entrar na equipa da Secundária de Allen D. Nease. E foi aqui que tudo começou: logo na primeira época foi jogador do ano da Florida e os olheiros não mais o largaram. O seu estilo de QB era único, bom a passar e excelente a correr. Na última temporada no secundário ganhou o estadual, foi nomeado para a equipa do ano e ganhou o segundo “Florida Player of the Year” – isto num adolescente que dedicava os Verões a trabalho missionário nas Filipinas, no orfanato fundado pelo pai. Tudo isto conjugado levou a um crescente interesse em Tebow, tendo este sido alvo de uma reportagem da ESPN em 2005:“The Chosen One” era o título. Os media já estavam atentos e o sucesso a nível universitário só despertou mais atenção. Em 2006 foi para os Gators, da Universidade da Florida, onde só no ano seguinte seria titular. Nessa época bateu vários recordes – registos, no entanto, estranhos para um QB, como o de jogador que mais touchdowns marcou em corrida numa época e num só jogo. Mas a função de um quarterback não é passar a bola? É.

Mas Tebow nunca foi um QB tradicional, apostando (muito) mais que o normal na corrida. Com todos os recordes de 2007, tornou-se o primeiro aluno de segundo ano a ganhar o Heisman Trophy – jogador universitário do ano. Oseu estilo de jogo fez com que passasse a ser visto como o protótipo de QB do futuro, pois confundia bastante as defesas, que dificilmente adivinhavam se ia correr ou passar. Oseu percurso e números iam também abafando as vozes dos que iam apontando as suas limitadas capacidades de passe. TimTebow foi QB dos Gators de 2007 a 2010, acumulando dois títulos nacionais, 145 touchdowns em 55 jogos e cinco recordes nacionais, 14 de conferência e 28 da sua universidade. No último ano como universitário veio a segunda “Tebow Rule”:o QB sempre fez questão de levar a sua religiosidade para o campo, escrevendo versículos na graxa que punha por baixo dos olhos. Como na final de 2009, quando escreveu “João 3:16”. Nessa noite, o Google registou 92 milhões de procuras pelo versículo – não é por acaso que Tebow foi eleito um dos cristãos mais influentes dosEUA, ao lado de Chuck Norris. No ano seguinte, a NCAA, federação de desporto universitário, proibiu inscrições na graxa.

Dado o seu registo até então, o salto de Tebow para a NFLfoi natural. Mas a transição foi dura pois, ainda antes de ser escolhido, já era alvo de discórdia:muitos viam nas suas limitações de passe razão para Tebow não ter lugar junto dos profissionais; outros garantiam que ele ia revolucionar o desporto. Os anos deram razão aos primeiros. Foi seleccionado pelos Denver Broncos na 25.a escolha da primeira ronda do draft e foi um sucesso... comercial:bateu o recordede camisolas vendidas ainda antes de a época começar.

Passada a euforia e os estágios, a temporada começou e nada de Tebow. “Jogará quando estiver pronto”, disse o treinador sobre o jogador que, dada a sua carreira universitária, assinou um contrato milionário de 11,25 milhões de dólares garantidos que podiam chegar a 33 milhões se atingisse certos objectivos. Aestreia na NFL deu-se em Outubro de 2010, entrando como suplente e marcando um touchdown em corrida. Oprimeiro passe para touchdown viria em Novembro, naquele que também foi o seu primeiro passe na NFL. A estreia como titular chegaria só em Dezembro e, embora a derrota e os números que conseguiu no jogo não fossem dignos de um super QB, com 50% de passes certos para 138 jardas, certo é que bateu logo um recorde: marcou numa jogada em que correu 40 jardas, o touchdown mais longo feito por um QB dos Broncos em corrida. Aépoca chegaria ao fim tendo Tebow participado em seis jogos como suplente e a titular em três. Mas a tal falta de precisão nos passes foi “o” tema de toda a offseason.
No ano seguinte, em 2011, Tebow voltou a não agarrar a titularidade, mas o mau começo da equipa (1 vitória e 4 derrotas)trouxe a liberdade de arriscar, já que pouco havia a perder. No regresso à titularidade, e depois de três quartos do jogo sem fazer grande coisa, Tebow conseguiu dar a volta ao jogo com osMiami Dolphins, de 0-15 para 18-15. Mas o seu estilo de jogo continuava igual:ganhava quase mais jardas a correr do que a passar e os passes não eram dos mais exactos. Ainda assim, levou os Broncos aos playoffs. Na fase a eliminar, a equipa de Denver perdeu no segundo jogo.

A época terminava e os números não perdoaram Tebow:foi o QB com o mais baixo rácio de passes certos de toda a liga. As dúvidas já eram certezas e o destino intrometeu-se.Peyton Manning, icónico QB dos Colts já com 36 anos, tinha passado a época lesionado e a equipa deIndianapolis desistiu dele, já que no draft garantiram a “rising star” Andrew Luck. Manning foi para osBroncos eTebow perdeu espaço. A partir daqui, a queda acentuou-se.Os Broncos trocaram Tebow para os New York Jets, donos de um QB inconsistente, Mark Sanchéz. Otreinador dosJets prometeu um lugar especial a Tebow, mas nada disso aconteceu. Foi dispensado no final da época. “The end”, escreveu-se então. Mas nem todos desistiram da superestrela universitária, caso dos New EnglandPatriots, cuja posição deQB era (e é)do incontestável Tom Brady. Foi fazer a pré--época com osPatriots, tomou parte em dois jogos--treino mas nada depasses ao nível de um QB daNFL. Ainda antes de a época de 2013 começar, Tebow foi despedido. “The end”, voltou a dizer-se. Assinou contrato para ser comentador de televisão e pronto, a sua carreira iria ser essa. Mas ao contrário do basebol, no futebol americano não são três as oportunidades, mas quatro. E Tebow não esqueceu esse pormenor.

A notícia caiu que nem uma bomba esta pré-época:no mês passado, Tim Tebow foi integrado no plantel dosEagles, com contrato por um ano. OQB caído em desgraça foi primeiro chamado para alguns treinos e o que os responsáveis viram foi suficiente para o querer na pré-época. Porquê?Como?Onde?A explicação veio depois:mesmo afastado de três equipas daNFL, Tebow nunca desistiu de si. Aproveitando o ocaso mediático, contratou Tom House, treinador pessoal de Tom Brady, e passou os últimos dois anos em rigorosos treinos privados. Este ano, House declarou-o apto para a NFL. Resiliência e determinação não lhe faltam, isso é certo. Menos certo é o futuro:os Eagles têm no seu plantel cinco QB e 68 jogadores e, até ao início da época, este número tem de ser reduzido para 53. Ficar neste grupo será o primeiro de muitos.

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