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Ataque no Texas. Congressistas pediram que fosse negado visto a Geert Wilders

Ataque no Texas. Congressistas pediram que fosse negado visto a Geert Wilders

Brandon Wade/AP Joana Azevedo Viana 05/05/2015 09:00

Dois suspeitos que abriram fogo em evento anti-islão no domingo foram abatidos no local.

O incidente, pelas 19h locais de domingo em Garland, no Texas, durou “apenas uns segundos”, contou aos media um agente da polícia da cidade: dois suspeitos conduziram um carro até à escola onde decorria um evento anti-islão e, pouco antes de este terminar, saíram do carro, abriram fogo sobre uma pessoa à entrada do edifício e foram abatidos no local.

O evento “Desenhe Maomé”, para premiar a melhor caricatura do profeta muçulmano com 10 mil dólares, foi organizado por Pamela Geller, presidente da Iniciativa de Defesa da Liberdade Americana (AFDI na sigla em inglês), e foi duramente criticado até à data de acontecer. Era parte da “guerra contra a liberdade de expressão”, palavras de Geller para descrever a iniciativa que muitos jornais e televisões americanos classificaram de “inflamatória” e que atraiu cerca de 150 pessoas ao Curtis Culwell Center, na pequena localidade à entrada de Dallas. 

Antevendo que pudesse vir a ser palco de um ataque ao estilo do que vitimou 12 pessoas no semanário satírico parisiense “Charlie Hebdo”, em Janeiro deste ano, a polícia de Garland destacou alguns agentes para o local. Terá sido isso a impedir que o saldo de vítimas fosse superior: um segurança privado sofreu ferimentos ligeiros no tornozelo e apenas os dois suspeitos perderam a vida.

Ontem, o “New York Times” avançou que um deles era um americano de Phoenix, Elton Simpson, que a procuradoria federal do Arizona acusou em 2010 de planear viajar para a Somália “com o propósito de se envolver na jihad violenta”. Simpson, cujo apartamento na capital desse estado foi ontem alvo de buscas pela polícia e pelo FBI, foi ainda acusado, há cinco anos, de mentir a um agente federal. O juiz a cargo do processo deu razão à segunda acusação e condenou--o a três anos de pena suspensa, mas concluiu que o estado não tinha provas de que o homem estivesse envolvido em práticas terroristas. Até segunda-feira à noite, segundo o mesmo jornal, tanto o corpo que se suspeita ser de Simpson como o outro cadáver permaneciam intocáveis no local do crime, em frente ao edifício que continuava com acesso interdito para a recolha de provas. Joe Harn, porta-voz da polícia de Garland, explicou que os corpos não tinham ainda sido levados porque “estão muito próximos do carro” usado pelos suspeitos, viatura que ontem continuava a ser testada por uma brigada anti-explosivos do FBI.

Entretanto, a conta do Twitter onde foi publicado um post sobre um ataque que ia acontecer no Texas, 15 minutos antes do tiroteio em Garland, foi ontem encerrada pela rede social. Até ao fecho desta edição, o FBI confirmou a identidade de Simpson, mas não a do outro suspeito nem do dono da conta encerrada. Durante a tarde, o tablóide “Daily Mail” garantiu que o autoproclamado Estado Islâmico reivindicou o ataque, mas essa informação também ficou por confirmar.

“Grupo de ódio” Ao longo do dia de ontem, a maioria dos media dos EUA apostou em apresentar perfis completos de Pamela Geller, a “blogger controversa” que o Southern Poverty Law Center descreveu como “a figura mais visível e extravagante do movimento anti-islâmico”, definido pela mesma associação de advocacia sem fins lucrativos como “um grupo de ódio religioso”.

Geller, que começou a sua carreira nos tablóides “New York Daily News” e “New York Observer”, entrou nas casas dos americanos em 2010 quando encabeçou o projecto Park51, perto do ground zero onde, até aos atentados de 11 de Setembro de 2001, existia o World Trade Center. Geller passou a aparecer diariamente na televisão durante os protestos no local, que se tornaram uma campanha levada a várias partes do país contra a construção de um centro comunitário islâmico onde antes se erguiam as Torres Gémeas. Daí, Geller passou a publicar os seus textos anti-islão no blogue Atlas Shrugs, onde se encontram pérolas como a de que o presidente Obama é um muçulmano encoberto que quer destruir os Estados Unidos a partir da Casa Branca e que ela própria é, na realidade, filha bastarda de Malcolm X, um dos mais famosos defensores dos direitos dos negros americanos, que foi assassinado em Fevereiro de 1965.

Com a sua AFDI, co-fundada por Robert Spencer, Geller lançou-se na demanda de “prevenir iniciativas supremacistas islâmicas em cidades americanas”. E seria com essa organização que ganharia fama internacional em 2012, quando um tribunal de Nova Iorque autorizou, em prol da liberdade de expressão, que Geller pusesse a circular anúncios publicitários anti-islão pagos do seu bolso:“Apoie o homem civilizado. Apoie Israel. Derrote a jihad”, dizia um. Até organizações judaicas condenaram a “islamofobia” dos anúncios, o que só aumentou a retórica xenófoba de Geller e o número de anúncios que pôs a circular em Nova Iorque. De tal forma que, na semana passada, a Autoridade dos Transportes Metropolitanos da cidade decidiu banir todos os anúncios políticos e religiosos dos autocarros e carruagens de metro.

Em 2013, o Reino Unido já a tinha proibido, e a Spencer, de entrarem no país para uma conferência anti-islâmica, com o Ministério do Interior britânico a categorizar a AFDI como grupo que “incita ao ódio”. Segundo documentos a que a “Foreign Policy” teve acesso, os membros do Congresso americano Keith Ellison e André Carson tinham escrito ao secretário de Estado, John Kerry, pedindo-lhe que também impedisse o político holandês Geert Wilders de entrar em solo norte-americano. O líder do Partido para a Liberdade – conhecido pelos seu discurso anti-imigração e anti-islão –, que vai começar a ser julgado em breve na Holanda por insultar os marroquinos, conseguiu passar a fronteira para participar como convidado especial no “Desenhe Maomé”, onde discursou durante 15 minutos aos 150 presentes. Recebeu “várias ovações de pé”, descreveu o correspondente do “Daily Beast” no evento.

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