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Não é um veado, não é uma girafa, não é uma zebra. Apresentamos-lhe o OCAPI

Não é um veado, não é uma girafa, não é uma zebra. Apresentamos-lhe o OCAPI

Marta Cerqueira 30/04/2015 19:26

Vivem isolados e mantêm apenas contacto visual. Mas não é por preferir estar sozinho que o ocapi se torna aborrecido. 

Basta a sua aparência camaleónica para chamar a atenção de quem o rodeia. Tem características de outros animais mas é isso que faz dele único. 

Tem riscas como a zebra, a língua comprida como a girafa e um porte semelhante ao do veado. Estas comparações não passam disso mesmo: comparações. O ocapi é uma raça original e mostra isso até na atitude. “Temos três animais da espécie, mas vivem todos separados”, explica a tratadora Anabela Marques, que trabalha directamente com os ocapis há oito anos.

São animais solitários e, no zoo, o único contacto que mantêm com os da mesma espécie é visual, permitido pelas divisões do espaço, feitas de grades. No habitat natural, a cria mantém-se com a mãe durante oito meses; depois disso está preparada para viver sozinha, encontrando--se com os demais apenas para acasalamento. “E mesmo aí, há sempre brigas”, garante a tratadora.

Dos três exemplares que existem no Jardim Zoológico de Lisboa, “Zuri” é o mais novo e aquele que apanhamos no exterior da instalação. “É um animal muito reguila e dá-nos pouca confiança”, explica Anabela, “só há contacto quando ele quer”. Ao recordar os animais que lhe passaram pelas mãos, a tratadora consegue identificar diferenças na postura e na personalidade.

“Acho que o facto de ter nascido no início da Primavera fez com que aproveitasse o sol e a energia para o seu desenvolvimento.” Apesar da pouca confiança dada aos tratadores, não deixa de os surpreender com pequenas coisas do dia-a-dia. Bastou deixar a porta da boxe mal fechada enquanto carregavam o feno para que “Zuri” percebesse logo que conseguia abrir a porta com o focinho. “O que tem de desconfiado tem também de curioso.”

Para lhes ocupar o dia, os tratadores colocam os ramos de folhas sempre em sítios diferentes e de difícil acesso. Fora esse esforço extra, têm disponíveis 14 tipos de folhagem diferentes – no habitat natural têm cerca de 40 –, além de ração, que dão um reforço vitamínico.

A alimentação unicamente herbívora não impede que o ocapi chegue a um porte de quase 270 quilos. “O ‘Zuri’ só tem 220, mas ainda está a crescer”, garante Anabela.

O “Zuri” passeia pela instalação completamente alheio à nossa presença. Com a língua de quase 40 centímetros vai arrancando as folhas mais altas das ramagens.

O pêlo, que mais parece veludo, atrai a nossa atenção. “O problema é que atrai também a indústria, que vê a pelagem dele como algo passível de negócio”, conta a tratadora. Essa é uma das razões que fazem com que a espécie esteja ameaçada.

Em 2013 entrou para a lista negra divulgada pela União Internacional pela Conservação da Natureza. A entidade coloca a caça ilegal e a perda de habitat, bem como a presença de rebeldes, caçadores de elefantes e mineiros ilegais na República Democrática do Congo, de onde é natural, como as principais ameaças à sobrevivência do animal. J

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