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Maria João Vitorino 24/04/2015
Maria João Vitorino

opiniao@newsplex.pt

Investimento em inovação e saúde de proximidade gera poupança

No âmbito da doença respiratória crónica, muito se tem feito recentemente e muito há ainda para fazer. 

Nos últimos anos, Portugal tem registado ganhos significativos em saúde com indicadores a aproximarem-se da média europeia, como a esperança de vida e a redução da mortalidade infantil. No entanto, o contínuo envelhecimento da população lança-nos para um aumento significativo das doenças crónicas, complicando-se com a diversidade de comorbilidades, com impacto extremamente negativo na qualidade de vida das pessoas e das famílias. Se juntarmos a esta tendência os efeitos do tabagismo e os factores ambientais, confrontamo-nos com um aumento preocupante das doenças respiratórias crónicas. 


Segundo o Relatório do Programa Nacional para as Doenças Respiratórias da Direção-Geral da Saúde, de Dezembro de 2014, as doenças respiratórias excluindo o cancro do pulmão são a terceira principal causa de morte em Portugal e no mundo. Esta realidade, geradora de custos elevados dos cuidados de saúde, representa para o sistema de saúde um desafio importante do ponto vista da necessidade de modernização dos modelos de prestação de cuidados.


No âmbito da doença respiratória crónica, muito se tem feito recentemente e muito há ainda para fazer. Os doentes e os cuidadores movem-se num circuito desactualizado, muito centrado e dependente dos hospitais de agudos, os quais nem sempre estão articulados com os cuidados de saúde primários, por vezes distantes da comunidade e da sociedade civil. Este panorama tende a agravar-se com algumas desigualdades na sociedade, nomeadamente com a iliteracia e potencia-se com as limitações de meios e de recursos da saúde em diversas regiões do país.


Este cenário torna premente investir em Inovação, implementando meios tecnológicos e sistemas de informação e comunicação adequados; em Prevenção para a saúde através da educação para a autonomia do indivíduo na gestão da sua condição; em Reabilitação, nomeadamente a reabilitação respiratória, como meio de prevenção da exacerbação da doença e aumento da sobrevida; e na criação de modelos de prestação de cuidados de proximidade que gerem poupança, ganhos em saúde e aumento da qualidade de vida.


Este investimento requer visão, liderança, decisões e um plano de acção que integre os maiores activos que Portugal tem:
- um Serviço Nacional de Saúde com reconhecidos padrões de qualidade;
- diversidade de profissionais de saúde experientes;
- uma comunidade estudantil ávida de saídas profissionais desafiantes e diferenciadas;
- um sector social com tradição na prestação de cuidados de saúde;
- um sector privado robusto, ágil, disponível para o intercâmbio e partilha das melhores práticas internacionais, baseadas na evidência científica e no custo-efectividade. 


A aposta em Cuidados Respiratórios Domiciliários (CRD) adequados às necessidades do doente respiratório crónico é um excelente exemplo de inovação e proximidade que vence distâncias e atenua as dificuldades que decorrem da limitação de meios técnicos e humanos, em geral, com particular relevância nas zonas de maior dispersão geográfica. Os CRD permitem a redução de custos associados aos múltiplos internamentos relacionados à doença crónica, que em 2012 atingiram 232 milhões de Euros e 70.000 pessoas, contribuindo para uma prestação de cuidados com uma estrutura de custos mais baixa e sustentável.


O investimento na telemedicina e nos cuidados domiciliários aplicados à área das doenças respiratórias apresenta-se como solução inovadora que beneficia a tendência global que visa tratar os doentes estáveis fora do ambiente hospitalar. Este tipo de acompanhamento inovador através de sistemas de tele-monitorização permite o seguimento clínico atempado, disponibilizando apoio permanente aos doentes por profissionais de saúde que fazem de elo de ligação com o médico, 24 horas por dia. Desta forma a telemedicina permite a redução dos custos em consultas nas urgências, em internamentos e transporte dos doentes, ou seja, a poupança dos contribuintes e do Estado.


O sector privado tem assumido um papel relevante na introdução de novas tecnologias na Saúde, demonstrando cada vez mais o compromisso de contribuir para a sustentabilidade a longo prazo do SNS, agilizando a mudança e posicionando Portugal numa plataforma competitiva de captura de valor dos avanços da ciência.  

Homecare Business Manager Portugal 
Linde Saúde 


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