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ONG portuguesa lança programa para reduzir a metade mortalidade materno-infantil na Guiné-Bissau

ONG portuguesa lança programa para reduzir a metade mortalidade materno-infantil na Guiné-Bissau

24/07/2013 00:00

O Instituto Marquês de Valle Flôr (IMVF), em parceria com a UNICEF, lançou em meados de julho um programa para reduzir para metade em três anos os níveis de mortalidade materno-infantil na Guiné-Bissau.

"O programa vai abranger um terço da Guiné-Bissau e é um trabalho de capacitação, estruturação e apoio para diminuir em três anos para metade esta mortalidade que é um recorde mundial", disse à agência Lusa Ahmed Zaki, diretor de programas do IMVF.

A Guiné-Bissau regista 1.000 mortes maternas por cada 100 mil habitantes e 60 mortes infantis por cada 1.000 habitantes.

O IMVF irá centrar a sua atividade no apoio aos cuidados primários especializados numa rede de seis hospitais regionais e 37 centros de saúde, enquanto o trabalho junto das comunidades será assegurado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF).

Ahmed Zaki disse que reconhece as dificuldades do desafio de um projeto "muito complexo e de maratona", numa conjuntura económica difícil e num país com "uma realidade dura".

O responsável do IMVF adiantou que o projeto é a atual grande aposta da organização, que intervém em todos os países lusófonos, mas tem no programa "Saúde para Todos", que promove há 25 anos em São Tomé e Príncipe, o seu projeto emblemático.

O projeto começou por disponibilizar consultas, medicamentos e meios de diagnóstico na rede de centros de saúde do país, estabelecendo um modelo de proximidade para cobrir as necessidades das populações vizinhas desses centros.

"Começámos por um distrito, dois distritos, cinco, sete distritos e quando respondemos a 80 ou 90 por cento destas necessidades vimos que era preciso fazer algo mais. Fizemos um segundo patamar de intervenção para as doenças que só podem ser resolvidas em meio hospitalar", explicou Ahmed Zaki.

É neste nível que o IMVF está a cooperar com 15 hospitais portugueses e 22 especialidades médicas e cirúrgicas que fazem missões de curta duração a São Tomé e Príncipe, evitando a deslocação dos doentes para Portugal.

"Uma equipa de oftalmologia que faz numa semana mais de 600 consultas e de 100 intervenções cirúrgicas é fantástica em termos de eficiência e eficácia. Resolve muitos problemas não apenas para os doentes, mas para os países envolvidos porque representa menos de 18 por cento dos custos do tratamento em Portugal", sublinhou.

A mais recente etapa deste processo foi a introdução de uma plataforma de telemedicina, que contribuiu para reduzir em mais de 60 por cento entre 2009 e 2012 o número de deslocações de doentes para Portugal.

Ahmed Zaki destaca a transformação conseguida no sistema de saúde de São Tomé e Príncipe, já percetível nos indicadores do Desenvolvimento Humano.

A rede de cuidados primários nos centros de saúde é atualmente assegurada por médicos locais e um dos desafios futuros passa também por atrair quadros que consigam assegurar também as especialidades médicas.

O instituto apresentou entretanto ao Governo de São Tomé e Príncipe um plano de modernização do Hospital Central para "permitir a articulação entre cuidados primários e especializados", estando agora em fase de procurar parceiros para esta intervenção.

Além da saúde, a organização atua também na área da educação tendo conseguido aumentar o número de alunos de 7.266 em 2007/2008 para 15.481 em 2012/2013 e o número de escolas de 8 em 2009 para 14 em 2012.

*Este artigo foi escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico aplicado pela Agência Lusa

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