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E. Reeves Photography. Retrato de um estúdio com um filme que teima em não acabar

E. Reeves Photography. Retrato de um estúdio com um filme que teima em não acabar

12/10/2014 00:00
O mais velho estúdio fotográfico do mundo fica em Inglaterra e parte do seu arquivo está agora em exposição

O retrato é um conceito antigo com o propósito de imortalizar o que o tempo desgasta e apaga e ao qual a tecnologia veio adicionar uma espécie de "faça você mesmo", dispensando intermediários profissionais e tempo para a revelação. No meio disso tudo há quem resista e mantenha activo, no séc. XXI, o que vai pertencendo cada vez mais ao domínio da memória de outras épocas. Na pequena cidade inglesa de Lewes, o estúdio e loja Edward Reeves Photography capta, desde 1850, as imagens dos habitantes da cidade e a evolução da sua história, o que o torna no mais antigo do mundo em actividade.

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Os preços acessíveis e a reputação de qualidade dos serviços oferecidos contribuem para manter aberto este estabelecimento centenário. Mas o segredo da sua longevidade está nos hábitos que, afinal, não se perderam por completo. "Há uma continuidade surpreendente em algumas matérias objecto de fotografia. Famílias, e por vezes gerações sucessivas da mesma família, pedem retratos formais e informais; as fotografias dos casamentos também seguem a tradição dos primeiros tempos ou projectos comerciais, como brochuras e publicidade a casas ou produtos, que sempre foram parte do trabalho do estúdio", explica Tom Reeves, fotógrafo e gerente do espaço.

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O bisneto de Edward Reeves, fundador do estúdio, confessa que foi sempre transmitida à geração seguinte a ideia de continuar o negócio, daí que a paixão pela fotografía lhe corra no sangue e nunca tenha sido questionada. "Não me lembro de alguma vez ter tido vontade de fazer outra coisa e a minha principal preocupação, nos últimos 30 anos, tem sido conseguir continuar a viver da fotografía, continuando com o negócio como tem sido desde a década de 1850". Cada geração tem procurado manter vivo o legado, adaptando-o às novas tecnologías e tendências ou às exigências dos clientes. Se em 1860 eram os cartões-de-visita, hoje são as fotografías para sites de empresas e organizações. O estúdio também tem sabido tirar partido dos avanços tecnológicos na área da fotografia e prepara-se para, em parceria com a equipa de Brigitte Lardinois, directora-adjunta do Centro de Arquivo Fotográfico da Universidade de Artes, de Londres, digitalizar o seu extenso arquivo e descobrir o que contém, para depois o divulgar. Tom Reeves utilizou o processo químico de revelação, pela última vez, há cinco anos, por isso o estúdio armazena actualmente fotografias feitas a partir de vidro de gelatina e colódio, negativos de rolos a preto e branco e a cores e os mais recentes DVDs. "Toda a história da fotografia popular está numa sala", refere. Parte dela está agora exposta nas montras de ruas de Lewes, no âmbito da exposição "Stories Seen Through a Glass Plate", inserida na Bienal de Fotografia de Brighton, revelando a história da cidade, há 150 anos, e como o seu espaço era vivido por outras gerações.

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